Domingo, 27 de Maio de 2012

E veio-me esta canção à memória....

...quando fazendo zapping, passei pelo "A tua cara não me é estranha"
I Wonder Why
Frank Zappa - He's So Gay

De qualquer forma, é sempre bom recordar o grande Frank Zappa

Night' Music - Bill Withers - Ain't No Sunshine


Bill Withers - Ain't No Sunshine

Em Brugges(1)

A Bélgica tem algo que a identifica de imediato, o Manneken Pis.
A Bélgica já teve um dos maiores cantautores do mundo, Jacques Brel.
E um dos mais conhecidos e queridos detectives de sempre, Hercule Poirot.
A Bélgica pode-se orgulhar das suas magníficas cervejas, e de ser belga a melhor do mundo, a Westvleteren.
A Bélgica tem uma cidade que maravilha todos os que a visitam: Brugges. 
Conheço pouco da Bélgica. Só Bruxelas, que visitei aquando de uma estadia mais ou menos prolongada em Amsterdam, e que achei uma cidade bonita, cosmopolita, mas vulgar, pelo que só penso voltar por algum motivo ponderoso. E conheço Brugges, e se há um adjectivo para classificar Brugges, nunca será vulgar. Muito longe disso.
Bruges é chamada a Veneza do Norte. E mal se chega, à vista de tanta água por todos os lados percebe-se porquê. Mas sobretudo, é uma cidade medieval, extremamente bem preservada e cuidada.
O belga bem pode exibir com vaidade a cidade que poderá ser considerada o seu grande emblema turístico. Na verdade, chega a parecer inacreditável como toda aquela urbe resiste a séculos de erosão própria de um clima habitualmente tão agreste, como Brel tão bem descreveu numa das suas melhores criações, a bela e triste “Mon Plat Pays”, facto a que talvez não seja alheia a menor simpatia dos belgas.
Com muita sorte, a visita decorreu com um tempo surpreendentemente ameno, a roçar o estival, de tal forma que até os autóctones se mostravam admirados com a placidez dos dias, decidindo-se até muitos a aventurarem-se a passear de mangas curtas. Mal se entra no perímetro urbano, a Notre-Dame de Bruges, sobressai na imponência dos 123 metros de altura da sua torre.
Outra presença que se faz sentir com intensidade é a da torre de Belfry, que domina a praça central do burgo.
Por muitas voltas que se dêem, descobrir atentados urbanísticos é trabalho inútil. Dão-se voltas, e a a nós, tão habituados ás cidades descaracterizadas e desumanizadas, parece-nos sempre que aquelas casas não podem ser habitadas. A mim pareceu-me que viver numa delas, deve ser mais ou menos como viver num museu. Aliás, a cidade parece um museu a céu aberto.
Uma visita a Bruges passará sempre por uma ronda aos inúmeros canais num dos muitos pequenos barcos turísticos que fazem o circuito e que dão a conhecer ao turista, ângulos da cidade que de outra forma permaneceriam invisíveis aos seus olhos.
E como a viagem é longa, amanhã continua...

Sábado, 26 de Maio de 2012

Vistos e Revistos (8) - O carteiro de Pablo Neruda

Hoje era dia de vos deixar aqui a indicação de um filme, dos que fazem parte da lista imensa dos filmes da minha vida, e breves notas sobre o mesmo. Contudo, prefiro, às notas pessoais, um breve diálogo que diz muito do lirismo desse magnífico filme protagonizado pelo grande Philipe Noiret, "O Carteiro de Pablo Neruda"
Mario Ruopollo* - Gostava de ser também poeta  
Pablo Neruda - Não. É mais original ser carteiro. Anda-se mais e não se corre o risco de ficar gordo. Nós, os poetas, somos todos gordos  
Mario Ruoppolo - Sim, ma com a poesia poderia conquistar mulheres. Como posso me posso tornar poeta?  
Pablo Neruda - Tenta caminhar lentamente pela praia, até que a baía to permita.  
Mario Ruoppolo - E as metáforas? Virão ter comigo?  
Pablo Neruda - Certamente.

Depois deste diálogo, resta-nos tentar fazer da nossa vida uma eterna metáfora. Eu tento-o.

*Nota Breve - Massimo Troisi, que desempenha o papel de carteiro, muito doente durante a rodagem do filme, faleceu logo após o fim da sua rodagem

Música de Rua (1)

Uma das coisas mais preponderantes na minha vida é a música E se há coisa que adoro ver é aquela música de rua, quando bem tocada. Nalgumas das minhas viagens, tenho deparado com autênticos concertos, que me prendem à frente dos músicos, que não me deixam partir antes dos artistas darem por terminado o seu recital. As fotos que se seguem, foram tiradas durante uma das minhas viagens a Paris
Bach no Metro de La Madeleine

Jazz sob as arcadas da Place des Vosges

Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

The Art of Burlesque (1)




Night' Music (31) - The Dandy Warhols - Bohemian Like You

The Dandy Warhols - Bohemian Like You

Dúvida Existêncial (21) - A(s) Frase(s) da Semana

“Na vida, como nos livros, um ladrão não deixa de ser ladrão por declamar poesia, ou por ir ao Papa. Um fugitivo da justiça não o deixa de ser apenas porque alguns juízes decidiram assobiar para o lado”. 
(Luís Filipe Vieira, Presidente do Sport Lisboa e Benfica)

Alguém adivinha a quem se estaria ele a referir? Ou tratar-se-ia somente de uma metáfora? 

(a escrever da praia, mas extremamente preocupado) 

Hoje, roam-se de inveja, estou...

...AQUI!!!
E à tarde vou para aqui:
E vai ser um fim de semana de perna estendida. (A Pink, já está ali debaixo do seu chapéu de sol canino, para não apanhar um escaldão)

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

E depois do barbeiro...

...só restou o cocoruto da cabeçorra e o espanador do rabo!
Nesta última, não parece que se está a rir?

Breves notas...

...sobre a matéria do post anterior.



Saddle Shoes

É verdade, não sou um fashion blogger, mas tal não impede que tenha opiniões muito definidas sobre alguns assuntos, versando a moda homem. 
Como sei que os homens são menos permeáveis a conselhos nesta questão, mas que ao mesmo tempo, podem ser influenciados pelos conselhos de namoradas e mulheres - havendo mesmo alguns que por elas são vestidos - (atitude aceitável, mas a evitar no que diz respeito a gravatas, para as quais a generalidade das mulheres têm um gosto muito duvidoso) - estas breves notas destinam-se a elas. 
Quebrando tabus: 
- Calças coloridas (verdes, amarelas, vermelhas, etc.). Estilo Ivy League. Pouco toleradas por cá. Aqui a dois passos, em Madrid, e por esta altura do ano é comum vermos homens de aspecto respeitável, faixa etária dos 40/60, blazer azul marinho de bom corte, camisa, gravata, lenço na lapela e calças...vermelhas ( ou verdes). Paris, Londres, Milão, é igual. Trata-se pois, de uma questão de mentalidade. Provinciana, a nossa, eu diria.  As calças (de qualquer estilo, mesmo jeans) devem SEMPRE acabar onde começa o sapato (no verão, admite-se a calça ligeiramente mais curta, a deixar ver o tornozelo, e com ou sem virola). Inadmissível é a calça a cair em fole sobre o sapato. 
- Gravatas - mais vale ter poucas e boas. De lã, de seda ou de malha, lisas, de riscas, regimentais ou paisley e a usar sempre bem conjugadas com camisa e fato ou casaco. O nó de gravata que mais me agrada é o Four-in-hand, embora dependa muito do tecido da gravata. 
- Camisas e pólos - mais uma vez, não ostracizar esta ou aquela cor, como no caso das calças. Mente aberta, portanto. A conjugação com a demais indumentária é que é o mais importante. Por exemplo, um polo cor de rosa fica sempre bem com umas boas jeans 
- Roupa da Zara e coisas do género. A evitar. A Zara pode ter umas peças giras para mulher, mas no que respeita ao homem, as coisas que vendem são pavorosas.. Os fatos zarianos, além de mau corte - aceito que pelo preço não se possa exigir muito mais - geralmente têm bandas muito estreitas, o que obriga quem os veste a usarem aquelas gravatas muito estreitinhas, estilo pila de gato, que é do mais horroroso que se pode usar (uma nota explicativa: a gravata deve acompanhar em largura, a largura das bandas do casaco). - - Fatos pretos ou cinzentos. Os 1ºs são aceitáveis em situações muito formais. No dia a dia, fazem um homem parecer um gato pingado. Os 2ºs têm que ser de muito bom corte e ajustados ao corpo. Largos ou demasiado justos, fazem o homem deselegante e...cinzento. Tipo empregado bancário desmazelado.


Bucks

Um capitulo à parte para os sapatos. Já aqui falei a minha preferência pelo bom sapato inglês de Northampton. Contudo, estamos no Verão, e vou abordar os estilos de sapatos que mais me agradam para esta altura, desde que a situação não seja formal. 
Além das populares alpercatas, que só uso na praia, há os de vela que são muito populares por cá - e que devem ser sempre usados sem meias, como é óbvio - e uso, embora prefira os "bucks" ou os "saddles". Estes, são estilos de sapatos muito semelhantes entre si, como podem ver nas fotos - os saddles têm duas cores ou dois tons da mesma cor - lisos e geralmente de sola de borracha, quase sempre avermelhada. Muito leves, é essa, além da parte estética, a razão que me faz preferi-los aos sapatos de vela. 
E sobretudo, que se evitem os malfadados ténis. Se há moda mais abstrusa é esta agora de usar fatinho, gravata e...ténis. Além do mais, têm aquela horrorosa tendência para se tornarem mal-cheirosos após uma semana de uso. 

Nota: - Aceitam-se questões.

Fashion Blogger? Eu?


Porquê? Não se pode acordar indeciso sobre que fato vestir?

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

O ataque de loucura da fera loura

video

O meu sábado, ao cronómetro

Acordei com a sensação de que um terramoto me abalava a casa: era a filha da vizinha do terceiro - já lhe conheço o trote - a descer as escadas. Já imaginaram a Popota a descer umas escadas à pressa? Pois... é mais ou menos assim. Olhei o relógio. 
 8h15. Raios, ainda podia ter dormido mais meia hora, mas agora já não dava para adormecer. Apeteceu-me fazer a contabilização das horas de sono que aquela gaja já me devia, que entre descidas de escada daquele estilo e os gritos e ranger de cama de quando passa uma ou duas horas a dar às nalgas com o namorado quando a mãe passa fins de semana fora - e são muitos - deve apresentar um saldo a condizer com o corpanzil dela, e perguntar-lhe como me quer pagar aquilo, se em dinheiro ou em géneros. 
Levantei-me, fui à casa de banho, a mijadela matinal e a seguir uma olhadela ao espelho. Olheiras. Nada a fazer. Lavo os dentes, não é dia de fazer a barba e ainda bem que com o sono com que estou, ainda me degolava, ou cortava um lóbulo de orelha, tomo banho e penteio-me. 
Já mais desperto, como os cereais e enfio o comprimido para a tensão (leram bem, tensão). Depois, volto ao quarto, e visto-me. A cadela já está sentada à porta à minha espera. São: 
9 h. - A minha bicha, mal sai à rua, faz o seu chichi e arreia o calhau da manhã, que eu apanho civicamente. Vou até ao café, que já está cheio de gajos que não fazem nada, e quando estou a beber o café, aparece o com uma das t-shirts dele. Esta tem escrito: "Tell your big boobs to stop starring at my eyes". Já sei que vou arder com um café ou uma mini. Vem direito a mim, dá-me uma palmada nas costas que me entorna metade do café e diz em voz alta: 
"Então já sabes a última?" Claro que não sabia, e disse-lho. E acrescentei: 
"Mas fala baixo, que me dói a cabeça porque acordei sobressaltado". 
"Ok. Sabias que o Celestino foi apanhado pela mulher, na cama com o Tripé?" 
Ora aqui, impõe-se uma explicação. O Celestino tem uma espécie de frutaria onde vende também legumes com a mulher, a Marilú. Tripé é apelido do Ermezindo, um trolha caboverdiano, que mora numa cave na rua de baixo. Acho desnecessárias quaisquer explicações sobre a origem da alcunha do Ermezindo. 
Voltando à narrativa:  fiquei estupefacto. Primeiro, porque o Celestino tem um grande bigode, anda sempre com a camisa aberta até ao umbigo a mostrar o pelame do peito que parece um carpélio, alanca com sacas de batatas de 50 kilos, e dizia-se que a mulher o trazia de trela curta por causa das sopeiras. Segundo...bem, segundo nada, há muito que se diz que o Tripé é de boa boca. Pelos vistos, quem o afirmava, falava em sentido figurado. 
"Pois, nem imaginas. Foi ontem à tarde. Um escândalo. O tipo disse à Marilú que ia dormir uma sestinha, ela fica a tomar conta do lugar e ele foi-se aviar com a fruta do cabo verdiano. Tu sabias que o tipo agasalhava o palhaço?" 
"Eu não! Nem desconfiava! Porque é que me perguntas isso?"  
"Bem, falavas tanto com ele" respondeu-me ele de maneira dúbia.  
"Tem mas è juízo. Tás aqui, tás a pagar tu a cerveja" o tipo viu-me com os azeites e já não retorquiu. "Agora deixa-me ir, que tenho ali o animal à espera para ir passear".  
"Então não queres ouvir a história toda?" 
"Contas logo, agora estou com pressa" 
"Então logo aparece, para te contar principalmente aquela parte em que o Tripé saiu a correr em pelota com a Marilu atrás dele com o cutelo da carne, e a D. Carlota a gritar que há muito tempo que não via uma coisa daquelas, e que daquele tamanho nem nunca tinha visto, e que parecia o badalo de um dos sinos de Mafra" (notem que a D. Carlota já era nascida quando deflagrou a 1ª grande guerra, portanto deve ter visto muita coisa). Devo ter ficado uns 5 minutos de queixo caído, mas lá me recompus
"Tá bem, Tá bem, depois contas" já sabia que aquilo significava mais uma mini que ia ter que pagar. Olhei para o relógio: 
9h30 - Fui até ao jornaleiro, comprei o jornal e fui até ao jardim com a cadela. Se fosse ler para o café, ao fim de 2 minutos, tinha 2 ou 3 gajos a ler-me o jornal por cima do ombro, e o que era pior, a comentar as notícias entre eles, não me deixando concentrar. Sentei-me no primeiro banco à sombra que encontrei. Abri o jornal, mas não me conseguia concentrar na leitura. Aquela história da Marilu e do Tripé não me saía da cabeça. 
10h00 - Vou a casa deixar a canina, e vou ao mercado comprar limões - no lugar de fruta do Celestino, enquanto não souber bem a história, não me apanham - agacho-me para apanhar dois limões e quando me levanto, quase enfio o nariz entre as duas gémeas carecas da minha vizinha do 161, que estava com duas meloas na mão e me sorri melosamente e nem faz questão de se afastar. A mulher, do pescoço para baixo e da cintura para cima, é a Pamela Anderson sem tirar nem pôr. Sinto o sangue a subir-me todo ao rosto e a pulsação já devia ir nos 120. Sorri-lhe um bocado envergonhado e notei que o patrão do lugar da fruta, mandara um empregado "aviar a senhora" e se sentara de pernas cruzadas e apertadinhas, e muito vermelho. Imagino porquê. Paguei e pirei-me 
11h00 - Chego a casa com os limões. Tempero as bifanas. 
11h30 -Saio novamente de casa com o jornal debaixo do braço e dou uma volta ao quarteirão, aparentemente sem qualquer objectivo. 
11h45 - Encontro o Tibúrcio. Vem com uma prancha de body-board debaixo do braço.  
"Então, vais à praia? O tempo não está famoso, e não te sabia adepto do body-board" 
"Tás maluco. A água da praia é fria pra caraças. Engatei a Adozinda,e ela disse-me para ir ter com ela lá a casa, para a gente dar uma pranchada". 
Estive para lhe dizer que ele não devia levar o que os outros diziam tão à letra, mas acabei por achar que não valia a pena. 
(continua)

Terça-feira, 22 de Maio de 2012

Night Music (30) Stevie Wonder - Master Blaster


Stevie Wonder - Master Blaster


Pink e o seu novo modelito made in USA, generosidade da tia Xuxi

Afinal, ainda há pessoas assim, que são capazes de actos de generosidade desinteressada para com alguém que só conhecem deste mundo virtual. Graças à sua tia Xuxi do ,Amor Portátil, a Pink hoje estreou o seu novo modelito made in New York
Obrigada, tia Xuxi, na 5ª feira vou á tosquia, e depois tiro outras fotos mais bonitas. BéU!

Paris et la nostalgie

Há muitos anos, nos meus vintes, numa conversa de café, alguém me perguntou se nunca tinha saudades. “De quê”, indaguei. “Dos anos de rapazito, sem qualquer tipo de responsabilidades, sem ter que cuidar de sujar o bibe, ou as mãos na terra húmida”. Que não, respondi firmado naquelas certezas e arrogâncias - dureza, talvez? - próprias da idade. Que então, na minha perspectiva de vida só podia existir presente e futuro. Com o decorrer dos anos fui-me fragilizando nestas convicções - ou fragilizando-me, tout court, e as saudades começaram a ter uma presença maior do que a que desejaria. Desde as dos cheiros da carqueja, dos tojos e das torgas, que me inundavam quando atravessava o pinhal que já não existe, ao sabor estranho da sopa de beldroegas, de que me fui habituando a gostar. Ou das vezes em que, adolescente, deixava cair propositadamente o lápis, de forma a, ao apanhá-lo, atrevido espreitasse as belas pernas, sempre cruzadas, da pequena professora A, que além da firmeza dos traços do desenho geométrico, me fornecia também um espicaçar extra da libido, que, naquela idade, nem se carece. Aliás, esta figura de mulher, foi predominante nos meus sonhos húmidos de adolescência, com as suas coxas roliças provocadoramente espartilhadas por saias justas, a sua franja e as tranças negras sempre impecavelmente enroladas sobre as pequenas orelhas e a sua boca sugestivamente carmim. Nem se contam as vezes que aquela boca me inspirou nas composições das aulas de português. Com ela, quase esgotei o escasso léxico.
Num dia gélido de Novembro, sentado numa esplanada envidraçada de Saint Germain, lembrei-me dela e dessa descuidada declaração de intenções. Lá fora passavam apressadas as parisiennes - desde que as conheci, sempre achei que a professora A tinha tipo de parisienne, com aquela elegância nonchalant e sexualidade à flor da pele muito própria - e eu olhava-as distraidamente, enquanto ia apreciando o meu chá de menta. 
Por vezes, entrava um novo cliente e um houve, que me pareceu vagamente familiar. Sentou-se quase a meu lado e desdobrou o Le Monde, enquanto pedia um beaujolais noveau. Nessa altura tive a certeza de que era mesmo o Cohn-Bendit, e estranhei que o jornal não fosse o Canard Enchaîné. Estive quase a levantar-me para lhe perguntar se dava razão a Willy Brandt quando afirmara que um jovem esquerdista, daria sempre um bom social-democrata quando chegasse á meia idade, porém a minha natural timidez impôs-se . Mas principalmente, aquele fortuito episódio trouxe-me a noção da realidade, de como aquela cidade é um local onde se encontra quase toda a gente, como descrevia Hemingway no seu Paris é uma festa
E sobretudo, como sinto uma certa nostalgia romântica em relação ao ano de 68 e a tudo o que então se passou na cidade das luzes.

(Ano de 2007)

Segunda-feira, 21 de Maio de 2012