Quem goste de música popular - especialmente da de língua inglesa - e se dê ao trabalho de querer saber o que afinal se passou na tão cantada década dos Beatles, os 60's, irá verificar que os Walker Brothers são, a par de P.J. Proby, casos especiais: enquanto as grandes bandas inglesas tomavam de assalto o enorme (e de difícil penetração) mercado norte-americano, dando origem à chamada British Invasion, eles fizeram o percurso inverso, emigrando dos EUA para a swinging London, onde acabariam por ter um sucesso assinalável, embora de não muito longa duração (de 1965 a 1967 tiveram várias canções no top inglês, separando-se logo a seguir)
Adiante-se que o grupo, um trio, não era realmente constituido por irmãos e curiosamente, nenhum deles tinha o sobrenome de Walker. Tratou-se, portanto, que uma questão de marketing.
Quando da separação, e inevitavelmente, a grande voz do grupo, Scott Engel, foi dos três o único a ter sucesso a solo, embora o seu low-profile - evitava até estar em eventos onde as suas obras constavam das candidatas a prémios - não lhe tivesse proporcionado a projecção que a sua qualidade merecia.
Não me vou estender muito em pormenores - na net encontra-se informação de sobejo sobre Scott Walker (ele manteve o sobrenome na sua carreira a solo) ou mesmo sobre os Brothers - mas diria que a sua classe como cantor, o bom gosto que sempre demonstrou na escolha meticulosa dos temas que aceitou cantar, permitiram-lhe o assentimento de Jacques Brel para que editasse um álbum, "Scott sings Brel", com temas do grande autor belga transpostos para inglês pelo próprio Scott. Foi aliás a qualidade das versões que levou Brel a aquiescer.
Fica aqui também, uma amostra da qualidade desse álbum: