sábado, 4 de setembro de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
As Capas de Álbum do Meu Contentamento (1) - Moby Grape/1968
Saídos do grande movimento que teve o seu epicentro em San Francisco em meados dos anos 60, os Moby Grape viram os oráculos de então apresentarem-nos como a “next big thing” do panorama musical americano, ainda na ressaca da British Invasion.Era um grupo bastante versátil, mas poder-se-á dizer que o seu estilo cabia bem dentro do chamado country-rock, alinhando ao lado de grupos como os Quicksilver Messenger Service, ou os Lovin’ Spoonful, embora sejam inegáveis algumas influências psicadélicas, o que não será de estranhar se tivermos em atenção que a banda foi formada à volta de Skip Spence, o 1º baterista dos Jefferson Airplane, uma das primeiras e mais importantes referências desse movimento.
Contudo, e voltando à questão da "next big thing", a verdade é que a realidade anda muitas vezes longe das previsões dos “entendidos”, e a vida dos Moby foi relativamente curta - 3/4 anos - e de êxito muito relativo, culpa, diz-se, de muitas más decisões conjuntas e de algumas atitudes pessoais reprováveis.
Intocável é porém, o manifesto cuidado e bom gosto, postos pelos responsáveis, na produção gráfica dos vários LP’s que o grupo lançou enquanto durou.
A capa que hoje aqui se apresenta, é a do 3º longa duração do grupo, Wow/Grape Jam (um duplo álbum que curiosamente foi posto à venda ao preço de um LP normal) editado pela Sundazed/Columbia em 1968, e é da autoria de Bob Cato, um reputado designer pertencente aos quadros da Columbia, e que trabalhou com vários nomes notáveis da cena musical norte-americana, como Bob Dylan, Barbara Streisand, Miles Davis ou Janis Joplin.
Generalidades
Capas dé Álbum,
Moby Grape
sábado, 14 de agosto de 2010
Filmes (1) - Os Óscares que aí vêm
Tenho para mim que quem se interessa por cinema, e à medida que vai vendo as novidades cinematográficas, manterá todos os anos alguma expectativa em relação aos filmes que, no ano seguinte, serão nomeados para o Óscar. Por mim, penso que por estes tempos, será uma espécie de prazer mórbido, aquele que nos move.A verdade é que, principalmente nos últimos anos, têm sido tão erráticas as opções da Academia, que há sempre aquela perguntinha que nos assalta: “Será que é desta que acertam?”. Também é verdade que o facto de não concordarmos com o filme escolhido, não faz com que aquele que vence seja pior. Admito perfeitamente a diferença de opinião quando se avaliam duas coisas de potencial semelhante. O que já não me parece muito lógico é sequer nomearem-se filmes sem qualquer interesse para um cinéfilo - como aconteceu quando nomearam Avatar como candidato ao Óscar para o melhor filme - sendo que pior é quando ganham, como foi o caso de Slumdog Millionaire, em 2008.
A nomeação já me pareceu disparatada. O facto de vencer, quando estavam também nomeados filmes com a importância de “O Curioso Caso de Benjamin Button”, “Frost/Nixon” ou mesmo “Milk” (que não apreciei pessoalmente, mas que concedo ser um bom filme), é, na minha opinião, não só uma decisão absurda, como me parece conter em si mesma uma atitude paternalista um bocado imbecil.
Por cá, quando se chega á altura da cerimónia, é curioso verificarmos que alguns dos filmes nomeados ainda não passaram - alguns, em anos anteriores, creio mesmo só terem vindo posteriormente directos para os clubes de vídeo, o que com o desaparecimento recente do Blockbuster, vem pôr outro problema a quem se interessa por cinema, que é o de a partir de agora, ter que abrir os cordões à bolsa e comprar os filmes, se os quiser ver - e o que até agora apareceu, não é muito auspicioso. Dois ou três filmes interessantes, e pouco mais. Mas como ainda falta a época alta, a começar em Outubro…
De qualquer forma, suspeito que, se no ano passado foi nomeado Up, o mais certo é este ano não falhar a nomeação de Shreck IV. O que me parece muito mais saudável, do que um daqueles enjoativos filmes de vampiros, ou qualquer coisa toxicamente tecnológico e cheio de efeitos especiais, como o Avatar.
Uma aposta minha vai para o recente “The Expendables”. Afinal, é produzido pelo grande Sylvester Stallone (sim, grande. Que ainda não me esqueci que o homem já ganhou um Óscar!), e reúne a nata dos “heróis” de Hollywood e não só.
Cheira-me a que é muito mau, mas pelo menos, temos acção garantida.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
A Roda do Tempo (1) - As Velhas Tabernas
A leitura da Time-Out desta semana levou-me de volta ao Sudoeste donde cheguei há uns dias. Mas fui ao engano. Falavam eles de 10 razões para ir ao Sudoeste, e pensei logo que uma delas, seria o arroz de marisco - ou mesmo só o marisco, fresquíssimo, desde o inacreditavelmente barato percebes, á incomparável amêijoa - do Azenha do Mar, da D. Alzira, mesmo chegado ao Brejão e à praia do Carvalhal. Mas…desilusão. O 1º “prato” que me serviam era o intragável Mika mais a sua voz pimba, que mais pimba não há.Mas recompus-me e logo a seguir fiz as pazes com a publicaçãozinha quando ela me forneceu alibi para um dos meus “pecados”, que é não ter conseguido até hoje, ler o “Ulisses”. Pois é, parece que não sou só eu. Partilho a fraqueza com, pelo menos, José Luís Peixoto, Miguel Sousa Tavares, José Mário Silva ou Inês Pedrosa, tudo nomes ilustres das nossas letras, o que, para mim, significa simplesmente que afinal só lêem o Ulisses pessoas desprovidas de sistema lógico de raciocínio, ou seja, perfeitos idiotas se dão ao trabalho de ler a obtusa obra de James Joyce.
Como se sabe, a Time-Out é já uma referência pelas indicações preciosas que dá, e, curiosamente, neste número fala de uma das casas de comes mais faladas da zona onde moro, o Chá da Lapa, talvez só superado em fama pelos pastéis de nata da Cristal ou pelo Chef, da Borges Carneiro, onde se comem as melhores empadas de galinha de Lisboa, ao mesmo tempo que se pode tropeçar com algum famoso, ou pretendente a tal, o que não me é muito apelativo, eu que sou um orgulhoso anónimo e sem pretensões a alpinista social. Portanto, passo geralmente ao largo. A não ser quando me apetecem mesmo as tais empadas. Ou uma chamuça.
E geralmente passo ao largo, passeando a minha fiel amiga, ao mesmo tempo que ouço em podcast episódios atrasados do Governo Sombra - aí está mais um elo que me liga ao Time-Out - que não tive oportunidade de ouvir na altura devida, mas que é um daqueles programas de rádio em que o senso de humor dos intervenientes torna os tópicos abordados intemporais. Ah! E os cromos do Markl na Comercial, claro.
Mas voltando ao Chá da Lapa, que fica a meio caminho de um dos percursos preferidos da minha pequena amiga de quatro patas, tenho que confessar a minha nostalgia quando assisto ao progressivo desaparecimento de alguns locais bem mais típicos que os actuais, e que fizeram parte da minha vida durante tanto tempo, que em alguma altura pensei que só desapareceriam quando a cidade desaparecesse ela própria. Ultimamente, por exemplo, morreu com 96 anos, o proprietário de uma das mais antigas e belas drogarias de Lisboa, e ela não lhe sobreviverá.
Mais longe ainda, e já quase completamente extintas, as velhas tabernas - havia uma espectacular, na Calçada do Castelo Picão, onde assisti a algumas das cenas mais hilariantes da minha vida, dignas de um filme da época do neo-realismo italiano - em que uma das partes era carvoaria e onde se empilhavam os barris, a outra, a taberna propriamente dita, serradura espalhada no chão, balcão - de madeira ou mármore grosseiro - largo e gasto pelos milhares de cotovelos e copos de 3 que por ele tinham passado. Numa das pontas, geralmente, uma “coluna” de petróleo, de onde o dono o “sacava” como se fosse uma “imperial”. Afinal, não havia casa na Madragoa que não tivesse o seu candeeiro a petróleo, para o caso de faltar a electricidade. Outra das inevitabilidades de uma taberna que se prezasse, era o prato dos ovos cozidos. E em casos de maior esmero do tasqueiro, um de carapaus de escabeche, que ele servia com as mesmas mãos com que aviava o petróleo ou enchia os sacos com 5 quilos de carvão. Graças, que na altura não havia ASAE.
Mas a maior peculiaridade desses locais, era o corvo á porta. Sujeito por uma das patas, o animal era o símbolo vivo das tabernas/carvoarias de Lisboa e era estimado e respeitado por toda a gente. Lembro-me que um dia, uma das minhas vizinhas, a D. Guilhermina, que tinha uma pedra de peixe no Mercado da Ribeira, levou a sobrinha que morava nas “avenidas novas” para ver o animalzinho. E não se esqueceu de lhe levar um mimo, uma lasquinha de carne de cavalo. Só que enquanto estendia o petisco ao corvo, virou, risonha, a cara para a sobrinha, como quem diz “disto não tens lá pelas tuas avenidas finas”, e na distracção, o Vicente (os corvos de Lisboa chamavam-se sempre Vicente), juntamente com o “bitoque” de cavalo, quase lhe decepava um dedo. Foi então que a D. Guilhermina deu uns gritos, ao mesmo tempo que desfiava o esmerado vernáculo herdado da sua juventude em Ìlhavo.
Espectáculo inesquecível e que decerto o Chá da Lapa nunca me proporcionaria.
sábado, 31 de julho de 2010
Fim de férias...
O regresso de férias não trouxe consigo grandes arrojos em relação a novos projectos.
Mas cada vez mais a foto grafia me tenta, embora não tenha a veleidade de alguma vez me tornar um fotógrafo à séria. Contudo, sei que a natureza e o génio do homem me vão ajudando a obter alguns resultados curiosos.
Os seguintes, são alguns momentos roubados ao mar e à planície alentejana, mesmo ao lado.



Mas cada vez mais a foto grafia me tenta, embora não tenha a veleidade de alguma vez me tornar um fotógrafo à séria. Contudo, sei que a natureza e o génio do homem me vão ajudando a obter alguns resultados curiosos.
Os seguintes, são alguns momentos roubados ao mar e à planície alentejana, mesmo ao lado.
domingo, 4 de julho de 2010
Vem aí o Schreck IV!
Vem aí o Shreck! Vem aí o Schreck! É o IV!Bem, podem ficar admirados por este meu entusiasmo, até porque eu sei que é invulgar um adulto maduro - bem maduro, por sinal - entusiasmar-se com um herói de animação.
Mas a verdade é que sempre fui dado a admirar raridades, e o Schreck é uma raridade: é um dos únicos , se não o único herói de filmes de animação (assim lhes chamava o saudoso Vasco Granja, embora os filmes do Schreck não acabem com o “koniek”) que é heterossexual, mas o que é importante, assume-se!
Admirava o Hergé, mas sempre o achei um bocado racista, e sobretudo nunca lhe perdoei o facto de, ao mesmo tempo que criava um herói genial como o TinTin, o envolver em relações muito duvidosas, especialmente com o Capitão Haddock, nunca assumindo a sexualidade do seu herói. Tantos anos depois e sem sair do armário, tem algo de tortuoso. Se bem que sempre se percebeu que a mente do Hergé tinha muito de perverso, quando o envolve com um alcoólico inveterado, um velho lunático e principalmente com os gémeos Dupond e Dupont.
O mesmo se pode dizer do Asterix. Pelos vistos é sina destes heróis de papel terem paixonetas por tipos que sofrem de distúrbios alimentares e comportamentos anti-sociais! Sinceramente, não imagino o que é que estes autores leram quando eram pequenos! Aliás, as aventuras do gaulês incluem quase todas, episódios a fazer lembrar aqueles bares americanos de “bears”. Todos latagões, grandes bigodes, tudo à porrada e vai-se a ver…enfim, acho que não preciso de pôr mais na carta.
Pelo contrário, o Blake e Mortimer são dois gentlemen. Gays, mas gentlemen. Embora, lá está, o autor tenha morrido - tal como o Hergé - sem abordar a vertente sexual dos seus heróis.
Mas o caso mais patológico será sempre o do Batman e Robin. Aqui já se vai mais longe, e o (que se supõe ser) autor Frank Foster veste os seus heróis de latex, municiando Batman com uma série de pequenos acessórios, e atirando-os assim para o campo do sado masoquismo.
O mesmo se pode dizer do Asterix. Pelos vistos é sina destes heróis de papel terem paixonetas por tipos que sofrem de distúrbios alimentares e comportamentos anti-sociais! Sinceramente, não imagino o que é que estes autores leram quando eram pequenos! Aliás, as aventuras do gaulês incluem quase todas, episódios a fazer lembrar aqueles bares americanos de “bears”. Todos latagões, grandes bigodes, tudo à porrada e vai-se a ver…enfim, acho que não preciso de pôr mais na carta.
Pelo contrário, o Blake e Mortimer são dois gentlemen. Gays, mas gentlemen. Embora, lá está, o autor tenha morrido - tal como o Hergé - sem abordar a vertente sexual dos seus heróis.
Mas o caso mais patológico será sempre o do Batman e Robin. Aqui já se vai mais longe, e o (que se supõe ser) autor Frank Foster veste os seus heróis de latex, municiando Batman com uma série de pequenos acessórios, e atirando-os assim para o campo do sado masoquismo.
E os 7 anões são outro caso patológico: 7 morcões com uma fruta tão boa ali à mão, e vão para a mina trabalhar em vez de desfrutarem das benesses do destino, deixando-se ultrapassar por um mânfio - lá está - de collants!
Na minha opinião, trata-se de um lobby. Veja-se que nestas histórias para jovens, o lobo do capuchinho vermelho é o único a comer alguém do sexo oposto, e por castigo, é sumariamente executado.
Bom, mas a boa notícia é que vem aí o Schreck. A não ser que a Fiona venha agora para os tablóides clamar que o apanhou na SUA cama com o Gato das Botas!
Na minha opinião, trata-se de um lobby. Veja-se que nestas histórias para jovens, o lobo do capuchinho vermelho é o único a comer alguém do sexo oposto, e por castigo, é sumariamente executado.
Bom, mas a boa notícia é que vem aí o Schreck. A não ser que a Fiona venha agora para os tablóides clamar que o apanhou na SUA cama com o Gato das Botas!
sábado, 3 de julho de 2010
domingo, 27 de junho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
Alpercatas? Sapatos de vela? Enfim, que calçar? dramática decisão
Falava há dias o nosso caro Gato Maltês em alpercatas, curiosamente no mesmo dia em que ouvi na rádio um locutor referir-se depreciativamente em relação a sapatos de vela, afirmando mesmo que estes seriam um dos seus ódios de estimação. Fiquei a pensar que era coincidência a mais, não só por se tratar de dois tipos de calçado que praticamente só se usam de Verão, depois porque ando há uns tempos a pensar em experimentar umas alpercatas, e por fim, porque sapatos de vela é o que mais uso por estes dias, mas gostaria de experimentar algo de novo.Portanto, na ordem do dia: que calçar nos dias de praia?
Nunca calcei umas alpercatas (ou espadrilles como lhe chamam nuestros hermanos, conforme e bem nos informa o GM, ou ainda zapatillas de esparto), mas comecei a considerar tal hipótese, embora os preços que vi - na última vez em Madrid, a Castañer tinha-as a 65€ - estivessem bem longe do singelo €uro que refere no seu texto (aí está o resultado da repescagem por algumas das grandes marcas de um produto outrora tão humilde), até porque tenho alguma dificuldade em calçar algo mais descontraído em dias de lazeira.
Geralmente uso os boatshoes da Sebago (não percebi muito bem aquele ódio de estimação do locutor, se bem que entenda que os ditos "ódios" raramente são explicáveis), mas sempre o mesmo modelo (no fim do texto), e nunca gostei de outra das alternativas que se põe para estas alturas, os Todd's (ou sapatos de condução, como também são conhecidos), já para não falar de ténis, que por muito "refrigerados" que sejam, me abafam os pés e se transformam numa quase tortura chinesa.

Portanto, ténis de fora por uma questão de incompatibilidade, Todd's em razão do (não) gosto. Restam os sempiternos sapatos de vela e as alpercatas.
Qualquer deles com o inconveniente de guardarem em si quantidades consideráveis a sempre incómoda areia da praia, que parece ter sempre a propensão para invadir os sítios mais recônditos do nosso corpo.É claro que nem falo das havaianas, porque nunca me consegui habituar à condução com elas (falta de jeito, claro).
Resumindo: nenhuma das alternativas é totalmente positiva. E agora aqui estou eu nesta incerteza!
Ora isto tudo é bem demonstrativo da complicação pegada que é a minha vida e da importância crucial de algumas das decisões que vou ter que tomar proximamente!
Em todo o caso e para já, vou experimentar as alpercatas!
Generalidades
Alpercatas,
Sapatos de vela,
Todd's
segunda-feira, 21 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Afirma O'Hanlon
Vamos por partes: Quem é o O’Hanlon? E a Thomas Hardy Ale?
Bem, para começar pelo princípio: há dias, quando foi da inauguração da Cask Ale, comunicou-me um amigo e amante cervejeiro que é uma espécie de Michael Jackson português (só que mais novo e, felizmente, vivo!), que a Thomas Hardy’s Ale tinha acabado. Espanto e estupor! A Thomas Hardy’s Ale é SÓ – na opinião do escriba, obviamente – uma das melhores cervejas do mundo.
Digeri –mal - a má nova, quase da mesma maneira como se sente a partida definitiva de um velho mas longínquo amigo, e procurei informar-me do que teria levado ao fim de um produto de tão excelsa qualidade. Deixem-me fazer um aparte para vos dizer que, embora goste muito de cerveja, não me mantenho a par das novidades da industria. Sou, como costumo dizer, um consumidor moderado ao qual só interessa a qualidade do que lhe põem à frente. Bom, informo-me também sobre os locais a visitar, se há novidades com que possa satisfazer a minha gula e se as houver, verificar sobre as suas virtudes, enfim, essas coisas... O resto, confesso que me passa um bocado ao lado (que me desculpem os meus amigos que se dedicam de alma e coração à feitura da cerveja perfeita e sua divulgação, mas sou demasiado preguiçoso para me abalançar no fabrico).
A Thomas Hardy, uma Barley Wine inglesa encorpada, foi criada pelo cervejeiro Eldridghe Pope em finais dos anos 60. No início deste século, a sua elaboração passara para as mãos da Cervejeira O’Hanlon, que a manteve até ao princípio de 2009, altura em que se decidiram pela sua não continuidade. A explicação é simples: a sua feitura era demorada e complexa, e enquanto as outras cervejas da O’Hanlon eram engarrafadas em 2 semanas, o processo da T H era iniciado no início de cada ano e só podia ser engarrafada por voltas de Setembro, o que, afirma O’Hanlon himself, tornava os custos da cerveja incomportáveis.
A Thomas Hardy’s Ale era uma espécie de Bentley das cervejas. Tem uma apresentação impecável: etiqueta explicaticva, a tampa coberta por uma prata dourada como as garrafas de champanhe, uma medalha com o retrato em sombra do perfil do autor inglês que lhe deu o nome, e cada uma das pequenas garrafas era numerada, o que lhe emprestava um toque de exclusividade. Mas principalmente, era uma cerveja única: um corpo intenso de um castanho escuro opaco, pouca ou nenhuma espuma, um aroma complexo e um sabor intenso, inconfundível, licoroso. Depois, a potência dos seus mais que 11º de Abv nos quais não se notava sequer resquícios de álcool, o que a tornava surpreendente.
Pois é…mas ao que parece, o mundo chegou àquele ponto em que nem a qualidade suprema se salva, e tudo se sacrifica no altar do deus $$$.
Ontem, assomei à minha despensa e verifiquei que ainda me restavam 3 garrafinhas de TH da colheita de 2007. Para me desforrar da notícia, decidi que, assim como assim, algum dia teria que ser e decidi-me a abrir uma e deliciar-me com ela num jantar alancharado. Foi nela, pois então, que afoguei as mágoas. E ainda restam duas sobreviventes que seguramente tornarão mais felizes, outros dois momentos da minha vida.
Vic
Bem, para começar pelo princípio: há dias, quando foi da inauguração da Cask Ale, comunicou-me um amigo e amante cervejeiro que é uma espécie de Michael Jackson português (só que mais novo e, felizmente, vivo!), que a Thomas Hardy’s Ale tinha acabado. Espanto e estupor! A Thomas Hardy’s Ale é SÓ – na opinião do escriba, obviamente – uma das melhores cervejas do mundo.
Digeri –mal - a má nova, quase da mesma maneira como se sente a partida definitiva de um velho mas longínquo amigo, e procurei informar-me do que teria levado ao fim de um produto de tão excelsa qualidade. Deixem-me fazer um aparte para vos dizer que, embora goste muito de cerveja, não me mantenho a par das novidades da industria. Sou, como costumo dizer, um consumidor moderado ao qual só interessa a qualidade do que lhe põem à frente. Bom, informo-me também sobre os locais a visitar, se há novidades com que possa satisfazer a minha gula e se as houver, verificar sobre as suas virtudes, enfim, essas coisas... O resto, confesso que me passa um bocado ao lado (que me desculpem os meus amigos que se dedicam de alma e coração à feitura da cerveja perfeita e sua divulgação, mas sou demasiado preguiçoso para me abalançar no fabrico).
A Thomas Hardy, uma Barley Wine inglesa encorpada, foi criada pelo cervejeiro Eldridghe Pope em finais dos anos 60. No início deste século, a sua elaboração passara para as mãos da Cervejeira O’Hanlon, que a manteve até ao princípio de 2009, altura em que se decidiram pela sua não continuidade. A explicação é simples: a sua feitura era demorada e complexa, e enquanto as outras cervejas da O’Hanlon eram engarrafadas em 2 semanas, o processo da T H era iniciado no início de cada ano e só podia ser engarrafada por voltas de Setembro, o que, afirma O’Hanlon himself, tornava os custos da cerveja incomportáveis.
A Thomas Hardy’s Ale era uma espécie de Bentley das cervejas. Tem uma apresentação impecável: etiqueta explicaticva, a tampa coberta por uma prata dourada como as garrafas de champanhe, uma medalha com o retrato em sombra do perfil do autor inglês que lhe deu o nome, e cada uma das pequenas garrafas era numerada, o que lhe emprestava um toque de exclusividade. Mas principalmente, era uma cerveja única: um corpo intenso de um castanho escuro opaco, pouca ou nenhuma espuma, um aroma complexo e um sabor intenso, inconfundível, licoroso. Depois, a potência dos seus mais que 11º de Abv nos quais não se notava sequer resquícios de álcool, o que a tornava surpreendente.
Pois é…mas ao que parece, o mundo chegou àquele ponto em que nem a qualidade suprema se salva, e tudo se sacrifica no altar do deus $$$.
Ontem, assomei à minha despensa e verifiquei que ainda me restavam 3 garrafinhas de TH da colheita de 2007. Para me desforrar da notícia, decidi que, assim como assim, algum dia teria que ser e decidi-me a abrir uma e deliciar-me com ela num jantar alancharado. Foi nela, pois então, que afoguei as mágoas. E ainda restam duas sobreviventes que seguramente tornarão mais felizes, outros dois momentos da minha vida.
Vic
Generalidades
Cerveja,
Thomas Hardy's
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