segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Canções de vida (3) - The Moody Blues - Go Now


Começava aqui a história de sucesso de uma das grandes bandas dos anos 60. Com este single, em Novembro de 1964 atingiam o top 1 na Grã-Bretanha e algum tempo depois, figuravam no top-ten norte-americano. Nesta altura, os Moody Blues foram consideradas uma das melhores bandas de r&b inglesas. Contudo, o êxto não teve seguimento, e o renascimento dos Moody Blues dá-se mais de dois anos passados no limbo, e após algumas aterações na composição da banda. Mais importante que isso, foi a mudança de rumo: a banda abandonou os r&b para se dedicar ao então denominado rock sinfónico. E em 67 edita um dos albuns mais importantes de sempre da música popular anglo-saxónica: Days of Future Passed, que incluía uma das canções mais tocadas de sempre, a incomparável Nights in White Satin, album que alguns consideraram injustamente demasiado pomposo. . Seguiu-se o também excelente In Search of the Lost Chord. Depois, uma série de álbuns de sucesso moderado, caindo, então sim, num rock pretensioso e entediante.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

SCP - Gil Vicente: a transmissão e os comentários do inefável Rita

Não discuto sequer se a derrota de SCP foi o resultado mais adequado ao que se passou no relvado. Apesar de pensar que não, já todos estamos fartos de vitórias morais.
O que ponho em causa é a honestidade da transmissão e a forma pouco decente como o jogo foi comentado.
Explico: quem fez a transmissão, tinha ao seu dispor meios para demonstrar que a falta que origina o golo do Gil Vicente é feita fora da área, pelo que a grande penalidade não se justificava. Teve os meios, mas não os mostrou porque as repetições que se seguiram mostraram sempre a jogado vista do mesmo ângulo, cujo dava a ideia de ter sido legal o penalti. Contudo, e quando se tratou da jogada em que Matias Fernandez sofreu falta dentro da área e que o árbitro ignorou, a mesma foi repetida dos mais variados ângulos, como que a querer demonstrar que a jogada teria sido muito duvidosa, e como tal, a decisão do árbitro até teria sido plausível.
Os comentários foram feitos pelo inefável Joaquim Rita. É claro que o sujeito, e até ao fim do jogo, ignorou de forma acintosa que o penalti contra o SCP não o tinha sido, e tendo ele - ao contrário do espectador comum - acesso ás imagens da jogada de outros ângulos que não a que foi mostrada, teria a obrigação de informar que a penalidade tinha sido falsa como Judas. Como já disse, ignorou o facto olimpicamente.
Em contrapartida, e quando se tratou da jogada de Matias Fernandez esteve até ao fim do jogo a verter opiniões que apoiavam a posição do árbitro: “Bem, poderia ter sido marcado. Mas também podia não ter sido marcado” “É duvidoso” “Se calhar, se o Matias não tem gritado, o árbitro era capaz de ter marcado”. Este último comentário então é hilariante.
Bem, já estamos habituados a estes comentários habilidosos (para não lhe chamar outra coisa) por parte dos Ritas, Manhas e quejandos. Mas isso não quer dizer que tenhamos que comer e calar.
Oh! Rita, quando comentares jogos de outros clubes que não o teu, vê se tiras o emblema da águia da lapela e tenta ser profissional .Uma réstia de decência e isenção não te ficava mal.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Nas primeiras semanas de Janeiro e como é hábito desde há muitos anos, decorreu em Florença a Pitti Uomo, feira anual onde os mais famosos alfaiates e as maiores marcas italianas de roupa e sapatos para homem, divulgam as suas últimas criações.
Não sou grande adepto da chamada “linha italiana” - aprecio mais o corte inglês - mas como faço por ter uma mente aberta, reconheço que os italianos, em alguns aspectos, têm aberto caminhos que os ingleses, em razão do seu proverbial conservadorismo, têm ignorado.

Pitti Uomo (Lino Ieluzi)

Contudo, é curioso agora verificar que alguns dos grandes mestres italianos estão a deixar cair um dos pormenores que os mais distinguia dos ingleses, e que era a da desestruturação dos ombros dos fatos. Quem sabe se daqui a uns tempos, e como é hábito na moda italiana onde se vai do 8 ou 80 em menos de nada - é só ver como as bandas dos casacos ou a largura das calças têm sucessivamente alargado e estreitado ao longo dos últimos 40 anos - não começaremos a ver por aí ombros bem enchumaçados como se viam nos anos 70 ou mesmo nos filmes dos anos 40 do século passado.
Seja como for, o que não se pode ignorar é que os italianos continuam a vestir-se muito bem, a usarem as melhores matérias primas e a serem por isso italianos, a maioria dos homens todos os anos considerados na lista dos mais elegantes do mundo.


sábado, 8 de outubro de 2011

Canções de Vida (2) - Them/ Baby, please don't go



A 1ª canção que ouvi desta banda foi "Gloria", no saudoso Ritmo 64.
Os Them, sem dúvida a melhor banda irlandesa de rythm and blues e que fez parte da British Invasion, eram liderados por Van Morrison e duraram pouco. Infelizmente. Esta notável versão do original de Big Joe Williams e outras canções que preencheram os dois únicos albuns dos Them pela Decca faziam-nos prever uma vida longa e virtuosa para eles. Mas o ego de Van Morrison era grande demais para se conformar integrado num grupo, e saiu para uma carreira a solo, não sem que antes houvesse entre ele e os restantes membros da banda pela posse do "naming" do grupo uma dura refrega, ou não fosse Morrison o típico irlandês briguento.
Depois, dos Them quase se perdeu o rasto e Van Morrison é o "monstro" que se conhece.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Boas notícias na TV - Midsomer Murders

Afinal, nem tudo é mau no panorama televisivo português. Isto, se considerarmos que os canais de cabo, dele fazem parte, E digo isto, porque se anuncia a estreia para dia 1 de Outubro no Fox Crime de uma das séries por que eu há anos esperava e desesperava que aparecesse por cá.
Trata-se de Midsomer Murders , uma série policial inglesa exibida na Grã-Bretanha pela ITV , e baseia-se nos escritos de Caroline Graham, adaptados por Anthony Horowitz, o homem a quem se deve uma das melhores séries se sempre exibidos em televisão, Foyle’s War (a propósito, ainda espero pela exibição por cá dos últimos 4 episódios desta extraordinária série, já produzidos e exibidos em Inglaterra).
Há que ter em conta que em muitas destas séries britânicas, o número de episódios por temporada não é comparável à das séries americanas: é variável (e geralmente bem menor em quantidade - a 1ª temporada de Luther, por exemplo, só teve 6 episódios) , e a distância temporal de exibição entre cada um também, acontecendo por vezes decorrem dois, três ou mais meses entre a transmissão de um episódio e o seguinte.
Mas é curioso que a Fox anuncia a transmissão da 1ª série (1997)de 7 episódios de 45 minutos cada, quando na verdade a 1ª temporada só teve 5 episódios - o piloto, transmitido em 1997 e os restantes 4 exibidos em 1998. A 2ª temporada, com transmissão em 1999, foi composta também por 4 episódios.
Bom, mas nada como esperar, e no afinal, só o facto de irem ser exibidos 7 episódios e de se respeitar a ordem cronológica dos mesmos, já é uma boa notícia.
Como nota final: a série, muito à semelhança das baseadas na obra de Agatha Christie, trata de numerosos assassinatos ocorridos no condado rural inglês (fictício) de Midsomer, e cujas investigações são conduzidas pelo DCI Tom Barnaby.
Esperemos então ansiosamente pelo dia 1 de Outubro próximo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Coisas de Homem (ou de gajo...) VI - Como engraxar sapatos

A respeito de vestuário, e quando um tipo me diz que não tem tempo para se vestir bem, respondo sempre que se demora tanto a vestir bem como a vestir mal. É uma questão de critério,disciplina e gosto. Raramente demoro mais de 10 minutos a vestir-me, tempo que corresponderá mais ou menos ao mesmo que demoraria a enfiar uns xanatos, umas jeans pouco limpas, uma t-shirt e um casaco de mau c(p)orte.
Mas hoje vou abordar uma vertente da arte de bem se apresentar, que, à primeira, demorará um bom bocado, e mais, exigirá alguma paciência e trabalho aos braços.
Trata-se da forma correcta de dar brilho aos nossos sapatos. Sempre tive a ideia que um homem com sapatos bem engraxados dará de si uma imagem de pessoa cuidadosa e de elevada exigência na forma como se apresenta. Se os olhos são os espelhos da alma, os sapatos serão o espelho do brio ou desleixo de cada um.


O vídeo explicativo que aqui mostro, foi tirado do excelente blog "Dress with Style", e o maitre cireur é Pierre-Paul-Marie Hofflin, dono do Talon Rouge (Salon Cireur sur Paris), onde leva a cabo verdadeiros milagres de recuperação de, não só sapatos, mas de todo o tipo de peles, alguns dos quais poderão observar no blog que o próprio edita em Talon Rouge.

O método pode parecer trabalhoso, mas tem que se ter em conta que se efectuar esta operação após a compra de sapatos novos. Depois, é só manter com algumas escovadelas para tirar o pó e avivar o lustro.
Algumas dicas para melhorar o desempenho:
- Usar sempre uma boa graxa ou creme, e escovas de pêlo de cavalo. Pessoalmente, uso produtos Saphir que encomendo através da net no site do A Fine Pair of Shoes , são considerados do que de melhor se fabrica em todo o mundo.
- Antes de usar a graxa, limpar bem os sapatos, aplicando um renovador se necessário, que revitaliza as cores.
- Nunca utilizar abrilhantadores líquidos, que apesar de poderem dar algum brilho rápido, rapidamente "quebram" a pele e trazem ao de cima a pele base. Quando tal acontecer, e após uma limpeza com um renovador que limpa a graxa excessiva e os resíduos deixados pelos tais "abrilhantadores", há umas tintas Viriato que remedeiam bem a situação.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Frase do dia (1)

"Os árbitros são uns heróis" (Pinto da Costa)

P.S. - Efectivamente, o "denodo" com que se têm batido para que determinados clubes continuem a ganhar campeonatos à custa de fruta, café e bolachinhas, é de herói. A "bravura" que têm demonstrado na batalha para que as coisas se mantenham na mesma, também.

E já agora...a ler

domingo, 24 de julho de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Memórias...(o texto)

…remetem-me para a casa dos meus avós, algo semelhante à das imagens, e que fotografei numa minúscula aldeia da beira interior.

A dos pais dos meus pais, também ela fazendo parte de uma pequena povoação situada nos contrafortes da Guardunha, foi construída pelas mãos grandes e ossudas do meu avô e alguns dos seus amigos, pedra sobre pedra, encaixadas de forma estranha para nós, habituados à exactidão do tijolo e do cimento, mas de uma beleza crua, primordial. O meu avô era como a terra que o rodeava, rude, rijo. Pequeno de altura, mas grande de alma, de vontade, de força. E foi à custa dessa sua força, que a casa de xisto foi erguida.

Não vivia miseravelmente como grande parte dos vizinhos- poder-se-ia dizer que tinha uma vida razoável, fruto do muito que trabalhara em novo – pelo que a construiu segundo os cânones da aldeia, mas um pouco maior que o habitual, o que a fazia sobressair no fim da rua onde se erguia, um pouco acima das outras.

A arquitectura era rudimentar e a distribuição das divisões fazia-se ignorando as questões estéticas, mas de forma funcional, segundo as prioridades da forma como na altura ali se vivia.

A casa tinha dois andares. O rés do chão, de pé muito alto, era dividido em duas partes: à frente, uma enorme despensa, que dava para a rua e onde se entrava por uma porta larga de dois batentes – a que se chamava “loja” – e onde se guardavam alguns utensílios de lavoura e todas as provisões da casa, desde os presuntos enterrados numa barrica cheia de sal, ao pão de centeio - feito uma vez por semana no grande forno que o meu avô erguera num canto do grande quintal, e que funcionava mais ou menos como forno comunitário devido à generosidade da minha avó – enfiado em sacos de pano que por sua vez, eram metidos no meio dos grãos de centeio e milho, guardados em duas grandes arcas de madeira. Do outro lado, a casa dos porcos – a furda – que se situava estrategicamente (já irão saber porquê) por debaixo da grande cozinha.

Para a parte habitável propriamente dita, no 1º andar,entrava-se por umas escadas laterais, já dentro do quintal, à frente do qual se erguia um muro de pedra, alto e tosco. Chegados ao cimo das escadas, seguindo em frente, a porta da cozinha e à esquerda a porta que dava acesso à sala e quartos.

Na cozinha destacavam-se logo duas coisas: as vigas nuas do tecto de telha vã, escurecidas pela fuligem do fumeiro, e a grande lareira de pedra e respectiva chaminé, precisamente a meio da parede esquerda, e onde fervilhavam quase sempre duas ou três pesadas panelas de ferro negras, de tripé e tamanhos diferentes. Na parede em frente à porta, uma grande janela, com vista para o pinhal da encosta em frente e para as faldas da serra. A um canto, uma mesa tosca e vários “mochos” – bancos de madeira, com assento de palha entrançada – onde se comia, e onde luzia sempre um cestinho com um pão, ao lado do qual repousava uma queijeira com queijo, amarelo ou picante, conforme a ocasião. A um dos cantos da cozinha, o pormenor mais insólito: um alçapão! Este, com o qual os adultos tinham sempre muito cuidado quando se encontravam crianças, dava para a furda dos porcos e estava colocado mesmo por cima da pia da comida dos suínos e por onde eram atirados os restos que podiam servir para lhes complementar a dieta: batatas, melancia, melão e mais o que os animais pudessem comer.

A outra parte da casa, estava dividida rudimentarmente, como era ali hábito: uma grande sala – tão grande que ali se chegou a servir o copo-de-água do casamento de um dos meus tios paternos – ao fundo da qual se situavam quatro quartos divididos por tabiques de madeira, três deles tão exíguos, que só lá cabiam as camas, uma cadeira e uma pequena banqueta onde se pousavam os castiçais com vela, que nessa altura, a eletricidade não passava de uma quimera. O outro quarto , o dos donos da casa, que generosamente o cediam a um dos filhos que por lá pernoitasse com a respectiva mulher, já era um pouco maior, e tinha, além da cama, cadeira e banqueta, um grande guarda-roupa. No lado direito da sala, um outro tabique a todo o comprimento, que escondia uma escada que dava para um sótão, onde o meu avô guardava uma variedade considerável de artefactos: de chocalhos para as cabras, ovelhas e vacas, aos magníficos safões de pele de cabra que ele usava quando ia para o mato, passando por guarda-chuvas antigos e cangas para juntas de bois, e muitas outras coisas que não consigo enumerar. Era o meu sítio preferido da casa e onde me perdia horas a brincar com o que calhava ou estendido a descansar e a olhar para o telhado, onde, por entre as telhas arredondadas e esverdeadas pelo musgo, o sol se esgueirava por entre alguns pequenos espaços que se abriam entre elas, ferindo, aqui e ali a penumbra, e a pensar já nem sei em quê, mas penso que em coisas muitos prosaicas, como é normal num rapaz de nove ou dez anos.

A casa era rodeada por um grande quintal. Não havia flores, a minha avó era muito pragmática - a família era numerosa, o espaço tinha que ser todo aproveitado de forma útil e, dizia ela, não tinha tempo para regar flores. Mas não faltavam aromas que perfumavam o ar e chegavam até à casa, especialmente o que subia de um pessegueiro largo, que na altura devida, se enchia de frutos sumarentos, tão pesados que lhe dobravam os ramos até quase baterem nochão, árvore que era o orgulho do meu avô, juntamente com o caramanchão por onde serpenteava uma videira que produzia as mais doces uvas ferral com que eu alguma vez me deliciei durante toda a vida.

Depois, havia as mantas de trapos que a minha avó fazia, e estendia durante o verão a meio de uma das leiras do quintal, e onde espalhava figos e uvas de várias qualidades, que, depois de apanharem a quantidade de sol apropriada, se transformavam em deliciosas passas. Havia ainda, lá muito ao fundo – o quintal teria uns 300 metros de comprimento, talvez mais, era em socalcos, no último dos quais o meu avô abrira um poço, de onde, com uma nora artesanal, retirava a água necessária aos legumes que ele cultivava nesse ultimo degrau do terreno e que chegavam para o sustento da casa, e por vezes ainda sobravam para algum vizinho menos abonado pela sorte e com filhos para sustentar – um muro que delimitava a propriedade, e que era debruado por uma gigantesca silva, que produzia umas suculentas amoras silvestres, quase do tamanho de ameixas - pode ser exagero, mas sabe-se que, quando crianças tudo nos parece grande, e todos os adultos nos parecem velhos – e que, excesso de gula, me provocaram certa vez, problemas intestinais tão intensos, que me serviram de aviso para o futuro.

As cabras à solta pelo quintal, o cheiro intenso que vinha da “corte” onde descansava a mula e o macho, os dias da matança, a colheita da azeitona, tarefa árdua mas compensadora, os dias de vindima sempre com a família em alegre confraternização à volta da mesa farta…tantas memórias que nem saberia por onde começar.

Ah! pois! Não havia casa de banho...


sábado, 16 de julho de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Canções de Vida (1) - Fever/Peggy Lee


"Fever", original de Little Willie John, foi imortalizado por Peggy Lee, numa versão da qual o mínimo que se poderá dizer é que é esplêndida. À perfeição do minimalismo instrumental une-se uma voz única, uma voz que se poderá comparar a uma boa cerveja: se o sabor desta deve preencher voluptuosamente todos os pontos mais recônditos da nossa boca para nos dar o máximo prazer, aquela, pelo seu timbre inigualável, enche-nos todos os sentidos através da audição, provocando o verdadeiro êxtase.
Por estes dias, em que Esperanza Spalding ocupa todas as revistas com retratos da artistas sublinhados com os mais diversos elogios, imagino-a numa versão de "Fever" na qual exibisse as suas duas artes (do canto e de contrabaixista). Mas duvido muito que, na vertente vocal, alguém se possa comparar à potência e intensidade com que Peggy Lee "pegou" no tema.

Renascendo...

O renascer - deste sítio - se eu cumprisse com o que prometo a mim próprio, deveria ter tido lugar na passada 4ª feira, dia 6. Pelo exemplo se vê que procrastino até, naquilo que comigo prometo cumprir. Mas, como proclama o povo que "vale mais tarde que nunca " (máxima demonstrativa que nem sempre a voz do povo é lá muito acertada), cá estamos, mesmo sabendo que tal decisão não vai afectar o destino de ninguém.


As razões da ausência foram ponderosas - e poderosas - mas visto pertencerem à minha esfera íntima, eximo-me de as expor. Importante mesmo - para mim, pelo menos - é sentir-me novamente pronto a regressar.

Vamos ver se por muito tempo, e com assiduidade aceitável...

sábado, 16 de abril de 2011

Coisas de Homem (ou de gajo...) V - Spectator Day

A propósito de um post muito oportuno do nosso amigo Gato Maltês, lembrei-me de uma das bizarrias que já li num fórum masculino norte-americano sobre “como e quando vestir” isto ou aquilo, uma espécie de manual de etiqueta para homens.. Diz o GM que, por cá, e com estes dias de calor, parece que as pessoas se entregaram definitivamente às havaianas, t-shirts e calções como se o verão tivesse vindo para ficar, resumindo ele que, mais avisado, ainda não tinha entrado na onda, ficando-se por roupas mais leves, mas não tanto, estabelecendo assim que há um tempo devido para tudo. Ah! E importante. Referia que uma sua amiga tinha datas precisas para usar e deixar de usar meias. Pois a bizarria “norte-americana” que mencionei acima, é uma espécie de calendário que por lá se cumpre quando se trata de começar a vestir o deixar de vestir calças brancas, tal como a tal amiga do GM com as meias. O meu espanto advém do facto de, por cá, ser absolutamente normal o uso de tais calças em qualquer época do ano, embora em dias de chuva, e por razões óbvias, eu evite vesti-las. E a propósito da coisa, hoje, e como o sol convidava, decidi-me a usar os meus “Spectator Shoes”, com um fato de linho branco sujo, uma camisa rosa-velho também de linho, e um panamá castanho claro. Não é que alguém possa estar muito interessado no que eu visto ou não, mas é uma desculpa para referir os “spectator” e manifestar a minha insatisfação por os ver quase esquecidos por cá. Os da foto, que hoje calcei, são uns “brogues” manufacturados pela Cheaney para a Herring Shoes – claro que preferia uns Edward Green, mas estes também me parecem suficientemente bonitos e bem construídos – e, além do branco, apresentam uma cor “tan burnished” que eu muito aprecio. Nota – Para os menos avisados, o “spectator shoe”, é um sapato geralmente baseado nos formatos oxford, brogue ou semi-brogue de duas cores contrastantes, em que a parte da frente, o calcanhar e, por vezes o painel dos atacadores, são de cor mais escura, sendo que a outra cor é geralmente o branco. Ao que parece, o nome advém do facto de serem habitualmente usados pelos espectadores de corridas – de cavalos ou outras – nos anos 20/30, do século passado