Extraida do álbum de 1987 "Secrets of the Beehive", esta canção - que serviu de tema musical do filme "Merry Christmas, Mr. Lawrence" - é das tais que, sempre que a ouço, me faz sentir arrepios na espinha e me eleva. Obra de Sylvian e Ryuchi Sakamoto - que é também o autor dos arranjos de todo o álbum - é de um lirismo quase imaculado, a roçar a perfeição. Diga-se que todo o álbum atinge um nivel do outro mundo. Só acrescentaria que se alguém menos conhecedor da obra de David, pretendesse aprofundar o seu conhecimento, aconselhá-lo-ia a começar com o Secrets...
sábado, 3 de março de 2012
Canções da Vida (6) - David Sylvian & Sakamoto - Forbidden Colours
Extraida do álbum de 1987 "Secrets of the Beehive", esta canção - que serviu de tema musical do filme "Merry Christmas, Mr. Lawrence" - é das tais que, sempre que a ouço, me faz sentir arrepios na espinha e me eleva. Obra de Sylvian e Ryuchi Sakamoto - que é também o autor dos arranjos de todo o álbum - é de um lirismo quase imaculado, a roçar a perfeição. Diga-se que todo o álbum atinge um nivel do outro mundo. Só acrescentaria que se alguém menos conhecedor da obra de David, pretendesse aprofundar o seu conhecimento, aconselhá-lo-ia a começar com o Secrets...
sexta-feira, 2 de março de 2012
Weekend's coming - Music's all around. Beauty too
Costuma dizer-se que um homem só se sente realizado depois de:
- Escrever um livro
- Ter um filho
- Plantar uma árvore (tou lixado)
Suponho que as permissas se apliquem também à mulher.
Suponho também que a divina Scarlett, ainda não tenha escrito nenhum livro e nem se lhe conhece filho. Fica a dúvida sobre se já terá plantado alguma árvore.
Contudo, e em contrapartida, aglutina (como eu gosto desta palavra, parece o nome de um remédio para o reumatismo) beleza (super) e talento(s). Refiro-me naturalmente à sua elevada craveira como actriz, e à recém descoberta faceta de cantora.
Neste vídeo aparece com Pete Yorn, de cuja música sou fã, e com o qual gravou um álbum, "Break up".
Agora digam lá se ela não vai muito bem, já para não dizer que está mai' linda que nunca?
(vejam lá se o Pete não parece mesmo o António Raminhos?)
quinta-feira, 1 de março de 2012
Tangas

Apesar de os tratarmos afectuosamente por “nuestros hermanos”, é fácil constatar que as relações dos portugueses com os espanhóis nem sempre são amistosas, embora nas últimas décadas se tenham atenuado animosidades. Claro que aqui e ali vão surgindo pequenos fogos como é o caso da “guerra das laranjas”, reacendida pontualmente por meia dúzia de maduros” amigos de Olivença”, ou, nos casos mais publicitados, na vida difícil que o treinador e jogadores lusos do Real Madrid têm com a imprensa e uma parte da “aficcion” espanhola.
Conheço-o há vários anos, frequentamos o mesmo café, falamos - geralmente, é ele que fala e eu ouço - mas não somos amigos. Conhecidos, vá. Somos muito diferentes em todos os aspectos, e eu acho alguma graça na sua maneira de ver a vida, embora essa esteja, também ela, longe da forma com que encaro a minha. Mas é um original, um filósofo, que vive de expedientes.
Uma descrição breve: é moreno, meão e entroncado, barba cerrada, muitas vezes por desfazer - não daquelas propositadas de 3 dias, mas desmazelada - cabelo muito escuro negro, denso, penteado para trás. É um frequentador assíduo da feira de Carcavelos, sítio de onde é abastecido o seu guarda-roupa: ténis Mike, calças Doce Cabana, camisas Armandi(que usa sempre com pelo menos 3 botões desabotoados), blusões Faztonabo, enfim, é por aí.
O episódio que a seguir relato, passou-se há uns tempos largos, mas veio-me à cabeça face ao recente episódio envolvendo José Mourinho, e a sua alegada (o que eu gosto desta palavra) homofobia e os termos que deram origem ao incidente.
Veio ter comigo e disse-me:
“Outro dia, e pela 1ª vez, entrei na Pastelaria V. Sabes que aquilo ali há muita gaja entradota à procura de macho?”
“O quê? estás a dizer que a V é uma espécie de bar de alterne?”
“É verdade. Até falei com o X que me confirmou que já lá sacou algumas. Estou a pensar tentar a minha sorte, que ando um bocado á rasca de massas”
“Estás a pensar tornar-te chulo?” “Não é chulo, pá. Tem outro nome. Estrangeiro”.
“Gigolô?”
“Isso!Isso mesmo”
Abreviando, decidiu-se mesmo a tomar aquele passo. Mas pior, conseguiu convencer-me a ir com ele “Sabes como é, estás mais habituado àqueles ambientes finos. Ias ajudar-me a sentir-me mais á vontade”. A princípio renitente, lá acabei por aceitar: “Ficas-me a dever essa, ok?”
No dia, aparece-me com uma camisa branca aberta até á barriga, com o pelame do peito e um fio dourado e grosso com um crucifixo, umas figas e mais 2 ou 3 penduricalhos não identificáveis à mostra. Um fato escuro, muito bem engomado, mas cujo casaco só lhe chegava a meio do rabo e com umas bandas demasiado grandes. Sapatos um bocado gastos, mas muito engraxados, quase tanto como o cabelo negro, empastado e penteado para trás. Uns óculos escuros Vay Ban compunham o retrato. Julgava eu. A precedê-lo, um cheiro pavoroso a “perfume” rasca, intenso, “Onde é que te meteste para arranjar esse cheiro?”
“Não percebes nada disto. É um perfume espanhol que a minha tia Deolinda lá tem. Trouxe-o de Badajoz ainda antes do 25 de Abril. Uma preciosidade. Vamos?” - Calei-me e segui-o mantendo para ele uma distância cautelosa.
Chegados, ele escolheu uma mesa em sítio estratégico, com vista para todo o salão da pastelaria e de onde poderia localizar a vítima. Que não demorou: “Vai ser aquela”.
Apontava para uma senhora que teria decerto 70 anos ou mais, um pequeno chapéu com 2 penas no cocuruto de uma cabeleira cinzenta azulada muito ripada, e uma cara que parecia ter levado um balde de reboco, de olhos pequenos encimados por um par de sobrancelhas que se resumiam a duas semi-circulares desenhadas a lápis. A boca era um borrão de baton vermelho. Nos ombros, uma estola de raposa conferia com tudo o resto: uma senhora á moda antiga. Muito antiga.
Levantou-se, apertou o casaco, movimento que fez abrir a racha traseira do casaco deixando-lhe o rabo redondo á mostra, e dirigiu-se à mesa da senhora com um andar insinuante, cabeça levantada, sorriso nos lábios. Atrás dele, o pivete do perfume espanhol.
Confesso que estava um pouco envergonhado. De todo queria que notassem que aquele tipo era meu companheiro de mesa, pelo que fui chegando a cadeira devagar até ficar um pouco escondido atrás de uma coluna, mas de forma a apreciar a conquista.
Lá chegado, e mantendo o sorriso níveo sempre dirigido á senhora, puxou uma cadeira fazendo menção de se sentar a seu lado e começar a abordagem.
Foi então que se deu o (in)esperado. A senhora bradou numa voz esganiçada:
- Jesus! (pronuncie-se “Résú”) Qué fédor! Vate-le! A mi no me gustan a los maricones!
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Insofismável

Vous l'avez tué
Oui! j'ai tué ma femme
pour tant que je l'aimais
Le juge a dit á Jules:
Vous aurez vingt ans
Jules a dit:
Quand on aime on a toujours vingt ans
Antoine, Les Elucubrations d'Antoine
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Canções da Vida (5) - Jeff Buckley - Hallellujah; Lover u should've come over
A família Buckley parece estar destinada à condenação eterna.
Tim Buckley, em fins dos anos 60, era um dos mais conhecidos compositores no panorama da música pop anglo-americano. No entanto, as drogas encurtaram-lhe a carreira, e acabou por morrer com uma overdose de heroína, numa altura em que tentava relançar a sua carreira. Tinha então 28 anos,
Anos depois, o filho Jeff, dedicou-se ele também à música. Em 1995 edita-se o seu único album de inéditos, do qual fazia parte este cover da canção de Leonard Cohen "Hallellujah". Chama-se o Grace e é, na opinião do escriba, provavelmente o melhor album de música popular da década de 90.
Se me pedissem para descrever Grace, não o saberia fazer. Talvez que é uma tempestade de emoções.
Dois anos depois, com 31 anos de idade e quando trabalhava na sua 2ª obra de grande fôlego, num triste fim de tarde de maio, decidiu tomar banho vestido no Rio Wolf. O seu corpo foi encontrado 6 dias depois. ´
A música popular perdia assim uma das suas mais promissoras personagens, Jeff Buckley, senhor de uma voz inigualável.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Estória (sem moral)

D, um rapaz de voz potente, preparou cuidadosamente a sua estreia como fadista. Tudo se conjugava para que tivesse sucesso, até o seu marialvismo latente e ostentado de forma quase indecorosa.
O espectáculo decorreu no Salão da junta de Freguesia.
Como se adivinhava, triunfou. O público não lhe regateou aplausos.
Generoso, ovacionou mesmo de pé, clamando:
-Bravo! Bravo!Bis! Bis, Hugo, Bis Hugo, Bis...ugo! Bisugo!
Foi nessa altura que passou um gato e o comeu.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Man, your balls must hate you!

O meu estilo de vestir encaixa-se bem no “very british”. E cuidado.
Mesmo no verão, sou incapaz de sair à rua com umas bermudas amachucadas, ou uma t-shirt suja. Tal como sou incapaz de sair de fato e com sapatos inadequados (ténis, por exemplo, acho uma tremenda falta de gosto).
Não creio que esta confissão tenha algo de mal. Freud deve explicar, e não percebo aquelas meninas que gostam de se vestir bem, e arranjam namorados ou maridos que aparecem no emprego parecendo que dormiram na máquina de lavar roupa (já a Lady Grafstein é todas as manhãs engomada).
Uma das coisas em que reparei nos últimos tempos, foi que a alguns jovens têm uma dificuldade notória em determinar exactamente onde têm a cintura, porque lhes vejo para aí metade das cuecas.
Outra, tem sido a questão da largura das pernas das calças. Digamos que há dois estilos distintos de corte de calça, a inglesa e a italiana. No corte inglês - e atenção que me estou a referir somente a calças ditas normais, e não a jeans ou chinos - a calça cai a direito até bater no sapato; no italiano, a calça é mais justa e vai estreitando ligeiramente, igualmente até bater no sapato, embora actualmente haja a tendência para serem usadas um pouco mais curtas de modo a deixar ver um centímetro (mais ou menos) das meias.
Claro que como a linha italiana é mais “flutuante” - é a que as grandes cadeias europeias mais adoptam - e, consequentemente, mais dada a excessos. Portanto, agora é vulgar verem-se calças a “acabarem” dez centímetros ou mais, acima dos tornozelos, ou tão apertadas, que eu acho que os que as usam nunca serão pais.
Aqui há dias estava numa esplanada a beber um café e passou um rapaz - aí nos seus vinte e tais - com umas tão apertadinhas, tão apertadinhas, que eu pensei:
“Man, your balls must hate you!”
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Fatalidades

Ontem, manhã de quarta-feira de cinzas, este microcosmos onde vivo, acordou chocado: na noite anterior tinha falecido a avó do Marcelino,.
“O senhor do INEM disse que não havia nada a fazer“ diziam algumas vizinhas, “Coitada, tão nova”. Bem, a senhora tinha 90 anos, mas calei-me. “Morreu enquanto dormia. Ainda bem, não sofreu, a pobre”
Portanto, para mim e até às 11 da manhã, hora a que encontrei o Marcelino, a defunta tinha sucumbido a a um ataque de coração fulminante.
Depois, é outra história e conta-se em poucas palavras. O Marcelino mora novamente com a mãe e a avó desde que se divorciou pela 3ª vez. A mãe conhece-o suficientemente bem para, quando ele se casou pela 1ª vez já com um pouco mais de 30 anos, nunca lhe ter “desfeito” o quarto. Isto é, ela sabe que os casamentos nunca duram muito, e entre casamentos, o Marcelino tem sempre ali o seu aconchego. E muito personalizado, que ele guarda lá coisas do tempo da pré-primária. Mas para definir o quarto dele, poder-se-ia dizer que é um caos organizado (um reflexo exacto do cérebro do proprietário), Caos…porque é um caos. Organizado, porque se, por exemplo alguém lhe pedir um livro ou um filme - e ele tem literalmente, montanhas deles - ao fim de 5 segundos tê-lo-á na mão.
Nesta altura, deve-se uma explicação: uma das suas paixões são os zeppelins e os balões de ar, assunto sobre o qual possui ampla bibliografia, bem como uma colecção de filmes - em DVD e VHS - muito apreciável.
Ora um dos passatempos favoritos da senhora era ver televisão, e nessa noite ter-se-á queixado com alguma irritação à filha, que na televisão não estava a dar nada de jeito. Foi aí que a filha cometeu o erro da sua vida: o Marcelino não estava e ela entrou-lhe no quarto. Deu uma olhadela a uma pilha de filmes e escolheu um cuja lombada exibia o sugestivo nome “The Big American Balloons”, deduzindo ser sobre uma das mais características pancadas do filho. Chegou à sala, meteu o filme no leitor de dvd, carregou no play, virou-se para a mãe e disse: “Entretenha-se”, e foi para a cozinha. Voltou daí a um quarto de hora, estava já a velha senhora esticada no sofá, de olhos esbugalhados e sem sinal de funções vitais.
Foi quando se virou para a televisão alertada por uns sons estranhos que de lá vinham e viu que o filme que tinha metido no leitor, não era exactamente sobre o assunto que supunha ser.
Enfim, uma fatalidade.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
As coisas boas vêm sempre aos pares
Vamos ao que interesssa:
Um texto do ente do norte sobre uma sua fobia, a coulrofobia - para os menos afectos a isto das fobias, esclarece-se que se trata de aversão a palhaços, o que nos dias que correm não deve dar jeito nenhum, tal a profusão com que nos aparecem pela frente nos jornais, telejornais, etc - encerrava com a pergunta sobre se os seus leitores também sofreriam de alguma fobia ridícula.
No fim, achei a fobia dele muito fina se comparada com a minha, que seria - supunha eu - do mais pindérico que há: acrofobia, que define o medo das alturas.

No entanto, este meu medo tem algumas particularidades: não receio estar no último andar do Empire State Building, das torres de Kuala Lumpur, ou mesmo do Woodskyscraper (até porque nunca estive em qualquer deles), desde que esteja da parte de dentro das janelas. Também não receio andar de avião e nunca tive que tomar calmantes para o fazer (embora cada vez menos goste, lembro-me que da última vez que regressei de Paris, encafuado numa sala de espera mais pequena do que é habitual e sobrelotada, dei por mim a suar e a olhar de soslaio para os meus companheiros de viagem à procura num deles, da fisionomia de um potencial terrorista, que poderia a qualquer altura sacar de uma bomba de debaixo da gabardina e fazer explodir o avião).
Ora são estas particularidades que afinal fazem toda a diferença. É que após buscas aturadas, cheguei à conclusão de que não sofro de acrofobia. A minha fobia é muito mais requintada e chama-se Abissofobia, isto é, medo de abismos e precipícios. E não é só, também sofro de Aeroacrofobia, definição para o medo de lugares abertos e altos.
Quer dizer, assim de uma penada, passei de sofrer de uma vulgar e ordinaríssima fobia para sofrer de duas e muito mais requintadas.
De repente, senti-me um homem novo
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
O acordo ortográfico e os meus amigos brasileiros
Nesse dia levámo-los até ao Museu, e eles insistiram em nos voltarmos a encontrar para jantar, o que aconteceu nesse dia num discreto restaurante ali ao pé, e divertimo-nos na conversa, que foi da situação política em ambos os países, ao futebol - torcem ambos pelo Santos - e pasme-se, falou-se do acordo ortográfico, que na altura estava em discussão cá e lá. Achavam ambos que era um disparate completo. Confesso que na altura não tinha uma ideia muito definida, mas, embora nenhum dos dois fosse professor, tinham argumentos que quase me convenceram do disparatado da ideia (ainda hoje tenho muitas dúvidas).
Depois, disse-me ele a certa altura:
- Tenta escrever o que eu digo, tal qual digo, e verás para que serve o acordo.
Naquele momento, a ideia pareceu-me não fazer sentido. Ou antes escusada porque estava á vista(?): por vezes tinha alguma dificuldade em “segui-lo”
Mas neste fim-de-semana, o Clodovildo telefonou-me a dar-me novas, e a conversa - muito curta, mas concisa e elucidativa - foi de tal modo que não resisti a registar mentalmente, para desta vez sim a transcrever tal e qual me soou, e avaliar da oportunidade do acordo ortográfico.
- Oi meu chapa
- Olá, Clô. Tudo bem com vocês?
- Tudo, e por aí?
- Também, amigo
- Tchi ligo para dizê a você que eu e a Benta tâmo dji malas feita para voarmo para a Europa. Nós vamo até Paris, e djipois Madri.
- E não vêm até cá?
- A gentji ainda não sabe. Nós vamo em Paris passá uns três dia, djipois vamo em Madri, mas só por dois dia - a Benta quer ir no Museu Ráinha Sôfia - e dji lá, vamo em Casablanca.
- Marrocos, Clô?
- Sim, nós nunca fômo lá
- E depois de Casablanca?
- Aí, nós vai em Rábá
- Vão quê?
- Nós vai em Rábá, meu chapa. Tu não conhece? É outra cidade em Marrocos
- Sim, eu sei, Clô. Mas á primeira, isso soou-me muito mal. E da segunda também não me soou muito bem.
- Ah! Será do fôni? Tá-mí ouvindo milhó agora? Mi mudei para ao pé dji uma janela.
- Sim, Clô. Estou-te a ouvir perfeitamente. Não ligues ao que eu disse, eu explico-te quando vieres a Lisboa.
- Tudo bêm, meu chapa. A gentji si fala. Vamo vê si convenºço a Benta a passá por aí quando viermo. Tu sabi qui o Riau está caro. E djipois, precisamo arranjá alguém para ficá com as criança, mais dois ou três dia. Eles vão ficá em casa de um cara que é meu xará, mas só podem ficá sete dia.
Depois, foram mais umas trivialidades e as despedidas normais, aguardando agora que o Clô e a Benta apareçam por aí. Mas penso que o pedaço aqui descrito é bem demonstrativo do que o Clodovildo queria dizer.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
O Último Herói (Sino-) Americano...

No ano que vem, perfazem-se 40 anos sobre a última vez que a cidade de Nova Iorque festejou com a sua equipa de basquetebol - os New York Knicks (diminutivo de knickerbockers) - pela última vez, um campeonato da NBA.
O basquetebol sempre foi o meu desporto favorito, e desde que His Airness Michael Jordan apareceu, sigo aquele campeonato com atenção, e a torcer pela equipa dos Chicago Bulls, que era onde jogava Sua Majestade, e que conquistou 6 títulos na década de 90 do século passado.
Pois enquanto a cidade de Chicago festejava 6 vezes, Los Angeles 5, e outras cidades menos notórias também tinham o seu quinhão de vitórias - como San Antonio - a mui poderosa Nova Iorque procurava construir equipas capazes de alcançar o titulo, mas sem sucesso. Por muito que adeptos indefectíveis como Spike Lee gritem e chorem noite após noite no Madison Square Garden, os anéis nos dedos dos seus jogadores continuam a ser miragens.
E eis que alguns gigantes e muitos milhões de dólares depois, aparece um rapazito de aspecto franzino - 1,91m e 90 kg, (para jogador da NBA pode-se considerar um peso-pluma) - de origem chinesa (os pais dele emigraram de Taiwan para os EUA, onde ele nasceu) chamado Jeremy Lin, veio dar um novo alento aos desanimados fãs dos Knicks. Tendo entrado no ano passado para a NBA contratado pelos Golden State Warriors, pode-se dizer que passou quase desapercebido, o mesmo se passando nas 1ºs semanas nos Knicks -por quem foi contratado para a corrente época - onde foi aquecendo os últimos lugares do banco de suplentes.
Até que num repente, a equipa ficou sem 3 dos seus melhores (e mais caros) jogadores - dois por lesão, outro devido à morte de um irmão - e Lin teve a sua oportunidade. Que aproveitou. O rapazito que dividia um modesto quarto com o irmão nos subúrbios de Nova Iorque, nessa noite foi pela 1ª vez titular na equipa e brilhou, sendo considerado o melhor jogador em campo. Os Knicks, que vinham de uma miserável série de 15 derrotas para somente 8 vitórias com todos os seus craques, sem eles mas com Lin, ganhava o 1º jogo de uma série que neste momento já vai em 7, sempre com o sino-americano em grande plano.
Hoje, e passadas somente duas semanas, NI foi assaltada pela Linsanity e rende-se ao fenómeno, ao “herói instantâneo”, e sabe-se como os americanos são nestas coisas de pôr um dos seus no topo do mundo.
O mais curioso da história, é que o rapaz que há menos de um mês era quase um anónimo, passou a ser disputado por 3 países como seu: os EUA, naturalmente, Taiwan, porque é a sua origem, e a própria China Popular porque ao que parece uma avó de Lin, teria transitado do continente para a ilha, que, como se sabe, a China sempre considerou como parte integrante do seu território.
É difícil de prever se a carreira de Lin prosseguirá ao mesmo nível - difícil, difícil - mas uma certeza existe já: Lin irá estar no jogo All-Star do próximo ano. Os chineses - da China Popular, de Taiwan e dos EUA - tratarão de o eleger para tal.
"Algumas pessoas querem que algo aconteça, outras desejam que aconteça, outras fazem acontecer." - Michael Jordan
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Wink, ou de como as mulheres gostam de complicar

Aqui fala-se de nails e gel. Ou de nails de gel. Confesso a minha ignorância sobre o assunto, o que demonstra mais uma vez a minha pouca versatilidade em assuntos de beleza feminina. Como aliás, em quase todas as matérias.
A 1ª vez que soube que existiam unhas de gel, foi num dia 4 de Julho de há uns 3 anos, quando fui aqui ao café da esquina, o 44, e ao meu lado estava a minha vizinha da frente a comer um guardanapo e a beber um chá de camomila. Reparei então que tinha as unhas compridas - a fazerem pendant com as pernas e o resto do corpo - e em cada uma delas, pintada uma bandeira dos EUA. Não me admirei de ser aquela bandeira - a rapariga é portuguesa, mas faz a vida dela em Los Angeles - mas do tempo gasto e do trabalho que aquilo lhe teria dado. Só uns tempos depois, quando comentei o caso com a minha mulher, ela disse-me que aquilo eram unhas de gel e explicou-me como aquilo funcionava, que não eram pintadas uma a uma.
Agora, nesse género de novidades, o que me fascina mesmo são as banquetas da Wink. A 1ª vez que passei por uma no CC das Amoreiras fiquei espantado: 2 ou 3 moças novas, de pé, faziam movimentos estranhos á frente da cara de 2 ou 3 raparigas/senhoras menos novas, sentadas. Fiquei bem uns 2 ou 3 minutos como que paralisado pelos movimentos das mãos das raparigas de pé. Que faziam elas com as mãos? Hipnotizavam as que estavam sentadas, que se mantinham ali, estáticas, firmes e hirtas?
Passado um tempo, e quando me dispus a dar conta da minha inquietação sobre aquilo a que tinha assistido, e foi-me explicado que se tratava de uma técnica oriental de arranjar as sobrancelhas com um fio de algodão. Portanto, o que as “sobrancelhistas” (não sei se será esse o nome correcto) tinham na mão e eu não via àquela distância, era um fio. Continuo a achar aquilo muito estranho. Com uma pinça não seria mais rápido?
Não sei como é que a Não+Pêlo funciona, mas se for daquela forma, um tipo género Toni Ramos que lá entre pressionado pela namorada que o só quer ver depois de uma depilação completa, só de lá sai já ela está casada e grávida do 1º filho. Na melhor das hipóteses.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Preconceituoso sim, com muito gosto
Contudo, sabe-se que a maioria dos portugueses reagem nos casos jurídicos de maior repercussão ignorando essa, digamos, “lei”. Os portugueses sabem do caso, avaliam por si próprios e condenam ou absolvem…conforme a simpatia que nutrem ou não pelos acusados.
Veja-se por exemplo o caso de Isaltino Morais (que por acaso até já foi condenado umas poucas de vezes pelos tribunais): se questionados, a generalidade dos portugueses não terá dúvidas sobre a sua culpabilidade, excepto uns milhares que votam nele em Oeiras. Em relação a Fátima Felgueiras (que até já foi absolvida), a coisa passar-se-á mais ou menos da mesma forma: culpada, excepto para uns milhares de felgueirenses que já votaram nela e para os seus amigos e família.
Em relação ao caso “Casa Pia”, e tomando como exemplo o acusado mais mediático, Carlos Cruz, o país divide-se: para uma parte significativa da população é culpado, um pedófilo que merece ir para a prisão. Porquê? Porque confiam piamente na justiça que se pratica em Portugal. Tal como acreditavam nos antigos Tribunais Plenários, quando estes condenavam anti-fascistas sem provas. “Se foram condenados, é porque são perigosos comunistas!”.
Os restantes portugueses acham que foi tudo uma cabala. E em que se baseiam para assim pensar? No facto antigamente gostarem muito dos programas dele na televisão.
Isto é, os portugueses são na sua maioria preconceituosos. Como eu.
Mas o caso de Jonathan King, o homem que escreveu e canta a canção abaixo, não se passou em Portugal. JK foi acusado na Inglaterra em 2000 de ter mantido relações abusivas com 6 adolescentes de 14/16 anos entre 1983 e 1989. Em 2001, apesar de se ter sempre declarado inocente, foi condenado a 8 anos de cadeia, condenação à qual se opuseram alguns dos mais conceituados e abalizados especialistas em Direito Penal do Reino Unido, alegando eles que JK não teria tido direito a um julgamento justo. Cumpriu mais ou menos 4 anos, saindo em liberdade condicional em 2005, e reacendeu o caso, continuando a clamar a sua inocência. A partir daí, foram-se provando vários vícios que tinham enfermado o julgamento de King, e muitos pedidos de desculpas lhe têm sido apresentados.
Não sei se Jonathan é culpado dos crimes que lhe foram imputados. O que sei é que fez músicas como “Everyone’s gone to the moon”, que me deram grande prazer ouvir. E a ele se deve também o despontar dos Genesis, pois que foi o produtor do álbum “From Genesis to Revelation”.

Portanto, para mim, que abomino pedófilos mas que também sou português e consequentemente preconceituoso, será sempre inocente.
