sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Night' Music (72) - Jeff Buckley - The Last Goodbye

Jeff Buckley - Last Goodbye


You're Never Too Young To Learn

Ou será "You're Never Too Old To Learn"?

 

Há Qualquer Coisa Estranha Nesta Foto...

...e eu não consigo descortinar o que é!
 
 
Vocês conseguem ver alguma coisa???

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Choque de Culturas

Pin Up Time (1) - The Real 50's Models

Fashion Blogger Again - Esta Fotografia...

...não é a fotografia dos meus sapatos


Mas podia ser, se lhe fossem acrescentados mais uns quantos pares

O Bidu já foi de vela!


Felizmente, o Bidu foi de vela, sem percalços de maior…para mim. Mal a Etelvina se foi para Lavacolhos, fiquei na rua a acenar-lhe com o cão atado aqui a uma árvore – se não, desatava a correr atrás da dona comigo arrastado por ele – e mal ela desapareceu, apanhei-o num momento de desânimo, e consegui metê-lo na parte de trás do jipe.
Meti-me ao volante, e aí vou eu todo satisfeito a levá-lo ao hotel. Às tantas, comecei a sentir um bafo quente por trás, principalmente no pescoço, e disse para comigo: “Sacana do mecânico voltou a não afinar o ar condicionado!”. Foi quando senti um pingo escorrer-me pelas costas, viro-me e vejo o focinho babado do Bidu mesmo ao pé da minha cara, e com um ar muito feliz! O safado, tinha rasgado uma parte da rede que separa a parte de trás do jipe, e estava já com metade do corpo na parte dos bancos. A minha sorte foi que tinha ficado entalado entre os dois bancos de trás e não conseguiu avançar mais, senão, ainda , me saltava para o volante. E também tive sorte de já estar só a uns 500 metros do hotel.
O Sr. Arlindo (o dono do hotel) até ficou branco quando viu o Bidu, mas não deu parte de fraco e agarrou-lhe a trela, ao mesmo tempo que dizia algo que já não ouvi, porque ele não deve ter medido bem a força do Bidu e foi arrastado quando o cão começou a correr direito a um pavão que o homem lá tinha. Resultado: o Arlindo ficou com as calças todas rasgadas, e o pavão, ficou com o rabo todo depenado e só gritava “meow, meow”. Como já tinha tudo tratado, achei que aquele era o momento mais propício para deixar o homem a sós com o cão para travarem amizade.
Enfim, foi um fim de semana descansado e só no domingo é que a Etelvina telefonou a dizer-me que regressava na 2ª feira pelas 10 horas da manhã, e eu decidi "Vou buscar o Bidu às 9h00".
O Sr. Arlindo não estava – os três empregados que me vieram entregar o Bidu, todos muito antipáticos, disseram-me que ele não podia falar comigo porque estava no hospital, eu nem perguntei porquê não tivesse eu alguma coisa a ver com o assunto – portanto, vim-me embora com o cão bem amarrado lá atrás – desta, precavi-me com umas correntes que não o deixavam mexer muito – e às 10h em ponto, lá estava a entrega-lo à dona.
- Então, o meu Biduzinho portou-se bem? E agarrou-se ao cãozarão, que a lambeu de alto abaixo.
- Muito bem, Etelvina! aqui ela olhou para mim desconfiada, mas não acrescentou nada. Então e o tio?
- Olha, nem te conto! fomos ao hospital ter com o dr. Mateus, e a minha mãe explicou-lhe que o meu pai andava muito abatido desde 5ª feira, mas omitiu aquilo dos chumbos. O meu pai é que disse que andava com um peso nos intestinos e que quando ia arrear o calhau, deitava sempre um bocadito de sangue, se calhar tinha “apanhado o hemorroidal”. Então o médico mandou-o despir atrás de um biombo, e depois foi lá observá-lo. No fim, perguntou-lhe se sofria muito de gases, e a minha mãe foi logo dizendo que “Não senhor, não sofre nada, até gosta. Há dias em que aquilo lá em casa parece um autêntico arraial minhoto, e até o cão se vai esconder para o quintal, e ainda bem senão, ainda lhe acontecia o mesmo que ao pobre do gato!”.
Bem, o médico receitou-lhe umas coisas, aplicou-lhe uma dieta sem hidratos de carbono – não sei se estás a ver o meu pai sem comer as suas feijoadas e sem a sua sopa de garbanzos, que é seu pequeno almoço preferido – bebidas com gás, e muito menos vinho. Olha, só te digo que se o meu pai já estava abatido, aquilo ainda o deitou mais abaixo. 
Mal ele sabia que não tinha ouvido o pior. É que o dr. Mateus disse para ele estar descansado que não tinha nenhum hemorroidal, mas que ia ter que lhe dar uns pontitos no… como é que eu hei-de dizer? ... na boca do cano da espingarda, tás a perceber?
Bom! Parece que tenho os 8 dias no Algarve garantidos. Só espero que a Etelvina não se lembre de, entretanto, não voltar a Lavacolhos, só para ver se a convalescença do pai está a correr bem, que a estadia do Bidu no hotel, juntamente com uma rede nova para o jipe, ficou-me mais cara do que aquilo que eu pagaria pelos mesmos 8 dias num hotel de luxo em Saint-Tropez!
 
P.S. - O sr. Arlindo deixou-me uma mensagem no voice-mail, a dizer que precisava de falar comigo. Estava com uma voz esquisita, ciciava, parecia daquelas pessoas que se esqueceram de por a prótese dentária, e nunca me pareceu que usasse uma. Pelo sim, pelo não, não lhe ligo e vou esperar que ele volte a telefonar. Mas como o meu telemóvel não tem andado muito bem, não sei bem se vai dar para o atender, logo se vê.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Night' Music (71) - Jefferson Airplane - Somebody to love

Jefferson Airplane - Somebody to love


Mostra-me a tua tatuagem, que eu mostro-te a minha! (1)

A Partida

Apesar de muitos dos momentos na sua companhia perdurarem na minha memória após todos estes anos, a mais nítida, talvez porque a derradeira, e também a mais impressionante, é a do seu corpo magro, ascético, estendido no caixão rude, primitivo, apoiado em dois bancos, um na cabeceira e outro aos pés, no meio da sala praticamente vazia.
A ciganita vestira-o como ele gostaria: a camisa de flanela grossa e característica, que ele usava abotoada no pescoço com dois botões mesmo naquelas tardes em que o sol lambia o alpendre com a força de uma espada de fogo, a calça de cotim azul desbotado e os pés descalços, que de tão magros, quase permitiam um completo estudo anatómico dos ossos. Se a sua presença era por natureza imponente, não pela envergadura do porte, mas pela dimensão da sua personalidade que parecia saltar-lhe de sob a pele e pelo magnetismo estranho que emanava, ali, naquele estranhíssimo féretro, tornava-se esmagador. As suas histórias eram sempre histórias de mar, de mar calmo em noites em que ele só lhe ouvia o rugir manso e surdo e as pequenas vagas a beijarem-lhe o barco, ou noites de mar furioso, em que ele não sabia se era a chuva que caía inclemente no mar, se era o mar que subia ao céu para se misturar com ele, e que parecia ir-lhe rachar o pequeno batel ao meio e desfazê-lo depois em mil pedaços. E o vento e a água a vergastarem-lhe as faces, a marcar-lhas como os chicotes que tinham vergastado Cristo.  Eram histórias de grandes pescarias, de noites em que os peixes  pareciam saltar-lhe voluntários para o batel, ou noites magras, em que o pescado só lhe daria para sobreviver durante dia ou dia e meio, o que o faria voltar novamente àquela faina cruel.
O velho era respeitado na vila próxima, embora verdadeiramente ninguém o conhecesse. Talvez por saber desse respeito da comunidade por ele, o padre, um homem relativamente novo e simpático a condizer, foi lá a casa e comunicou-me da sua disponibilidade de deixar fazer o velório na capela junto ao farol e de lhe dar um “enterro cristão”, graça que eu agradeci, mas respondi-lhe que seria mais conveniente pôr a questão à ciganita, a pessoa mais próxima do velho. “Eu limito-me a fazer-lhe companhia de vez em quando, partilhando-lhe a solidão e as histórias. Ela é que tratava dele. Conhece-lhe a vida e a alma”.
O homem foi contrariado, via-se que não gostava daquela rapariga arisca à qual  raramente ouvira uma palavra, que estava sentada numa cadeira baixa junto á janela que dava para o alpendre, o olhar fixo, o rosto sem demonstrar qualquer emoção. Previa, e bem, que a resposta seria um rotundo “Não”, que ecoou seco pela sala segundos depois. Ela conhecia-lhe bem o anti-clericalismo quase primário, e sabia que nem morto ele quereria entrar num sítio do qual sempre se afastara enquanto vivo.
A rapariga, na verdade, era muito mais mulher que rapariga, mas o hábito fazia-me sempre pensar nela como a rapariguita, que eu conhecera um dia, pequena, nervosa, muito morena - facto que enraizara no modo como o velho a tratava, sem menosprezo, antes com um acento de carinho que ela reconhecia - que aparecia mal havia luz e só se ia silenciosamente quando lhe acabava de fazer a sopa do jantar, depois de passar a maior parte do dia enroscada no degrau do alpendre no canto oposto ao meu, aspirando golfadas de ar salgado trazido pelo vento que soprava do mar, e ouvindo-lhe as pequenas histórias ou apreciando-lhe os longos silêncios. De vez em quando sorria, um sorriso pouco mais que esboço, mas suficiente para deixar ver uma fileira de dentes brancos, onde se destacava um par de caninos encavalitados, que lhe davam um aspecto ferino.
Não sei quando nem como tinham travado conhecimento, ou sequer que espécie de laço os unia. A origem da ligação entre os dois era anterior ao meu aparecimento e entre nós os três havia uma espécie de acordo tácito, mudo, de não fazer perguntas. Eles entendiam-se bem só com os olhares, e eu fazia o possível. Mas por vezes sentia-me uma espécie de passageiro intruso num compartimento ocupada por dois cúmplices, dois amantes platónicos.
O resto do dia, após a saída cabisbaixa do clérigo, foi ainda mais sombria, não pela bem-intencionada mas desastrada intervenção do homem, mas porque se aproximava a hora, o pôr do sol, de o levarem para onde ficaria, deixando-nos aos dois como se fôssemos órfãos.
A rapariga, que raramente se me dirigia, nessa noite despediu-se com um “Até amanhã” surpreendente, sem lágrimas mas com uma tristeza tão densa que quase tinha forma. Surpreendente porque imaginava que com a partida inusitada do velho, também ela se iria.
Mas enganava-me. Ela voltaria durante muito tempo, como se não quisesse de repente quebrar a rotina que lhe enchera a vida durante anos, e, tal como eu, parecesse preferir a presença de fantasmas.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Night' Music (70) - The Beatles - The Rooftop Concert

The Beatles - The Rooftop Concert


Body and Face (18) - Poppy Montgomery

A Inesquecível sem a qual, nem rasto de Sem Rasto restaria...

Barbie vs A verdadeira Mulher

Ainda a propósito do post de ontem, sobre as campanhas da Dove e da Women's Secret

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Night' Music (69) The Who - Pinball Wizard

The Who - Pinball Wizard


Três Graves Ameças Pairam sobre as Nossas Cabeças

- O governo "ameaça" privatizar encapotadamente a RTP, acabando com o Serviço Público consagrado na Constituição, e com mais umas centenas de postos de trabalho.
- A Tvi "ameaça" com nova Casa dos Segredos (e novas Fannys, Joões Motas e outros azeiteiros)
- O Arrumadinho "ameaça" escrever um livro.