terça-feira, 11 de setembro de 2012
Liebster Award
O Liebster Award é um reconhecimento para os blogs com menos de 200 seguidores. São 11 perguntas, as quais temos que passar a outras 11 pessoas. Ora bem, o selo foi-me passado pela Wendy, Libelinha e PinUpMe.
Já tinha deixado explícito que não sou muito adepto de selos, mas bolas! desta vez sofri logo 3 “ataques” quase simultâneos, e a gentileza das "prevaricadoras", deixou-me impossibilitado de recusar as respostas. (No entanto, permitam-me que não nomeie ninguém, ok?)
Aqui vão, então:
"O que achas do meu blog?"
Como foram três, os blogs que me nomearam, não me vou referir a um em particular, até porque, com as suas diferenças, têm em comum uma linha editorial jovem, muito de acordo com as suas autoras. Penso que: a Wendy não tem papas na língua, a Libelinha é uma empreendedora e a Pin, uma pessoa feliz, e as três, pessoas bem dispostas. Logo, os blogs reflectem essas características mais vincadas de cada uma.
"O que achas da blogoesfera?"
A blogoesfera é um reflexo da vida: temos bom e mau. É preciso saber filtrar. Tento ignorar e passar ao lado do que acho menos positivo
"Coisa mais bonita?"
O amor que une a minha família mais directa
"Principal objectivo"
Neste momento, o meu principal objectivo é tentar ter o maior número de momentos felizes possível
"Maior vício"
Agora, talvez ver séries da televisão. (mas sou bom a fugir de vícios)
"Música Preferida"
Ahahah! Esta é impossível responder. Mas não para não ficar incompleto o questionário, aqui vão algumas:
A Day in the Life – The Beatles
Suite: Judy blue eyes – Crosby, Stills and Nash
Good Vibrations – The Beach Boys
Hallellujah – Jeff Buckley
Strawberry Fields Forever – The Beatles
Dance me to the end of love – Leonard Cohen
Satisfaction - Rolling Stones
Dock of the Bay - Otis Redding
Imagine - John Lennon
You really got me - The Kinks
For your Love - Yardbirds
Whola Lotta Love - Led Zepellin
Everybody hurts – REM
Creep – Radiohead
Baby, please don’t go – Them
On the road again – Canned Heat
Like a rolling stone – Bob Dylan
The Blower’s Daughter – Damien Rice
…e mais umas centenas.
"O que mais odeias?"
Odiar não é verbo que caiba no meu dicionário. Mas há coisas que detesto, a começar por este governo que nos desgoverna.
"Qualidade?"
Gostar de gostar
"Defeito"
Preguiça
"Qual é o teu ídolo?"
Não tenho. Há só pessoas que admiro: Churchill, Ghandi, Mandela…No desporto, Michael Jordan, o maior basquetebolista de todos os tempos, na música os Beatles que marcaram, não só uma geração mas vários, e inspiraram inúmeros músicos por todo o mundo
"És feliz?"
Tenho momentos. Não há ninguém em estado de felicidade permanente, não é?
Os Dinheiros do Futebol, Transferências e CR7
Não é meu costume vir para aqui falar de futebol, especialmente dos negócios mais ou menos obscuros que à sua sombra se fazem, mas achei interessante abordar alguns desses negócios que nos últimos dias vieram a lume.
Desde já uma declaração de interesses: sou adepto e sócio do Sporting Club de Portugal, embora há muito (anos) não vá ao estádio assistir a jogos por razões que não vêm ao caso.
Muito se falou da tristeza (ou amuo) de Cristiano Ronaldo, e não sendo verbalizada a razão de tal tristeza, logo os antipatizantes de CR deduziram que se tratasse de uma razão monetária, zurzindo-o com críticas fundamentadas somente em juízos de valor, o que não valida nada. Mas mesmo que tal fosse verdade, CR nem sequer joga em Portugal, pelo que chamar à colação a situação económica do país e as dificuldades porque passam os portugueses, é completamente absurdo.
Mas lá iremos.
Vejamos os negócios que Benfica e Porto fizeram no defeso, especialmente no último dia de mercado, quando ambos clubes venderam dois dos seus melhores activos, Witsel e Hulk, para o Zenit de São Petersburgo, por 40M € cada.
Esta verba, que foi comunicada por ambos os clubes à CMVM, serásupostamente, a verba correcta, uma vez que as penalizações previstas para falsas declarações àquela entidade, são pesadas.
Poder-se-ia então dizer: ambos os clubes fizeram grandes negócios (e é verdade) e ficarmo-nos por aí.
Mas não, não se ficou por aqui. Estas vendas deram origem a mais uma guerra entre os 2 emblemas, desta vez sobre quem teria vendido melhor, o que, na minha opinião, tem sido das "guerrinhas" mais imbecis a que tenho assistido em muitos anos. É qualquer coisa ao estilo “A minha é maior que a tua”.
Mas à custa dessa guerrilha, vão passando pormenores para a opinião pública, que decerto não interessaria nada aos responsáveis de ambos os clubes, viessem a lume. Por exemplo: 20% do passe de Witsel pertencia a um fundo de que não se sabe a quem pertence (facto que impediu na altura, o SLB de vender parte do passe do jogador ao Fundo habitualmente usado pelo clube). Ora dos 40M haverá então a deduzir 8M que terão que ser pagos ao tal fundo misterioso. Para além disso, haverá também 10% de intermediação pagos a um agente FIFA, o que perfaz a bela quantia de 12M€, o que deixará o clube com um lucro de 28M€ e não os tais 40M€ (isto se não se quiser deduzir a essa verba os 6,5M€ que custou ao SLB o passe do jogador.
Resumindo:
- não seria lógico saber-se a quem pertence o tal misterioso fundo a que foram a agora entregues 8M€?
- será normal um agente FIFA ganhar 4M€ por um serviço de intermediação, quando 5% era normalmente o tecto máximo de percentagem aceite?
No caso Hulk, as trapalhadas e as explicações têm-se multiplicado, ninguém sabendo nesta altura, quanto realmente terá rendido ao FCP o jogador brasileiro. Uma coisa é certa: sabe-se que um agente FIFA terá recebido 6M€, mas não se sabe quem lhe pagou, uma vez que o FCP afirma ter recebido 40M€ pela venda e o Zenit afirma ter pago a mesma verba, nem mais um euro. Outra coisa que se sabe é que havia uma dívida de 2M€ do FCP para com o jogador, e que, segundo os números divulgados pela SAD do FCP teriam sido pagos pelo Zenit. Que nega.
Resumindo:
- e mais uma vez, será normal um agente FIFA ganhar 6M€ com uma uma operação destas, tendo em conta a tal percentagem de 5% já referida?
- será normal haver tantas contradições nas sucessivas informações dadas sobre os números da transferência?
Quando vejo as verbas pagas pelos clubes ao agentes FIFA, entendo a razão pela qual esses agentes tanta força fazem para que os seus representados mudem de clube com regularidade (Witsel tinha vindo no ano passado para o SLB, o que significa que o seu agente terá recebido percentagens elevadas sobre transferências em dois anos consecutivos).
Cristiano Ronaldo ganha num ano 10M€, sujeitos a impostos.
Os dois agentes FIFA destes dois negócios, embolsam o mesmo num dia e sem grande esforço.
Os misteriosos especuladores do fundo a quem pertenciam os tais 20% do passe do jogador do Benfica, quase quadruplicaram o investimento num ano, sem mexerem uma palha.
Ainda acham que o CR ganha demais? é que ao menos ele trabalha todo o ano.
A verdade, é que os dinheiros do futebol continuam envoltos em suspeições, o que continua a retirar cada vez mais credibilidade ao desporto que mais dinheiro e paixões movimenta em Portugal.
A seguir: o caso João Vieira Pinto.
Generalidades
Agentes FIFA,
CR7,
Cristiano Ronaldo,
FCP,
SLB,
Sporting Club de Portugal
Pequenos Crimes Entre Amigos
José era ateu e crente, aparente contradição.
Ateu por herança paterna e educação, convicção firmada na vivência, na constatação das injustiças e sofrimentos de vidas alheias.
Crente no amor e na sua dimensão divina.
Regido desde sempre por essa crença, foi-se deixando embalar pelas palavras corridas que cantavam o amor, alongava a noite embrenhado na prosa e na poesia, lia tudo e amava mais ou queria amar.
Sonhava com o amor eterno, aquele que, segundo ele e os poetas que lia, vai crescendo dia a dia, e a que nem a morte física pode estancar, mesmo não crendo ele na vida para além dela.
No auge dos seus delírios, conheceu aquela que, para si, seria a idealizada deusa, quase miragem, e que lhe preencheria todos os sonhos.
Não a vou descrever fisicamente. Era bela, sim. De riso alacre, tao leve que ao andar parecia flutuar um palmo acima do chão, assim ele a via.
O impacto do primeiro olhar foi fulminante. Amor à primeira vista.
E ela pareceu de certo modo corresponder. Por pequenos gestos, olhar convidativo, o sorriso de lábio inferior ligeiramente fremente. De tal forma que ele se sentiu compelido a abandonar a sua timidez e abordá-la. Nessa noite, admirou-se ele com o seu inesperado atrevimento e ao assentimento dela.
Assim nasceu aquela que, para ele, na sua natural ingenuidade, seria a história de amor da sua vida.
Mas a curiosidade que a tinha a ela guiado até ele foi-se esgotando. Da sua parte, o amor não era um sentimento perene. Papéis invertidos e para ela, pequeno e colorido colibri, ele era a flor no qual ela foi saciando as suas fomes. Ora, as flores têm vida efémera e os colibris, é sabido, saltam sem pecado para o girassol seguinte.
No caso, ele nunca soube quem seria o girassol seguinte. Não lhe interessava. Era o que menos interessava. Só o rasgão profundo nos sonhos de felicidade comum, a machadada vibrante em tudo aquilo em que sempre acreditara, na eternidade do sentimento supremo.
No meio do vendaval de dores, em vez de o confortar, disse-lhe o amigo a quem suspirara a sua fatalidade que “tudo passa, e o amor só é eterno enquanto dura”.
Foi uma crueldade escusada. Não era naquilo que ele cria. Não era aquilo que ele queria ou necessitava naquela altura.
Deixou ir amarfanhando a alma, até que ela não era mais que um pequeno novelo negro que não reconhecia já como parte de si.
O José morreu ontem. Sem poesia. Vítima da sua ingénua credulidade.
Também de pequenos crimes perpetrados por quem lhe estava mais próximo: ela que lhe cravara o estilete da indiferença bem fundo e direito ao ventrículo. O amigo, que em breves palavras cortara cerce todas os sonhos que ainda lhe sobravam sobre o que era o amor, e lhe dissera, sem dizer, que tudo não passava de ilusão.
O José morreu ontem. Ateu e descrente.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Night' Music (78) - The Beatles - Lucy in the Sky with Diamonds
Generalidades
Night' Music; The Beatles; Lucy in the Sky With Diamonds
#2 Fashion Blogger do Dia - Agora no Feminino
Aqui está uma pérola* do passado, especialmente para as leitoras.
E uma pergunta que deixo:
Porque é que a mulher portuguesa terá perdido o encanto por chapéus?*
* - Reparem só nos preços
** - Também é verdade que o mesmo se passa em relação aos homens, mas disso já eu falei.
E uma pergunta que deixo:
* - Reparem só nos preços
** - Também é verdade que o mesmo se passa em relação aos homens, mas disso já eu falei.
Fashion Blogger Again - Hoje, apanhei o papparazzi...
...e consegui sacar-lhe cópias das fotos que ele me tirou, e ele prometeu que as publicava, mas eu fiquei desconfiado.
Portanto, se virem estas fotografias noutro lado qualquer:
1- Já sabem que sou eu
2- Avisem-me que eu processo o gajo!
Portanto, se virem estas fotografias noutro lado qualquer:
1- Já sabem que sou eu
2- Avisem-me que eu processo o gajo!
domingo, 9 de setembro de 2012
Vamos Continuar a Comer e Calar?
Já se sabe que somos um povo de acomodados.
Está na hora de mostrarmos que não somos um povo de burros a quem põem a canga e a carregam até tombarmos. Está na hora de deitarmos os arreios ao ar.
Pode não ser muita coisa, mas pelo menos demonstramos que não estamos mortos: O Diário Económico, emitiu uma Petição Pública contra o Aumento de Impostos, que eu já assinei.
Convido-vos a todos a fazê-lo também. fazê-lo é como cumprir um dever cívico.
Não custa nada e oxalá não venhamos todos a ver outros tomar medidas mais drásticas
Não custa nada e oxalá não venhamos todos a ver outros tomar medidas mais drásticas
Sou o Escravo Coçador de Costas da Minha Cadela
Há uns tempos atrás, numa altura em que a minha cadela tinha sido acabado de ser tosquiada, estava deitada no sofá a meu lado e notei que estava incomodada com alguma coisa nas costas.
Calculei que fossem os pelos espetados que lhe estivessem a fazer comichões e comecei a coçar-lhe as costas. A bicha sossegou de imediato e parecia deliciada com a minha iniciativa.
Quando achei que era suficiente, acabei com aquilo. Só que sua excelência, começou a olhar para mim com um olhar que me pareceu de censura, e de vez em quando, fazia um movimento brusco com o focinho a apontar para o seu anafado lombo. Ao fim de 2 ou 3 vezes sem reacção da minha parte a não ser olhar para ela, repetiu o mesmo movimento, mas acompanhou-o com uma ladradela. Percebi então que a sujeita pretendia que eu lhe continuasse a coçar as costas. E assim foi: recomecei a coçadela, e ela voltou ao seu estado de encantamento.
Daí para cá, a situação tem-se repetido vezes sem conta: vê-nos no sofá, senta-se no chão à nossa frente a olhar alternadamente para nós e para o sofá, até que lhe arranjamos um espaço entre os dois. A sujeita sobe para o seu lugar, mete a cabeça e as patas da frente em cima do colo da dona e vira-me as costas. Uns segundos depois, já está a olhar para mim com um olhar de: Então? Nunca mais? e começa a ganir muito baixinho. Lá lhe começo a coçar as costas, e ela muito feliz. Cada vez que paro, vem o olhar de censura e se não recomeça o coçanço, refila. E a acção repete-se até sua alteza estar satisfeita.
Não já dúvida que os papéis nas relações pessoas-animais se alteraram dramaticamente e agora são eles que são nossos donos. Pelo menos esta, já tomou conta da casa toda e até arranjou um escravo para lhe coçar as costas!
Estou a ver que tenho que me tornar o Spartacus da era moderna!
* - Tive que meter o vídeo no YouTube, porque no Blogger dá erro. Alguém sabe porque é que isso acontece?
* - Tive que meter o vídeo no YouTube, porque no Blogger dá erro. Alguém sabe porque é que isso acontece?
sábado, 8 de setembro de 2012
Ao Fim de Semana, um Filme (11) - O Casamento de Maria Braun
Die Ehe der Maria Braun - Rainer Werner Fassbinder (1979)
Este filme de Fassbinder - um belo exemplo do então "novo cinema alemão"- é uma metáfora sobre a ascensão alemã no pós-guerra, após as muitas interrogações sobre o que fazer com a herança nazi.
Este filme de Fassbinder - um belo exemplo do então "novo cinema alemão"- é uma metáfora sobre a ascensão alemã no pós-guerra, após as muitas interrogações sobre o que fazer com a herança nazi.
O filme conta a história de Maria Braun (Hanna Schygulla) que casa com Hermann num dia de 1943, mesmo antes de este ser mandado para a frente de combate, despedindo-se os dois com juras de amor.
Hermann desaparece, e dizem a Maria que Hermann terá morrido.
Os tempos de guerra são difíceis, e Maria chega à conclusão que uma das formas de fugir da miséria total é usar a sua beleza e o seu corpo e tornar-se prostituta, embora continue a amar o marido.
O seu relacionamento mais forte acaba por ser com Bill, um soldado americano.
Contudo, Hermann está vivo e regressa numa noite em que Maria recebe o amante. Os dois homens lutam e Maria, ao defender o marido, acaba por matar o americano. Maria diz ao marido que contu«inua a amá-lo, conta-lhe da sua miséria durante a guerra e o que se vira obrigada a fazer para sobreviver. Hermann acredita nela e entrega-se como autor do crime, sendo condenado a uma pena de prisão.
Durante o tempo que o marido cumpre, Maria torna-se amante de um rico industrial, Oswald, mantendo no entanto o marido a par da situação, e dizendo-lhe que se trata simplesmente de um meio de manter o seu nivel de vida. É esse relacionamento que permite a Maria tornar-se rica e comprar uma casa.
Entretanto, Oswald visita Hermann na prisão e faz com ele um estranho pacto.
A partir daqui, não adianto mais sobre o filme, uma vez que tal tiraria algum interesse a quem nunca viu esta obra mestra de Fassbinder.
Este filme, faz parte de uma série que o realizador alemão fez durante os 70 sobre a mulher germânica, e é sobretudo um filme sobre o "milagre alemão", sobre relacionamentos e comprometimentos.
Um grande filme que conta com a interpretação brilhante de Hanna Schygulla, uma magnífica actriz então no seu auge, que além do talento, exibe a sua beleza muito fora do mainstream e acima de tudo, extremamente sensual e que a tornou a actriz alemã mais desjada da sua época dourada.
Classificação de 5***** ( a ver também do mesmo realizador e actriz "As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant").
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Night' Music (77) - Vinicius de Moraes/Toquinho - Tarde em Itapuã
Pequeno Conto Sobre Umas Mãos
Foi a primeira característica que lhe notou.
Não foram os olhos de água, rasgados, de longos cílios negros. Nem o cabelo de fogo, que ao sol parecia uma seara em chamas e que lhe emoldurava o rosto perfeitamente oval onde pontificava uma boca carnuda eeternamente húmida que parecia sempre ávida de beijos. Ou o nariz direito de narinas frementes.
Sequer o corpo esbelto de formas firmes, os seios jovens e erectos, ou as ancas modeladas sobre umas pernas longas, ou os pés pequenos e perfeitos que pareciam não tocar no chão quando se movia.
Nem o eterno cheiro quase narcótico a violetas frescas que dela se despreendia
Não. Foram as mãos, longuíssimas e estranhamente estreitas. Com dedos longuíssimos e
estranhamente estreitos. Muita vez teve a tentação de lhe fazer notar a característica mas hesitava sempre e acabava por recuar nas intenções.
Amou-a desde logo com um amor desbargado, sem limites, uma adoração, quase um pecado. Todos os dias era consumido pelas labaredas altas de uma paixão descontrolada.
Uma vez, sorrindo-lhe com aquele sorriso que só ela tinha, pediu-lhe que fechasse os olhos. Ele obedeceu, e então sentiu a suavidade daquelas mãos longas e estreitas a percorrerem-lhe o cabelo, sentia-as nas têmporas, na nuca, depois descerem-lhe ao pescoço, sentia-as a desabotoar-lhe a camisa e depois a descerem-lhe do peito ao ventre. Ãté atingir o clímax de uma maneira quase sobrenatural, que o fez sentir-se como se perdesse o pé, como se tivesse atingido outra dimensão.
A partir daí, bastava ela articular uma palavra que ele instintivamente fechava os olhos e sentia aqueles dedos longos a explorarem-lhe cada nesga do corpo, num extâse prazer inimaginado.
Estranhou quando ela uma vez lhe telefonou. Como que hipnotizado, mal soou aquela voz do outro lado do fio, cerrou as pálpebras. De imediato sentiu as mãos. As mãos exploravam-no, acariciavam até se lhe fincarem nas costas quase se enterrando nelas, e ele sentiu então que elas o puxavam firmemente para a frente como se ela ali estivesse e o atraísse a si e depois fizessem amor como era habitual.
Aquela ausência presente e preenchida passou a ser uma constante, tal como o seu prazer.
Até que um dia ela lhe cravou um estilete, fino, longuíssimo como os seus dedos bem no meio do peito, até ficar a um mílimetro do coração. Dada a espessura mínima da lâmina, a ferida, era estreita, feita de modo a que quase não sangrasse. O sangue ia escorrendo, gota a gota, cuidadosamente, dimensão meticulosamente definida, de modo a que se mantivesse vivo.
E assim foi ficando, dia após dia, vivendo e morrendo, até que soou o telefone. Mal ouviu aquela voz fechou de imediato os olhos como estava ensinado a fazer. Foi quando sentiu o cheiro das violetas e aquelas mãos estreitíssimas a insinuarem-se-lhe pela pequena chaga aberta até atingirem o órgão vital, que apertaram lentamente provocando-lhe uma dor excruciante.
Depois, todos os dias o sádico ritual se repetia e ele, não conseguia reagir, sempre
morrendo e vivendo mais um pouco.
Agora, já sabia porque tinha ela aquelas mãos longuíssimas e estranhamente estreitas
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
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