terça-feira, 14 de maio de 2013

Uma Palavra, Dois (pelo menos) Significados - A Económica

Há uns anos largos, uma das grandes instituições de Lisboa – e só falo de Lisboa porque foi a cidade onde nasci e vivi sempre – era a “Entulhosa”. Para os menos informados, a Entulhosa era a sopa feita nas tascas alfacinhas e levava toda a espécie de legumes e em tão grandes quantidades que quando era posta na tijela de onde era comida, enfiava-se-lhe a colher e esta ficava de pé.
A Entulhosa era feita assim propositadamente para servir de refeição, muitas vezes a única, da classe operária lisboeta e das suas famílias que a tornavam ainda mais entulhosa, juntando-lhe uma ou duas carcaças. Um dos elementos da família ia com uma panela à taberna onde lha enchiam com a preciosa sopa, e por 15 tostões .
Mas havia os mais pobrezinhos e esses contentavam-se com a meia-Entulhosa que se chamava…Económica. Esta, muitas era também consumida ao almoço na taberna, na maior parte das vezes acompanhada por um copo de 3 e um carapau de escabeche (quando haviam uns trocos a mais).
Mas “Económica” não serve só para denominar uma sopa de taberna. Esse aliás, é a sua denominação menos interessante.
Como é que eu hei-de explicar a outra designação da palavra? É que é um bocado embaraçante. Mas vamos lá, e vou-me servir de uma história do meu amigo de adolescência, o Alfredo Alarcão, para dar pelo menos a entender  de que se trata.

O pai do Alfredo era um industrial alentado e tinha vindo de Vila Nova de Gaia para estabelecer o seu negócio na capital. Como dizia o Alfredo, o pai como bom industrial do norte que se prezasse, tinha uma amante espanhola e uma visão do sexo muito convencional para a altura. E no dia em que o Alfredo fez 15 anos o pai chamou-o ao gabinete dele e disse-lhe:
- Alfredo, meu filho, a partir de hoje és um homem e com a tua idade já eu ido para a cama com pelo menos três sopeiras do teu avô Laurentino. Portanto, como nós cá, a única sopeira que temos é a Henriqueta que já é velhota, toma lá 500$00 e diz ao Artur (era o motorista) para te levar às p$%#s.
E acrescentou o Alfredo quando me contou a conversa do pai.
- Já viste? Quinhentos paus! Isto vai dar-me para fazer umas flores com as gajas do liceu. E o meu pai a dizer que a Henriqueta é velhota! É, é. 50 anos é velhota. Até pode não ser nova, mas tem uma ginástica que ele nem calcula! (eu também não imaginava que ele já se tivesse enrolado com a criada, que ele nessas coisas era muito recatado). E se a Henriqueta hoje não estiver para festas, vou buscar as revistas pornográficas que o meu tem escondidas na gaveta do psiché e vai uma Económica à conta (nessa altura, já tínhamos chegado à conclusão por experiência própria, que aquilo que o sr. Padre Checo nos dizia sobre o cato de tal  acção, além de constituir um pecado nos fazer crescer pelos nas palmas das mãos, era tanga.
Bom, acho que toda a gente percebeu onde é que eu queria chegar, e peço desde já desculpa se feri a sensibilidade de alguém.
Portanto, aí está: uma palavra com dois significados diferentes.
O mais curioso, é que este nosso governo, parece que quer voltar a pôr a Económica (sopa) como prato preponderante nos hábitos alimentares de alguns milhões de portugueses. A chatice é que já quase não há tascas para as fazer (as que ainda existem, em breve pedirão insolvência), as carcaças (que hoje se chamam bolas) têm mais buracos que miolo e como já só existem vinhos gourmet, a económica vai ter que ser comida a seco. E já nem falo no carapauzinho de escabeche, que esse só estará ao alcance dos gerentes de empresa sobreviventes, e daí para cima.
Por outro lado, da forma como as coisas estão, é muito provável que também as meninas que dedicam a sua vida a fornecer belos momentos de prazer (que maneira tão poética para designar as p#$%s, não é?) aos machos desejosos de manifestar a sua masculinidade deixando a sua líbido correr à rédea solta, em troca de algum dinheiro (que diabo, a boa vontade e os gestos magnânimos têm todo o direito de receber a sua recompensa terrena, embora tenha a certeza que a celestial também não lhes falhará), vejam os seus ternos clientes desaparecer por falta de verbas para divertimentos, mesmos os imprescindíveis à sua higiene fisiopsicológica, e assim terem elas próprias que começar a declarar as suas próprias insolvências.
Quanto aos machos carentes, a esses restar-lhes-á reanimar esse tão prosaico hábito da adolescência. A não ser que, como me está a palpitar, a crise se agudize tanto, que nem força terão para pensar (sim, que ter força para o resto já seria pedir demais) em se dedicar a tal prática.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Dita Von Teese (Versão 13 de Maio)


Em Busca do Tempo Perdido*

* eu sei, agora já há vários a pensar: “olha, aí está mais um Proust de pacotilha”. Mas a verdade é que só me lembrei da obra do francês depois de escrever o título do post, e como a preguiça que me tem subjugado continua nas suas sete quintas a reinar sobre a minha vida, deixei ficar.

                               

Ora este lapso de dois meses que estive ausente, corresponde exactamente ao período durante o qual, há precisamente dois anos, eu me debatia com um intruso – que eu poderia já chamar de intruso chato, uma vez que, como um dia contei, foi a 3ª vez que me visitou sem que eu o tivesse convidado – que me deu algum trabalho e bastante luta, logo a mim que evito até à última qualquer tipo guerra. E acreditem que na altura, saí da refrega um bocado combalido, que os tratamentos são “pesados”, tanto que enquanto estamos a levar com eles, muitas vezes nos interrogamos se não é pior o tratamento que a doença.
Só no fim, e se a coisa corre bem, nos apercebemos da estupidez da dúvida.
Para que sirva de informação aos menos avisados ou preocupados com estes pequenos empecilhos que a vida nos coloca no caminho, o tempo que os médicos consideram seguro para nos dar como curados, é quando passados 5 anos nenhuma recidiva ocorre. No entanto, 2 anos é um lapso de tempo razoável para considerar que, não tendo ocorrido entretanto nenhum percalço, a coisa está razoavelmente controlada, e os 3 anos que faltam para atingir o qual quinquénio deverão decorrer sem sobressaltos.
Pois como disse, perfaziam-se agora os tais 2 anos, e por mais que se tentasse e fingisse até alguma descontracção, uma ponta de ansiedade tomou conta de mim, e eu com ansiedades não me dou bem, principalmente porque não me consigo concentrar. E se mais ou menos concentrado já só escrevo disparates, imagine-se o que sairia daqui estando desconcentrado.
Ora as notícias não podiam ser mais positivas, pelo que, apesar da minha enorme preguiça, o tempo de letargia já não se justificava, até porque comecei a constatar que quase já não conseguia assinar o meu nome. Comecei a recear que o meu neurónio adormecesse de vez e foi quando lhe dei uma palmada valente e ele resolveu enviar-me algumas mensagens que eu decidi aproveitar, e postar neste meu tão desprezado diário.
Portanto, decidi abster-me durante uns tempos das vidas blogueiras e mesmo leituras, só das gordas dos jornais e o facebook, que também é bom para nos mantermos informados da vida alheia e que funciona mais ou menos como o café aqui da esquina - mas em maior - onde, por exemplo ainda hoje fui informado que o Guedes se tinha convertido à IURD só para ver se engatava a nova criada de uns novos-ricos que no ano passado compraram aqui na rua de cima um duplex T6 com jacuzzi, jardim e garagem para 2 BMW’s série 5, um SUV da Range Rover e um Jaguar descapotável, num prédio restaurado e que lhes deve ter custado os olhos da cara (pelo menos), porque a moça – alta, roliça, morena e que anda como uma rainha de escola de samba e tem uns air-bags (dianteiros e traseiros, que nestes casos dispensam-se os laterais) como só uma brasileira consegue ter, e já provocaram pelo menos 3 torcicolos em respeitáveis habitués do café – é muito religiosa e fiel seguidora daquela igreja.
Mas a coisa parece que não começou muito bem porque na 1ª vez que o Guedes foi a uma sessão evangélica, caiu-lhe em cima uma gorda que, diz ele, pesava pelo menos uns 120 quilos, e se sentiu “possuída” durante a pregação (?) do pastor.
De qualquer forma, o Guedes saindo de lá bastante combalido, teve ao menos o consolo de ver que a Lucineide lhe segurava a mão com um ar bastante compungido,  enquanto enfiavam a maca dele na ambulância do INEM.
Ah! Esquecia-me de esclarecer um ponto importante: Lucineide é o nome da sopeira brasileira.

sexta-feira, 8 de março de 2013

O Dia Mais Confuso do Ano....

...para o José Castelo-Branco, é hoje, Dia da Mulher.

(Para as senhoras - ou meninas, é como quiserem - que passam por cá, os meus desejos de que um dia não muito longínquo, não haja a necessidade de se arranjar um dia especial dedicado à Mulher)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

E Quarenta Anos Depois...

Voltámos ao tempo em que os bufos (2ª vez no mesmo dia é muita fruta, não é?) denunciavam os fumadores que tinham isqueiro, e se suspeitava que não tinham licença de uso do mesmo. Não há dúvida que estamos a voltar aos maus velhos tempos...

O bufo

Se há coisa que abomino, é a utilização de retretes públicas. Tanta vez já eu abreviei idas ao café e vim para casa a correr, só para não usar uma casa de banho que não é a minha.
Mas por vezes, o organismo prega-nos partidas, e a necessidade é tão urgente, que não tenho outro remédio senão socorrer-me do WC mais próximo.
Ora o episódio que a seguir relato, passou-se num dos centros comerciais mais populares de Lisboa, quando traiçoeiramente, os meus intestinos me obrigaram a correr para os sanitários mais próximos, sempre a pensar que, para mal dos meus pecados, todas as casinhas individuais, provavelmente estariam ocupadas.
Mas o agoiro não se cumpriu, e foi com um suspiro de alívio que peguei numas 30/40 folhas de papel higiénico, limpei muito bem o aro da tampa da sanita, e me sentei aliviado. Em frente, a porta da casinha, que como todas as outras portas das casinhas das retretes públicos, era uma espécie de classificados de pedidos de encontros sexuais, e eu nem me daria ao trabalho de ler aquilo, não fora um rectângulo enorme feito a marcador laranja fosforescente, dentro do qual se encontrava escrito o seguinte:

"Quim Calças, liga-me até domingo da próxima semana para o telemóvel 9........ para combinarmos fazer aquilo que prometeste, ou, caso não o faças, e para que toda a gente fique a saber, meto no meu facebook, e também no teu e no da empresa onde trabalhas, que engoles a palhinha. E para que não tenhas desculpa de que não leste este aviso, vou-o pôr em todas as cagadeiras aqui do shoping".

Bem...achei aquilo um bocado embaraçoso, mas fiquei a pensar que era capaz de ser gozo.
Só que não resisti à curiosidade, desci ao rés-do-chão do centro comercial, entrei numa das casas de banho, vi que havia uma das casinhas vagas, e entrei, fechando a porta atrás de mim. Olhei... e lá estava o grande rectãngulo laranja com a miserável chantagem.
Não sei se aquilo é recente, mas de uma coisa tenho a certeza, o Quim Calças tem, ou vai ter, a sua intimidade divulgada publicamente e os tempos que o esperam vão ser duros.
Desgraçado!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Old Timers (7) - Bentley

Duas Conclusões (uma jeitosa e outra nem por isso) e Uma Revelação do Ontem à noite

Primeiro, as conclusões. A jeitosa:
- Depois de algumas experiências, cheguei à conclusão de que a melhor hora para passear a canita é das 21h às 22h. Porquê? Porque é a hora a que vejo mais vizinhas a porem o lixo nos caixote à porta de casa, em roupa interior. Com sorte (e mais uns 15ºC de temperatura), ainda apanho uma delas daquelas mais agradáveis à vista, em baby-doll, ou mesmo só de cuecas e soutien (até hoje, só me calhou ver uma).
A outra:
- O safado do Salazar, fazia-se de santinho e no final, afinfava nas tipas todas que lhe apareciam à frente, o sacrista. Dissimulado!

Por fim, a revelação:
- No 5 Para a Meia Noite, o Diogo Infante logo à entrada, afirmou que nunca tinha tido antes, uma introdução assim. Não percebi onde é que ele quis chegar.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

De Novo, a Premente Problemática do Papa Abordada com Toda a Seriedade

Disseram há pouco no Telejornal que no conclave existem uns poucos de bispos papáveis. 
Aqueles bispos são todos jimbras como o caraças, não percebo como é que é possível haver por ali algum papável!



(É claro que aquilo pode não ter qualquer conotação sexual, mas se é assim, podiam ter especificado melhor que não se tratava de bichices e coisas assim)





Body & Face (22) - Kate Beckinsale

Ninguém teria dado pelo "Pearl Harbor" se não fosse ela a brilhar

Dúvida Existêncial: A Abdicação do Papa..

...dever-se-á à polémica por causa da vaca do presépio?


É que se assim for é estranho, uma vez que já não é a 1ª vez (nem 2ª, nwm 3ª...)que se estabelecem divergências envolvendo vacas e papado, e esta não é, de certeza, a mais controversa.

O Besugo

Jorginho estava a atravessar um dia monótono, de autêntico bocejo, coisa que, rapaz de acção que era, o incomodava.
Lembrou-se então do velho que duas ou três vezes por semana se sentava bem na beirinha do penhasco na ponta sul da praia a pescar, e do que ele um dia lhe ensinara. Dissera-lhe ele que o mar ali era tão rico, que lhe bastava uma uns metros de fio de nylon, uma chumbada, um anzol, um isco e alguma dose de paciência, para poder sair dali com almoço. Ah! E uma luva velha, para que o fio não lhe cortasse a mão.
Como Jorginho não tinha nada para fazer, paciência não era problema. O resto foi arranjar logo de seguida. E meteu-se a caminho, rumo ao lugar escolhido como poiso. Sentou-se, pacientemente atou a chumbada e o anzol na ponta do fio de nylon, e no anzol, espetou o isco. Vagarosamente, deixou o fio deslizar até ao mar, que se apresentava turvo o que era bom sinal, deu-lhe mais uns dois metros como o velho o aconselhara, e aguardou, fio bem preso na mão enluvada.
Intimamente, estava convencido que iria ali iria passar uma boa parte da tarde, e provavelmente sairia dali de mãos a abanar. Foi por isso grande a surpresa quando, ao fim de um ou dois minutos, sentiu um forte puxão na mão que segurava o fio, e tão grande que por pouco não o largava.
Segurou com toda a sua força, e sentiu que do outro lado, algo de bom porte, se debatia. Como o velho aconselhara, deixou o “bicho” se debatesse durante uns minutos para que se cansasse, e quando sentiu que a luta afrouxava, começou a puxar lentamente o fio. Até que, à superfície, assomou o anzol e nele preso, um peixe de tamanho razoável, e que, com os seus parcos conhecimentos identificou: era um besugo.
Quando o teve na mão, olhou para o peixe orgulhou-se:” E logo deste tamanho! Deve ter para aí pelo menos meio quilo! Acho que é o que se chama sorte de principiante.” Meteu o peixe na sacola, e pôs-se a caminho de casa, feliz e sorridente como há muito não se sentia. E mais, ansioso de exibir a sua proeza.
Já na vila, encontrou a Laurinha, menina linda e de formas roliças, que há muito mexia com a líbido dele, mas que a sua natural timidez impedia de abordar de forma mais atrevida. Dirigiu-se a ela de semblante sorridente e atirou-lhe:
- Queres ver o meu besugo?
A reacção da rapariga, deixou-o siderado: a Laurinha corou violentamente, levantou a mão, deu-lhe uma sonora bofetada, e afastou-se, nariz levantado e atirando um “Huuuumpff! Exibicionista!
Nesse dia, Jorginho chegou à mesma conclusão a que todos os homens numa qualquer altura da sua vida chegam. “As mulheres são uns seres incompreensíveis! Muito belas é certo, mas incompreensíveis!”

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Retratos de Uma Vida (1) - O Meu Primeiro e Mais Belo Filme Erótico ao Vivo


Poder-se-á dizer que Carolina era uma rapariga sem amarras.
De todas as que integravam o nosso jovem grupo de amigos, era ela, como se costumava chamar nessa época, a mais dada, sem que entre nós atribuíssemos a essa designação qualquer carga prejorativa, pelo contrário.
Para tal, em muito contribuíra a fama que granjeara aos 12/13 anos de ter nos ter iniciado a todos na arte de beijar. E todos nós intimamente concordávamos que era inigualável a suavidade daqueles lábios de veludo a saber a morangos e manteiga fresca.
A sua liberdade mental inata, contrastava com a contenção das outras amigas – e mesmo um ou outro rapaz - , e por vezes, tornava-a alvo de algumas invejas e ciúmes. E no entanto, toda a gente gostava verdadeiramente dela. Especialmente o Julião, que foi o seu primeiro namorado, na real e total aceção da palavra.
Curiosamente, fui eu a primeira testemunha do consolidar da relação de ambos e da forma mais intensa possível.
Éramos uns 8, todos entre os 15 e os 17 anos. Saíramos depois do almoço, e após de uns 2 km a pé por caminhos de cabras, ali estava a nossa ribeira, fresca e saltitante, à espera dos nossos mergulhos tão apetecidos naqueles escaldantes dias de Agosto.
Contudo, naquele dia a minha disposição não era a melhor. Parecia que me excedera ao almoço e o estômago pesava-me. Assim sendo, pousei o saco com o lanche e os calções de banho ao lado de um dos grandes salgueiros que tombavam sobre a ribeira, arranjei um seixo grande e muito redondo que me serviria de almofada, e deitei-me com a firme intenção de ler o livro que levara – nunca mais me esqueci que era o meu primeiro livro da Agatha Christie que – mas a soneira levou a melhor, e fiquei assim amodorrado, ora de olhos fechados, ora entreabertos.
Passados uns minutos, apercebi-me de algum movimento junto a um dos salgueiros próximos. Com esforço, abri um pouco mais os olhos, e vi que o Julião se deitava à sombra da grande árvore enquanto a Carolina se ajeitava ao lado dele, apoiada no cotovelo direito com a cabeça apoiada na mão, enquanto a esquerda ia acariciando o rosto e o peito nu do rapaz. Pouco depois, começou a beijá-lo, correspondendo ele, a princípio constrangido – afinal, não estavam sós – mas aos poucos, foi perdendo a inibição e agarrou-se a ela sofregamente.
Nesta altura, quem já estava constrangido era eu, sentia bem as faces a arder, queria desviar os olhos, mas a minha faceta de voyeur, a minha curiosidade ou excitação adolescente, levou a melhor. E a situação foi tomando outras proporções quando a rapariga o empurrou e sem qualquer tipo de vergonha, passou uma das pernas sobre os quadris dele, ficando soerguida sobre o rapaz, apoiada nos joelhos. Debruçou-se sobre ele, empurrou-lhe ligeiramente a cabeça para trás, e começou a beijá-lo no pescoço, o que o deixou visivelmente excitado.
Ele endireitou-se um pouco, puxou-lhe as alças do vestido para os lados, e ali ficou ela, imponente na sua beleza, as pequenas mamas rosadas, turgidas e erectas, uma visão do paraíso como eu o imaginava.
E então, ela meteu uma das mãos sob o vestido, numa manobra que demorou uns segundos, e que, a princípio não percebi, santa ingenuidade. Retirou a mão, e os quadris dela começaram a descer muito lentamente sobre os dele, ao mesmo tempo que as faces de ambos ia acerejando e o pescoço dele se arqueava. Depois, ela voltou a levantar as ancas muito lentamente e a descê-las uma outra vez, e assim por várias vezes. E o corpo dele movia-se ao ritmo do dela, devagar, delicadamente. Não estava muito perto, mas ainda assim ouvia-lhes os gemidos abafados.
A contenção não durou muito, pois breve os dois se abraçaram e ambos os corpos se movimentaram convulsamente durante uns segundos até que se sossegaram, ela sobre ele, como se ambos tivessem morrido abraçados um ao outro.
Pouco depois, ela saiu de cima dele as bochechas ainda afogueadas, compôs o vestido e sorriu-lhe. Olhou para o sítio onde eu estava, e eu, envergonhado, fingi que dormia.
Vi-os erguerem-se e o Julião parecia hipnotizado, olhos vidrados fixos no horizonte como se não estivesse bem certo sobre o que verdadeiramente lhe tinha acabado de acontecer, um sorriso parvo nos lábios e nem notou o pequeno derrame sanguíneo que lhe manchava as calças mesmo junto à união das pernas.
Ela, conduzindo-o pela mão, saltitante, uma cara feliz, um sorriso travesso como só ela tinha. Travesso. É essa a palavra. Parecia que tinha acabado de praticar uma traquinice sem que ninguém soubesse.
Para mim, pareceu-me mais tarde, que na altura, tinha assistido ao meu primeiro e mais belo filme erótico. E embora com uma pontinha de inveja, fiquei feliz por eles
 
(continua)