terça-feira, 10 de julho de 2012

Fashion Blogger Again - Learning (to fly) the Style (de Pequenino...)

Wanna Bite (Brunch Time)

Conselhos de Uma Vodka (3), ou Quem Não Gosta de uma Campanha Publicitária Sexista?

A Última...


Indecisão (it's Panama Time ou Outra Vez a Questão de Ser um Fashion Blogger)



Conselhos médicos sobre os excessos solares à parte, o "vício" do Panama acentua-se por estes dias de Verão - cá por baixo, malgré um pouco de vento sempre incómodo, que por vezes sopra, nuvens nem vê-las - e com ele, a dificuldade da escolha.
Por mim, escolho um Fedora, mas não desdenho um Optimo semelhante ao que Hercule Poirot usava, aquando das suas digressões ao Egipto, ou à Próximo Oriente.
Quem diria que eu iria um dia ficar indeciso com a escolha de um Panama...

domingo, 8 de julho de 2012

Conselhos de Uma Vodka (1), ou Quem Não Gosta de uma Campanha Publicitária Sexista?

Cartaz Publicitário da Vodka Van Gogh Blue


Frase do Dia (1)


Meu Deus, porque me castigas, logo a mim que não acredito em ti


                                                                                                                                          (Woody Allen)

sábado, 7 de julho de 2012

As Mais Belas Capas de Album (2) - Blind Faith



Blind Faith* - 1969


* - Os Blind Faith foram uma das super bandas das quais Eric Clapton e este foi o único álbum do grupo, que além de Clapton, integrava Stevie Winwood, Rick Grech e o baterista Ginger Baker. 
A criança retratada na capa do álbum é precisamente a filha de Ginger Baker, e a capa tem sobre si um historial de actos de censura. Apesar da sua beleza intrínseca, duvido que nos dias de hoje, não gerasse igualmente grandes polémicas.

Álbuns de Sempre (1) - Carole King - Tapestry

Este álbum de Carole King, Tapestry, considero-o como uma das obras mais completas e perfeitas de sempre.
Se nunca esteve em causa o talento como compositora de grandes canções, neste disco, Carole revela-se como uma performer extraordinária, e estabelece-se como uma das maiores intérpretes femininas do seu tempo.
Num tom intimista e quase confessional, subindo muitas vezes a alturas vibrantes e apaixonadas, a obra é um desfiar de incomparáveis composições que vale a pena escutar com atenção, uma jóia da música popular em que reluzem pequenas pérolas como It's too late, You've Got a friend, ou (You make me feel like) A Natural Woman, das quais se fizeram um número incontável de covers.
Mas o disco mantem-se a um nível tão elevado ao longo de toda a sua audição, que é quase injusto um ou outro destaque.
Chamo a atenção que não se trata de um disco pretencioso, complicado, dificil de ouvir. Muita vez, a simplicidade recompensa, e de que maneira. E não precisa de fazer concessões ao facilitismo.
Carole King - Tapestry (1971)
1."I Feel the Earth Move" – 2:58
2."So Far Away" – 3:55
3."It's Too Late" (lyrics by Toni Stern) – 3:53
4."Home Again" – 2:29
5."Beautiful" – 3:08
6."Way Over Yonder" – 4:44
7."You've Got a Friend" – 5:09
8."Where You Lead" (lyrics by Toni Stern) – 3:20
9."Will You Love Me Tomorrow?" (Gerry Goffin, King) – 4:12
10."Smackwater Jack" (Goffin, King) – 3:41
11."Tapestry" – 3:13
12."(You Make Me Feel Like) A Natural Woman" (Goffin, King, Jerry Wexler) – 3:49

(todas as canções compostas por Carole King excepto as assinaladas)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Night' Music (49) - Peter Frampton - Show Me The Way


Peter Frampton - Show Me The Way



O Sótão

Arranjo sempre qualquer desculpa que me evite a subida ao sótão, espécie de depósito de recordações, umas boas, outras muitas dolorosas e que só em casos extremos me disponho a enfrentar. Alguém se encarregava das arrumações e limpezas anuais. Quando me chegava a vez, arranjava uma desculpa, fraca quase sempre, para me excusar à tarefa.

Desta não tive maneira de me livrar.
Com o semblante carregado subi os sete degraus que me seoaram dele. Abri a porta e logo o cheiro abafado, tão característico dos espaços há largo tempo fechados me invadiu as narinas. Na penumbra, pouco conseguia distinguir, pelo que me dirigi à janela e a abri completamente deixando entrar a luz e o ar fresco do entardecer.
 
Corri o olhar. A um canto uma velha arca que abri. Dentro, dois ou três fatos, usados em Carnavais de há muitos anos, mais umas quantas roupas antiquadas. Ao lado um pequeno armário repleto de bugigangas fora de uso, na última gaveta, uma grande quantidade de fotografias, muitas do início do século passado, às quais o tempo esbatera a cor. Muitos dos fotografados, nunca os conhecera sequer. A história de cada um fôra-me contada vezes sem conta, com a minúcia e o respeito que se deve aos antepassados. Outras, foram por mim para lá atiradas na esperança vã de, com esse gesto, conseguir olvidar, ainda que de modo ténue, a fotografada.

Foi quando me virei que o meu olhar ficou preso no vestido. Dependurado cuidadosamente num velho cabide, e acondicionado de modo a que a traça não o atacasse, um casaco de veludo vermelho púrpura, a saia, do mesmo tecido, mas de um negro profundo. A visão que tinha dela, era com aquele fato de saia-casaco vestido.

E não era só a sua figura invulgar, de beleza estranha, os longos cabelos de fogo e os olhos transparentes como rio de água clara, ou os lábios vermelhos, que a lingua suavemente atrevida, humedecia em movimentos quase imperceptíveis, uma provocação descuidada e involuntária. Era toda a sua presença. forte, que se impunha sem esforço. Era a alegria, o riso contagiante em forma de mulher jovem.
Tinha um anseio, o de um dia vir a brilhar nos palcos. Cantava e declamava divinamente. A poesia bailava-lhe nos lábios e nunca conheci ninguém que a dissesse como ela. As canções tomavam nos seus lábios uma doçura e um calor inusitados. Dançar, só danças de salão, mas com a  leveza com que se movimentava, dando a sensação que flutuava, acredito que a qualquer que lhe propusessem, corresponderia de forma superior. Em tudo ajudava a extraordinária elegância, a personalidade cativante.

À sua volta, quando se expandia em movimentos elegantes ou abria a sua voz em poesias e canções, tudo se iluminava, como que se dela se soltasse uma luz intensa, como se as estrelas deleitadas, se baixassem até ela e a iluminassem em preito de humildade face ao supremo da beleza.

Ao seu sonho opôs-se uma família demasiado tradicional, presa a convenções pequeno-burgueses inadequadas e retrógradas.

Mas desistir, dizia, nunca. Rebelde, procurou no casamento o meio de, ao mesmo tempo que se entregava nos braços do seu amor, tentar libertar-se das peias que lhe atalhavam o sonho.

A desilusão veio breve. O elo que a prendeu reduziu-lhe ainda mais a liberdade. Promessas não cumpridas, falsidades, tudo serviu para lhe cercear o que sonhara. Foi-se anulando, murchou na sua juventude, deixou-se ir. No seu lugar só ficou uma saudade nunca mitigada.
Foi há tanto tempo. Foi ontem.

Sentei-me no velho cesto de roupa revendo uma a uma as fotos ao mesmo tempo que passava as costas da mão pelo aveludado do vestido que fora dela. Passado uns minutos que não contei, sacudi a cabeça, espantei pensamentos. Pela janela, via já o céu incendiado pelo sol fugidio, que mergulhava no fio do horizonte. Fechei-a, e depois corri a persiana, deixando a penumbra afogar novamente o meu sótão. De seguida, saí puxando a porta para que não fizesse ruído, como que com receio de acordar tudo o que naquele pequeno espaço voltara a adormecer.

Por muito tempo, espero.

(2008)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Night Music (48) Coldplay - The Scientist


Coldplay - The Scientist



A 1ª Récita da Associação Beneficente das Trinas

Nas pequenas comunidades há a propensão para se criarem pequenas rivalidades, e aqui a nossa não é excepção. Uma discussão entre o Jacob e o presidente do Vendedores de Jornais (popular agremiação que já forneceu ao país alguns campeões de boxe), levou o 1º a querer formar uma nova agremiação do mesmo género, numa rua paralela, assim do género vila riba, vila bajo.
Aquilo podia ser uma tarefa de Hércules. Mas não para o Jacob que tem mais de meio bairro nas suas mãos: tem uma loja de penhores a qual agora se transformou numa daquelas de compra e venda de ouro e empresta dinheiro a 10% ao mês - muito acessível, portanto -  e freguesia não lhe falta. Obteve da CML autorização para ocupar um prédio devoluto, e tomou a seu cargo umas obras de recuperação, todas feitas à borla por malta que lhe deve dinheiro, o que dá bem ideia de como é o Jacob, e deu-lhe o nome de Associação Beneficente das Trinas. Aquilo demorou quase um ano, mas está do camandro.
Quis fazer a inauguração no 1º dia dos santos populares, e resolveu dar uma récita, a qual propagandeou através de uns panfletos um bocado foleiros, mas principalmente de pressões alcaponianas sobre os seus "clientes" habituais, do género "se não apareces, nunca mais vês "nenhum" a menos de 15% ao mês, e ainda te fico com o cordão de ouro que era da tua bisavó"
Mas aquilo, apesar da experiência do homem em negócios, não correu muito bem. Teve um prejuízo para cima dos 300 € e isso para ele é pior que se lhe arrancassem um dente do siso a sangue frio. Acho que foi o pior que lhe aconteceu desde que a Adozinda lhe estragou o sobretudo de serrubeco negro que o pai lhe tinha deixado e que já tinha servido 3 gerações. 
Aquilo começou logo mal, porque a Elisa como é costume, levou um vestido em lamé vermelho de tal forma apertado que os peitos dela pareciam duas bolas saltitonas do tamanho de melancias a quererem saltar cá para fora, porque além de ser apertado, o vestido, tinha um decote que lhe chegava ao umbigo. E como ficou na 1ª fila, o sr. Jaime, que é o maestro, distraiu-se a subir os degraus do palco, tropeçou e caiu para cima da Idalina, que é uma moça a atirar para o forte e espetou-lhe a batuta no pandeiro, que é o instrumento que ela toca. Pior ficou o Damásio, que é o organista, porque levou com os cento e tal quilos da Idalina em cima, e não ficou capaz de tocar. A bem dizer, o sr. Jaime também não ficou nada bem e teve que ir levar uns pontos no sobrolho ao hospital, porque bateu na borda do bombo. Bem feito, que não tinha nada que andar a deitar o olho ao que não devia. 
Ora este incidente deu como resultado que a pequena banda que o Jacob tinha arranjado, e de que ele diz que é o mecenas – em dias de ensaio, ele fornece bifanas, coiratos e cervejas com 10% de desconto – e que andava a ensaiar há quase 3 meses, se viu privada do maestro, organista e mesmo o pandeiro da Idalina ficou só a 50%, o que constituiu um rude golpe. Ainda se ponderou a hipótese de eles não tocarem, mas o Jacob ficou piurso e disse que não admitia que o seu lucro (como era noite de gala, aproveitou para cobrar entradas e pôr os preços ao nível do Bica do Sapato) fosse por água abaixo e nem sequer queria pensar em devolver a massa das entradas. O Guiomar, que é um velhote que toca violoncelo, disse que sem as indicações do maestro era difícil, mas o Jacob disse-lhe para tocar de ouvido. Ora o Guiomar é um bocado surdo, e ainda por cima, cada vez que tocam juntos, mete uns algodões nos ouvidos, porque diz que o trombone do Alfredo, que toca mesmo atrás dele, lhe faz dores de cabeça (mas eu acho que isso é por causa das porradas que a vara do trombone lhe dá de vez em quando na cabeça, e não por causa da música, embora se diga que o Alfredo também não é nenhum portento). Portanto, já devem estar a imaginar o salsifré que aquilo deu. Era cada um a tocar (?) para seu lado, e até o cão do Jacob que estava muito sossegado atrás do balcão, fugiu a ganir. 
Bem, mas isto não foi o pior. Isso foi mesmo quando o Afonso subiu ao palco para cantar o fado. Era a primeira vez que ele cantava desde que regressara dumas férias numa ilha das Caraíbas de cuja não vou especificar o nome, que lhe tinham saído numa rifa da mercearia do Alecrim, e que não tinham sido nada do que ele tinha imaginado. É que o se o hotel era mais mixuruca que uma pensão do Intendente, a praia, que nos postais era uma maravilha tropical, quando ele lá chegou constatou que os seus clientes mais numerosos eram os tubarões. O pior foi que ele só deu por isso depois de se atirar ao mar. A Arminda, que é a mulher, bem lhe gritou que lhe parecia ter visto uma barbatana suspeita, mas ele já ia em pleno voo a mergulhar e um tubarão ferrou-lhe logo o dente, embora de fugida, porque ele ainda se conseguiu pirar e não teve danos de maior. Pelo menos as marcas não são muito visíveis embora um bocado embaraçosas. Quer dizer, quem olhe para ele ninguém diz que sofreu um ataque de tubarão. Só se dá por isso quando ele abre a boca para cantar e desde a noite da récita, a alcunha dele é o “Farinelli das Trinas”, ele que antes era conhecido como o Rouxinol da Madragoa. Oxalá que ele não descubra que fui eu que lha pus. De qualquer forma, ele também não sabe quem foi o Farinelli. 
Claro que aquilo foi a machadada final no espectáculo, e o Jacob nem teve coragem para impedir as pessoas de sair. A Elisa (que já foi multada pela Câmara por partir os globos dos candeeiros da rua, quando se punha à janela a cantar) ainda se ofereceu para substituir o Afonso, mas aí é que foi a debandada geral, até o Jacob correu a guardar os copos que ele diz que são de cristal, mas que eu sei que ele comprou num armazém de venda de vidros por grosso. 
Claro que para mim que já contava com qualquer coisa do género, aquilo até foi uma noite para recordar, mesmo tendo-me ficado cara, com entradas que não comi, mas que o Jacob fez questão de cobrar - disse que é assim nos restaurantes finos - , coiratos e uma mine. Ainda por cima, quando abri a janela para o fresco da noite entrar, lá estava Vidal e a mulher a divertirem-se, que nem uns malucos (porque mesmo lá longe bem ouvia a algazarra), ela deitada de costas na cama (só lhe conseguia ver os pés), e ele em cima do psiché todo nú, só com uma echarpe à Alfredo Marceneiro e a cantar a Mariquinhas. 
Portanto, está-se mesmo a ver que a noite não foi má para toda a gente!