Hoje é a sério.
Nesta semana que passou, ocorreram dois ou três episódios que mereceram a minha reflexão.
O 1º foi aquele no Prós e Contras, do jovem empreendedor de 16 anos, que teve a ideia de mandar fazer umas roupas cool e cujo negócio prosperou tanto que agora já exporta e tudo, e que a certa altura do discurso, foi interrompido por uma das convidadas do programa, que lhe chamou a atenção para o salário (mínimo) pago normalmente nas fábricas de confecção.
Respondeu-lhe o moço, que era preferível os trabalhadores ganharem o salário mínimo que estarem no desemprego.
Quem ouvisse e analisasse com atenção o “diálogo” louvaria a noção de empreendedorismo do rapaz, não deixando, no entanto, de dar também razão à observação da interlocutora.
Pelo contrário, o que sucedeu pelas redes sociais foi uma espécie de batalha direita/esquerda, pró/contra as posições dos dois interlocutores.
Se tivessem tido a paciência e a frieza de analisarem ambas as intervenções reparariam e anotariam que se o rapazinho não tivesse atrás de si o respaldo financeiro de um adulto (provavelmente o pai) a boa ideia do moço, não sairia do papel.
Ninguém acredita – digo eu – que qualquer rapaz de 16 anos (ou até um adulto) que se apresente hoje numa entidade bancária com uma boa ideia numa mão e o pedido de financiamento na outra, não receba com toda a certeza como resposta, uma sonora gargalhada.
Depois, a intervenção da interlocutora, embora razoável, foi pouco inteligente no seu timing, e recebeu uma resposta completamente demagógica (embora desculpável face à idade do rapaz, que se deve ter limitado a repetir o que tem ouvido vezes sem conta) que foi imediatamente aplaudida por uma plateia que, qual cão de Pavlov, nem sequer reflectiu que o que o rapaz no fundo disse, é que é preferível passar fome do que ser um sem-abrigo.
(os outros dois, ficam para mais logo)
Interpretar bem um e outro depende do lado que nós estamos...
ResponderEliminarFico à espera dos outros dois :)
Beijinho :)
Concordo com a tua opinião! Embora considere que o aplauso foi mais devido à falta de timing da sujeita e ao mofo infeliz como se pronunciou (parecia que o rapaz é que era o capitalista, explorador dos empregados da fábrica), interrompendo o garoto, do que propriamente em relação à tirada deste.
ResponderEliminarDe qualquer das formas também acho preferível passar fome do que ser sem-abrigo E passar fome!
Beijocas!
Este assunto toca-me e vais permitir-me o desabafo.
ResponderEliminarTrata-se da minha esfera pessoal, mas não vejo motivo para que não seja público.
Eu, do alto da minha licenciatura e anos a perder de conta de experiência (cargos de responsabilidade) sendo TOC (Técnica Oficialde Contas) e tendo de pagar religiosamente as quotas à Ordem a que me obrigam estar inscrita, estou desempregada.
Neste momento e depois de centenas de CV enviados e entrevistas sem resposta declaro que o salário minimo que oferecem seria aceite com todo o gosto por mim.
Para além da parte financeira há uma unutilidade que cresce dentro de nós e quase dá vontade de pagar para trabalhar.
Pode parecer estranho,mas até gosto e tenho brio no trabalho
Porém, não existe.
Entristece-me o caminho que o país está a tomar e é pena as plateias estarem cheias de pessoas com empregos fixos e estáveis (ainda os há).
Só passando pela situação...
Por agora se houver por aí um trabalhito qualquer...horas...part-time...estou disposta a tudo.
Como dizia o outro (noutro contexto): -'deixem-me trabalhar'.
Um beijinho e podes apagar o comentário, Vic.
Concordo com a Pérola...
ResponderEliminarUm dia destes uma amiga minha telefonou-me a dizer que tinha o filho em casa, desempregado. Estava desesperada porque o rapaz saía de manhã para entregar curriculuns porque já desistiu de mandar pela net, ao menos viam-lhe a cara e a apresentação. Tem uma licenciatura mas vai a lojas e todo o tipo de sítio para arranjar qualquer coisa. Até para a cozinha de restaurantes já se ofereceu. Passao o dia inteiro fora de casa e às vezes sem comer nada palmilhando ruas a pé. Quer um trabalho para não se sentir um inútil, nem que seja somente a ganhar o subsidio de refeição para não se sentir pesado aos pais, ambos reformados.
Fiquei triste com a situação dele mas não pude valer à minha amiga... dos conhecimentos que tenho ninguém está a meter empregados, se os pudessem despedir, dizem-me alguns...
E a situação é esta.
Achei a intervenção da senhora muito extemporânea, não só pela idade do rapaz, como da forma como o fez.
Um abraço