Acho que as minhas leituras ando muito de acordo com os meus estados de alma.
Falo de livros, não de revistas ou jornais, claro, que aí, dou sempre preferência aos desportivos e às revistas cor-de-rosa, para estar a par das desgraças do meu clube, das aventuras sexuais do Castelo-Branco, das desventuras da Luce e das badalhoquices que se passam na Casa dos Segredos.
Ora bem, neste momento a minha cabeça só dá para ler um livro de espionagem levezinho do Ken Follet o "Vale dos Cinco Leões" – estou a ganhar coragem para me atirar aos dois 1ºs volumes da trilogia (“O Século”) que ele anda a escrever -, um histórico muito interessante do Sérgio Luís de Carvalho, "O Exílio do Último Liberal", que fala dos Divodignos, que foram uma espécie de embrião da Carbonária, mas especialmente dos ressurrecionistas*.
Por último, ando também a ler a
"Enciclopédia dos Serial Killers"**, de Harold Schechter e David Everett que é uma espécie de manual sobre tipos muito simpáticos que têm vivido em vários locais do planeta, e que dedicaram a sua vida encurtar a de outros, e nalguns casos até se davam ao cuidado de os dividir em várias partes, só para darem alguma emoção às suas vidas, e para arranjarem uns puzzles jeitosos para os polícias - que têm sempre uma vida muito monótona a passar multas e espancar manifestantes - se entreterem.
E tenho-me entusiasmado bastante ao ler os requintes dos que torturavam e desmembravam as vítimas, embora até agora, o que mais me divertiu, foi aquela história do alemão que pôs um anúncio no jornal procurando por alguém disposto a ser executado e comido, e eis que lhe apareceu um voluntário à porta e ele não se fez rogado.
E tenho-me entusiasmado bastante ao ler os requintes dos que torturavam e desmembravam as vítimas, embora até agora, o que mais me divertiu, foi aquela história do alemão que pôs um anúncio no jornal procurando por alguém disposto a ser executado e comido, e eis que lhe apareceu um voluntário à porta e ele não se fez rogado.
Ora bem, estas leituras e mais as belas notícias que todos os dias ouço da boca dos governantes nos telejornais, parecem terem-me tomado conta dos instintos e fui ontem à Polux comprar duas facas
de lâmina japonesa, uma de trinchar e outra de desossar e um cutelo, e aproveitei para passar no Aki e comprei uma tesoura de podar e um serrote.
Agora vou aproveitar, e como moro aqui mesmo ao pé, quando tiver que passear o canídeo à tarde, a minha voltinha vai começar a passar ali por São Bento.
A começar já no dia 15, que parece que é odi a da entrega do Orçamento de Estado na Assembleia.
* - Ressurrecionistas - Na altura - o romance passa-se por volta de 1830 - como não havia dadores, os professores de medicina das faculdades tinham grandes dificuldades em obter "matéria prima". Ao mesmo tempo, e segundo a lei então em vigor, os cadáveres não pertenciam a ninguém. Portanto, a coberto da noite, os ressurrecionistas desenterravam os mortos enterrados durante o dia, despojavam-nos das roupas que deixavam na cova acabada de abrir - curiosamente, se levassem as roupas e fossem apanhados, seriam considerados ladrões, e poderiam ser condenados à morte – e levavam-nos aos professores de medicina que lhes pagavam o preço pré-estabelecido.
** - O opúsculo, além da divertida matéria que aborda, exibe também, não só os retratos de muitos dos tunantes que praticavam as façanhas descritas, mas também de vários dos magníficos utensílios por eles usados, pelo que aconselho vivamente não só a sua leitura antes de se adormecer, como dá-lo a ler às criancinhas que de lá podem tirar algumas boas ideias para as suas traquinices na escolinha.














