quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Insofismável


Le juge a dit à Jules:
Vous l'avez tué
Oui! j'ai tué ma femme
pour tant que je l'aimais
Le juge a dit á Jules:
Vous aurez vingt ans
Jules a dit:
Quand on aime on a toujours vingt ans


Antoine, Les Elucubrations d'Antoine

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Canções da Vida (5) - Jeff Buckley - Hallellujah; Lover u should've come over


A família Buckley parece estar destinada à condenação eterna.
Tim Buckley, em fins dos anos 60, era um dos mais conhecidos compositores no panorama da música pop anglo-americano. No entanto, as drogas encurtaram-lhe a carreira, e acabou por morrer com uma overdose de heroína, numa altura em que tentava relançar a sua carreira. Tinha então 28 anos,
Anos depois, o filho Jeff, dedicou-se ele também à música. Em 1995 edita-se o seu único album de inéditos, do qual fazia parte este cover da canção de Leonard Cohen "Hallellujah". Chama-se o Grace e é, na opinião do escriba, provavelmente o melhor album de música popular da década de 90.
Se me pedissem para descrever Grace, não o saberia fazer. Talvez que é uma tempestade de emoções.
Dois anos depois, com 31 anos de idade e quando trabalhava na sua 2ª obra de grande fôlego, num triste fim de tarde de maio, decidiu tomar banho vestido no Rio Wolf. O seu corpo foi encontrado 6 dias depois. ´
A música popular perdia assim uma das suas mais promissoras personagens, Jeff Buckley, senhor de uma voz inigualável.
Já agora, porque esta também está na minha lista:

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

E o´Óscar Vitalício vai para...

...tcharam....

Estória (sem moral)


D, um rapaz de voz potente, preparou cuidadosamente a sua estreia como fadista. Tudo se conjugava para que tivesse sucesso, até o seu marialvismo latente e ostentado de forma quase indecorosa.
O espectáculo decorreu no Salão da junta de Freguesia.
Como se adivinhava, triunfou. O público não lhe regateou aplausos.
Generoso, ovacionou mesmo de pé, clamando:
-Bravo! Bravo!Bis! Bis, Hugo, Bis Hugo, Bis...ugo! Bisugo!

Foi nessa altura que passou um gato e o comeu.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Man, your balls must hate you!


O meu estilo de vestir encaixa-se bem no “very british”. E cuidado.
Mesmo no verão, sou incapaz de sair à rua com umas bermudas amachucadas, ou uma t-shirt suja. Tal como sou incapaz de sair de fato e com sapatos inadequados (ténis, por exemplo, acho uma tremenda falta de gosto).
Não creio que esta confissão tenha algo de mal. Freud deve explicar, e não percebo aquelas meninas que gostam de se vestir bem, e arranjam namorados ou maridos que aparecem no emprego parecendo que dormiram na máquina de lavar roupa (já a Lady Grafstein é todas as manhãs engomada).
Uma das coisas em que reparei nos últimos tempos, foi que a alguns jovens têm uma dificuldade notória em determinar exactamente onde têm a cintura, porque lhes vejo para aí metade das cuecas.
Outra, tem sido a questão da largura das pernas das calças. Digamos que há dois estilos distintos de corte de calça, a inglesa e a italiana. No corte inglês - e atenção que me estou a referir somente a calças ditas normais, e não a jeans ou chinos - a calça cai a direito até bater no sapato; no italiano, a calça é mais justa e vai estreitando ligeiramente, igualmente até bater no sapato, embora actualmente haja a tendência para serem usadas um pouco mais curtas de modo a deixar ver um centímetro (mais ou menos) das meias.
Claro que como a linha italiana é mais “flutuante” - é a que as grandes cadeias europeias mais adoptam - e, consequentemente, mais dada a excessos. Portanto, agora é vulgar verem-se calças a “acabarem” dez centímetros ou mais, acima dos tornozelos, ou tão apertadas, que eu acho que os que as usam nunca serão pais.
Aqui há dias estava numa esplanada a beber um café e passou um rapaz - aí nos seus vinte e tais - com umas tão apertadinhas, tão apertadinhas, que eu pensei:
“Man, your balls must hate you!”

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Fatalidades



Ontem, manhã de quarta-feira de cinzas, este microcosmos onde vivo, acordou chocado: na noite anterior tinha falecido a avó do Marcelino,.
O senhor do INEM disse que não havia nada a fazer“ diziam algumas vizinhas, “Coitada, tão nova”. Bem, a senhora tinha 90 anos, mas calei-me. “Morreu enquanto dormia. Ainda bem, não sofreu, a pobre
Portanto, para mim e até às 11 da manhã, hora a que encontrei o Marcelino, a defunta tinha sucumbido a a um ataque de coração fulminante.
Depois, é outra história e conta-se em poucas palavras. O Marcelino mora novamente com a mãe e a avó desde que se divorciou pela 3ª vez. A mãe conhece-o suficientemente bem para, quando ele se casou pela 1ª vez já com um pouco mais de 30 anos, nunca lhe ter “desfeito” o quarto. Isto é, ela sabe que os casamentos nunca duram muito, e entre casamentos, o Marcelino tem sempre ali o seu aconchego. E muito personalizado, que ele guarda lá coisas do tempo da pré-primária. Mas para definir o quarto dele, poder-se-ia dizer que é um caos organizado (um reflexo exacto do cérebro do proprietário), Caos…porque é um caos. Organizado, porque se, por exemplo alguém lhe pedir um livro ou um filme - e ele tem literalmente, montanhas deles - ao fim de 5 segundos tê-lo-á na mão.
Nesta altura, deve-se uma explicação: uma das suas paixões são os zeppelins e os balões de ar, assunto sobre o qual possui ampla bibliografia, bem como uma colecção de filmes - em DVD e VHS - muito apreciável.
Ora um dos passatempos favoritos da senhora era ver televisão, e nessa noite ter-se-á queixado com alguma irritação à filha, que na televisão não estava a dar nada de jeito. Foi aí que a filha cometeu o erro da sua vida: o Marcelino não estava e ela entrou-lhe no quarto. Deu uma olhadela a uma pilha de filmes e escolheu um cuja lombada exibia o sugestivo nome “The Big American Balloons”, deduzindo ser sobre uma das mais características pancadas do filho. Chegou à sala, meteu o filme no leitor de dvd, carregou no play, virou-se para a mãe e disse: “Entretenha-se”, e foi para a cozinha. Voltou daí a um quarto de hora, estava já a velha senhora esticada no sofá, de olhos esbugalhados e sem sinal de funções vitais.
Foi quando se virou para a televisão alertada por uns sons estranhos que de lá vinham e viu que o filme que tinha metido no leitor, não era exactamente sobre o assunto que supunha ser.
Enfim, uma fatalidade.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

As coisas boas vêm sempre aos pares

E não, não estou a falar do que vocês estão a pensar, nem de qualquer outra parte da anatomia feminina.
Vamos ao que interesssa:
Um texto do ente do norte sobre uma sua fobia, a coulrofobia - para os menos afectos a isto das fobias, esclarece-se que se trata de aversão a palhaços, o que nos dias que correm não deve dar jeito nenhum, tal a profusão com que nos aparecem pela frente nos jornais, telejornais, etc - encerrava com a pergunta sobre se os seus leitores também sofreriam de alguma fobia ridícula.
No fim, achei a fobia dele muito fina se comparada com a minha, que seria - supunha eu - do mais pindérico que há: acrofobia, que define o medo das alturas.


No entanto, este meu medo tem algumas particularidades: não receio estar no último andar do Empire State Building, das torres de Kuala Lumpur, ou mesmo do Woodskyscraper (até porque nunca estive em qualquer deles), desde que esteja da parte de dentro das janelas. Também não receio andar de avião e nunca tive que tomar calmantes para o fazer (embora cada vez menos goste, lembro-me que da última vez que regressei de Paris, encafuado numa sala de espera mais pequena do que é habitual e sobrelotada, dei por mim a suar e a olhar de soslaio para os meus companheiros de viagem à procura num deles, da fisionomia de um potencial terrorista, que poderia a qualquer altura sacar de uma bomba de debaixo da gabardina e fazer explodir o avião).
Ora são estas particularidades que afinal fazem toda a diferença. É que após buscas aturadas, cheguei à conclusão de que não sofro de acrofobia. A minha fobia é muito mais requintada e chama-se Abissofobia, isto é, medo de abismos e precipícios. E não é só, também sofro de Aeroacrofobia, definição para o medo de lugares abertos e altos.
Quer dizer, assim de uma penada, passei de sofrer de uma vulgar e ordinaríssima fobia para sofrer de duas e muito mais requintadas.
De repente, senti-me um homem novo

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O acordo ortográfico e os meus amigos brasileiros

O casal de que falo hoje, é brasileiro - nordestino, mas vivendo há muito em S. Paulo, já perderam algum do seu sotaque - simpático, bem disposto e culto. Conhecemo-lo há um par de anos numa ruazinha do nosso bairro - a Madragoa - à procura do Museu de Arte Antiga. Ele chama-se Clodovildo e ela Benta Escolástica.
Nesse dia levámo-los até ao Museu, e eles insistiram em nos voltarmos a encontrar para jantar, o que aconteceu nesse dia num discreto restaurante ali ao pé, e divertimo-nos na conversa, que foi da situação política em ambos os países, ao futebol - torcem ambos pelo Santos - e pasme-se, falou-se do acordo ortográfico, que na altura estava em discussão cá e lá. Achavam ambos que era um disparate completo. Confesso que na altura não tinha uma ideia muito definida, mas, embora nenhum dos dois fosse professor, tinham argumentos que quase me convenceram do disparatado da ideia (ainda hoje tenho muitas dúvidas).
Depois, disse-me ele a certa altura:
- Tenta escrever o que eu digo, tal qual digo, e verás para que serve o acordo.
Naquele momento, a ideia pareceu-me não fazer sentido. Ou antes escusada porque estava á vista(?): por vezes tinha alguma dificuldade em “segui-lo”
Mas neste fim-de-semana, o Clodovildo telefonou-me a dar-me novas, e a conversa - muito curta, mas concisa e elucidativa - foi de tal modo que não resisti a registar mentalmente, para desta vez sim a transcrever tal e qual me soou, e avaliar da oportunidade do acordo ortográfico.
- Oi meu chapa
- Olá, Clô. Tudo bem com vocês?
- Tudo, e por aí?
- Também, amigo
- Tchi ligo para dizê a você que eu e a Benta tâmo dji malas feita para voarmo para a Europa. Nós vamo até Paris, e djipois Madri.
- E não vêm até cá?
- A gentji ainda não sabe. Nós vamo em Paris passá uns três dia, djipois vamo em Madri, mas só por dois dia - a Benta quer ir no Museu Ráinha Sôfia - e dji lá, vamo em Casablanca.
- Marrocos, Clô?
- Sim, nós nunca fômo lá
- E depois de Casablanca?
- Aí, nós vai em Rábá
- Vão quê?
- Nós vai em Rábá, meu chapa. Tu não conhece? É outra cidade em Marrocos
- Sim, eu sei, Clô. Mas á primeira, isso soou-me muito mal. E da segunda também não me soou muito bem.
- Ah! Será do fôni? Tá-mí ouvindo milhó agora? Mi mudei para ao pé dji uma janela.
- Sim, Clô. Estou-te a ouvir perfeitamente. Não ligues ao que eu disse, eu explico-te quando vieres a Lisboa.
- Tudo bêm, meu chapa. A gentji si fala. Vamo vê si convenºço a Benta a passá por aí quando viermo. Tu sabi qui o Riau está caro. E djipois, precisamo arranjá alguém para ficá com as criança, mais dois ou três dia. Eles vão ficá em casa de um cara que é meu xará, mas só podem ficá sete dia.

Depois, foram mais umas trivialidades e as despedidas normais, aguardando agora que o Clô e a Benta apareçam por aí. Mas penso que o pedaço aqui descrito é bem demonstrativo do que o Clodovildo queria dizer.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Último Herói (Sino-) Americano...

...ou como a história do "American Dream" continua a persistir.

No ano que vem, perfazem-se 40 anos sobre a última vez que a cidade de Nova Iorque festejou com a sua equipa de basquetebol - os New York Knicks (diminutivo de knickerbockers) - pela última vez, um campeonato da NBA.
O basquetebol sempre foi o meu desporto favorito, e desde que His Airness Michael Jordan apareceu, sigo aquele campeonato com atenção, e a torcer pela equipa dos Chicago Bulls, que era onde jogava Sua Majestade, e que conquistou 6 títulos na década de 90 do século passado.
Pois enquanto a cidade de Chicago festejava 6 vezes, Los Angeles 5, e outras cidades menos notórias também tinham o seu quinhão de vitórias - como San Antonio - a mui poderosa Nova Iorque procurava construir equipas capazes de alcançar o titulo, mas sem sucesso. Por muito que adeptos indefectíveis como Spike Lee gritem e chorem noite após noite no Madison Square Garden, os anéis nos dedos dos seus jogadores continuam a ser miragens.
E eis que alguns gigantes e muitos milhões de dólares depois, aparece um rapazito de aspecto franzino - 1,91m e 90 kg, (para jogador da NBA pode-se considerar um peso-pluma) - de origem chinesa (os pais dele emigraram de Taiwan para os EUA, onde ele nasceu) chamado Jeremy Lin, veio dar um novo alento aos desanimados fãs dos Knicks. Tendo entrado no ano passado para a NBA contratado pelos Golden State Warriors, pode-se dizer que passou quase desapercebido, o mesmo se passando nas 1ºs semanas nos Knicks -por quem foi contratado para a corrente época - onde foi aquecendo os últimos lugares do banco de suplentes.
Até que num repente, a equipa ficou sem 3 dos seus melhores (e mais caros) jogadores - dois por lesão, outro devido à morte de um irmão - e Lin teve a sua oportunidade. Que aproveitou. O rapazito que dividia um modesto quarto com o irmão nos subúrbios de Nova Iorque, nessa noite foi pela 1ª vez titular na equipa e brilhou, sendo considerado o melhor jogador em campo. Os Knicks, que vinham de uma miserável série de 15 derrotas para somente 8 vitórias com todos os seus craques, sem eles mas com Lin, ganhava o 1º jogo de uma série que neste momento já vai em 7, sempre com o sino-americano em grande plano.
Hoje, e passadas somente duas semanas, NI foi assaltada pela Linsanity e rende-se ao fenómeno, ao “herói instantâneo”, e sabe-se como os americanos são nestas coisas de pôr um dos seus no topo do mundo.
O mais curioso da história, é que o rapaz que há menos de um mês era quase um anónimo, passou a ser disputado por 3 países como seu: os EUA, naturalmente, Taiwan, porque é a sua origem, e a própria China Popular porque ao que parece uma avó de Lin, teria transitado do continente para a ilha, que, como se sabe, a China sempre considerou como parte integrante do seu território.
É difícil de prever se a carreira de Lin prosseguirá ao mesmo nível - difícil, difícil - mas uma certeza existe já: Lin irá estar no jogo All-Star do próximo ano. Os chineses - da China Popular, de Taiwan e dos EUA - tratarão de o eleger para tal.

"Algumas pessoas querem que algo aconteça, outras desejam que aconteça, outras fazem acontecer." - Michael Jordan

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Wink, ou de como as mulheres gostam de complicar


Aqui fala-se de nails e gel. Ou de nails de gel. Confesso a minha ignorância sobre o assunto, o que demonstra mais uma vez a minha pouca versatilidade em assuntos de beleza feminina. Como aliás, em quase todas as matérias.
A 1ª vez que soube que existiam unhas de gel, foi num dia 4 de Julho de há uns 3 anos, quando fui aqui ao café da esquina, o 44, e ao meu lado estava a minha vizinha da frente a comer um guardanapo e a beber um chá de camomila. Reparei então que tinha as unhas compridas - a fazerem pendant com as pernas e o resto do corpo - e em cada uma delas, pintada uma bandeira dos EUA. Não me admirei de ser aquela bandeira - a rapariga é portuguesa, mas faz a vida dela em Los Angeles - mas do tempo gasto e do trabalho que aquilo lhe teria dado. Só uns tempos depois, quando comentei o caso com a minha mulher, ela disse-me que aquilo eram unhas de gel e explicou-me como aquilo funcionava, que não eram pintadas uma a uma.
Agora, nesse género de novidades, o que me fascina mesmo são as banquetas da Wink. A 1ª vez que passei por uma no CC das Amoreiras fiquei espantado: 2 ou 3 moças novas, de pé, faziam movimentos estranhos á frente da cara de 2 ou 3 raparigas/senhoras menos novas, sentadas. Fiquei bem uns 2 ou 3 minutos como que paralisado pelos movimentos das mãos das raparigas de pé. Que faziam elas com as mãos? Hipnotizavam as que estavam sentadas, que se mantinham ali, estáticas, firmes e hirtas?
Passado um tempo, e quando me dispus a dar conta da minha inquietação sobre aquilo a que tinha assistido, e foi-me explicado que se tratava de uma técnica oriental de arranjar as sobrancelhas com um fio de algodão. Portanto, o que as “sobrancelhistas” (não sei se será esse o nome correcto) tinham na mão e eu não via àquela distância, era um fio. Continuo a achar aquilo muito estranho. Com uma pinça não seria mais rápido?
Não sei como é que a Não+Pêlo funciona, mas se for daquela forma, um tipo género Toni Ramos que lá entre pressionado pela namorada que o só quer ver depois de uma depilação completa, só de lá sai já ela está casada e grávida do 1º filho. Na melhor das hipóteses.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Preconceituoso sim, com muito gosto

O acusado só poderá ser considerado culpado, depois da sentença ter transitado em julgado” Esta é, provavelmente, a frase de Direito, que nos últimos anos mais se tem ouvido e escrito em Portugal.
Contudo, sabe-se que a maioria dos portugueses reagem nos casos jurídicos de maior repercussão ignorando essa, digamos, “lei”. Os portugueses sabem do caso, avaliam por si próprios e condenam ou absolvem…conforme a simpatia que nutrem ou não pelos acusados.
Veja-se por exemplo o caso de Isaltino Morais (que por acaso até já foi condenado umas poucas de vezes pelos tribunais): se questionados, a generalidade dos portugueses não terá dúvidas sobre a sua culpabilidade, excepto uns milhares que votam nele em Oeiras. Em relação a Fátima Felgueiras (que até já foi absolvida), a coisa passar-se-á mais ou menos da mesma forma: culpada, excepto para uns milhares de felgueirenses que já votaram nela e para os seus amigos e família.
Em relação ao caso “Casa Pia”, e tomando como exemplo o acusado mais mediático, Carlos Cruz, o país divide-se: para uma parte significativa da população é culpado, um pedófilo que merece ir para a prisão. Porquê? Porque confiam piamente na justiça que se pratica em Portugal. Tal como acreditavam nos antigos Tribunais Plenários, quando estes condenavam anti-fascistas sem provas. “Se foram condenados, é porque são perigosos comunistas!”.
Os restantes portugueses acham que foi tudo uma cabala. E em que se baseiam para assim pensar? No facto antigamente gostarem muito dos programas dele na televisão.
Isto é, os portugueses são na sua maioria preconceituosos. Como eu.
Mas o caso de Jonathan King, o homem que escreveu e canta a canção abaixo, não se passou em Portugal. JK foi acusado na Inglaterra em 2000 de ter mantido relações abusivas com 6 adolescentes de 14/16 anos entre 1983 e 1989. Em 2001, apesar de se ter sempre declarado inocente, foi condenado a 8 anos de cadeia, condenação à qual se opuseram alguns dos mais conceituados e abalizados especialistas em Direito Penal do Reino Unido, alegando eles que JK não teria tido direito a um julgamento justo. Cumpriu mais ou menos 4 anos, saindo em liberdade condicional em 2005, e reacendeu o caso, continuando a clamar a sua inocência. A partir daí, foram-se provando vários vícios que tinham enfermado o julgamento de King, e muitos pedidos de desculpas lhe têm sido apresentados.
Não sei se Jonathan é culpado dos crimes que lhe foram imputados. O que sei é que fez músicas como “Everyone’s gone to the moon”, que me deram grande prazer ouvir. E a ele se deve também o despontar dos Genesis, pois que foi o produtor do álbum “From Genesis to Revelation”.


Portanto, para mim, que abomino pedófilos mas que também sou português e consequentemente preconceituoso, será sempre inocente.

Canções da vida (4) - Jonathan King - Everyone's gone to the moon


Esta canção é de 1965. A melhor definição que lhe arranjo é que se trata de uma música feliz. Ou capaz de fazer as pessoas sentirem-se felizes.
Quanto ao resto, lá iremos...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Algumas considerações sobre Cinema


Há umas semanas, num daqueles canais Discovery, vi um documentário sobre os autóctones da Papua-Nova Guiné e os seus hábitos canibais, que creio, hoje terão sido erradicados de vez pela civilização, embora possam ainda suceder casos esporádicos.
Por associação de ideias recordei-me de uma época em que os filmes sobre canibalismo e zombies estiveram em moda por Lisboa, em princípios dos anos 80, numa altura em se estava em pleno boom dos filmes pornográficos. E se os primeiros apareceram como uma vaga repentina, os segundos tinham feito um caminho algo lento desde o 25 de Abril, começando nuns filmes eróticos franceses e italianos – quem se esquece dos filmes de Dino Risi ou do “Malícia” e das maravilhosas e provocadoras curvas de Laura Antonelli – até se chegar ao hardcore norte-americano made in Van Nuys, Los Angeles.Curiosamente, a exibição destes filmes concentrava-se mais numa espécie de “triângulo das Bermudas” lisboeta, situado na Rua do Conde/Portas de Santo Antão, e que era composto pelos cinemas Politeama (frente ao qual se situava então o 1º Peep-Show de Lisboa)/Odeon/Olímpia, sendo que os dois 1ºs eram especialistas em filmes de canibais e zombies, e o Olímpia nos pornográficos.
Por essa altura, eu e o Marcelino frequentávamos uma cervejaria que ficava num local deliciosamente estratégico, que nos dava uma visão geral das entradas e saídas dos 3 cinemas. Muitas vezes sentávamo-nos durante largos períodos e eu ouvia sempre atento, os comentários – muito assertivos – do meu companheiro:
- “Já viste que apesar de ambos os géneros de filme serem igualmente escabrosos, ao Politeama e ao Odeon vão famílias inteiras que entram normalmente em filas organizadas, e ao Olímpia só vão gajos sozinhos com a gola do casaco levantada e que olham para todos os lados antes de entrar?
Algumas vezes respondia-lhe:
- ”Olha, afinal vai ali um casal a entrar para o Olímpia” e ele:
- “Coitado, logo à noite o tipo vai ser enxovalhado pela namorada. É que não há como não fazer comparações”.
Realmente algumas vezes a nossa conversa prolongava-se e ainda dava para ver sair alguns desses casais, e a verdade é que na maioria dos casos saiam envoltos num silêncio eloquente (um oximoro fica sempre bem nestes escritos), e uma estranha distância entre os dois. Outras vezes, ela exibia um sorriso irónico enquanto ele não tirava os olhos do chão.
Bem, as ideias do Marcelino eram claras quanto á semelhança dos dois géneros cinematográficos:
- “Repara: em ambos se consumam um de dois pecados mortais: a gula e a luxúria (em alguns até os dois e o que nunca ninguém me explicou é porque é que um gajo que sucumbe à luxúria tenha lugar garantido no inferno, e um tipo que morre com um pontapé dado nos testículos pelo irmão, vá para o céu). Em qualquer dos casos, os principais alvos são geralmente mulheres, e em ambos, os protagonistas praticamente só comunicam através de sons guturais de maior ou menor amplitude sonora, e atacam as “vítimas” com grandes mocas. É por isso que raramente vês entrar casais para o Olímpia, percebes? É a tal problemática das comparações”.
O que é certo é que os filmes sobre canibais assim como apareceram qual erupção cutânea, assim desapareceram ou quase – o Hannibal Lecter foi um caso aparte – os filmes pornográficos definharam, e das 3 salas, só o Politeama resiste, agora entregue aos desvelos do LaFéria e a espectáculos muito menos emocionantes.
Há dias, recordei com o Marcelino esses tempos, e explicava-me ele, cinéfilo emérito especialista em filmes obscuros, a causa do declínio de ambos os géneros de filmes:
- “Bem o canibalismo teve o seu tempo, e como não é um tema actual – hoje as pessoas têm maneiras muito mais civilizadas de se comerem umas às outras – passou. Como os filmes de cowboys. São raros. Em relação ao outro género, estás enganado: nunca se fizeram tantos como agora. Perderam foi muito o encanto de outros tempos, em que o realizador se dava ao trabalho de contar uma história – grande argumento para quem queria ir assistir a um porno: “Não, aquilo mete sexo (isto de meter sexo é uma redundância, claro), mas o mais importante é a história” - e os protagonistas eram verdadeiras estrelas, como a Marilyn Chambers, a Linda Lovelace ou o John Holmes, até se chegar ao magnífico neo-realismo ítalo-pornográfico do mestre Mario Salieri e das suas musas, uma das quais, Monica Roccaforte, foi uma paixão minha de anos”.
- “Quem é essa?” – Olhou-me como se tivesse proferido um sacrilégio e ripostou:
- "Não sabes? É uma húngara que estrelou muitas das obras-primas de mestre Salieri. Não me digas que nunca viste o Il Confessionale?– refiro meramente por curiosidade que ele proferia o nome do italiano sempre num tom reverencial – e enchia o ecran Depois, casou com um gajo qualquer que tinha sido parceiro dela em algumas fitas e abandonou a carreira de actriz. E com o desaparecimento dela, parece que desapareceu também a inspiração de mestre Salieri, - embora da mesma altura haja outros nomes a considerar como a Selen, a Selena Steele,  a Tabitha Stern (esta é mais nova, mas é um verdadeiro fenómeno),



Anita Dark, a Tania Russoff, a Anita Rinaldi ou a Milly d'Abraccio ou a
Tabitha Stevens
- parece que se desvaneceu, e tem sido o descalabro: os filmes deixaram de ter história e parece que são todos iguais” declarou com um certo desalento na voz. - "Mas como é que podes considerar uma tipa dessas actriz?
- “Então não? Tinha expressões faciais inolvidáveis. É verdade que falava pouco, mas os seus arquejos eram épicos. E o corpo falava por ela, que afinal é o que se pretende de uma actriz, ou não? Alguma vez ouviste uma palavra à Mary Pickford? Bem, ainda há a Jennajameson, mas não é nada a mesma coisa” Escusei-me a referir-lhe que a Pickford era do tempo do cinema mudo.
Mas acabei por me render aos argumentos dele por duas razões: 1ª- é verdade que muitas artistas do chamado cinema sério, actuam precisamente da mesma forma que a sua adorada Mónica; 2ª não achei apropriado prolongar aquele tipo de discussão durante um jantar familiar, até porque com o Marcelino, nunca se sabe como vai acabar.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A volta Xerife de Nottingham

O homem tem estampado na cara aquele esgar de fumador constante de charutos, o beiço descaído como se um deles lhe tivesse caído da boca naquele instante. Olho para o sujeito e lembro-me que se um cineasta português mais arrojado - e endinheirado - tivesse a ideia de rodar um filme baseado na grande depressão de 1929 dos EUA, seria ele quem imediatamente lhe viria à cabeça para desempenhar o papel de Al Capone.
Curiosamente, em tempos não muito distantes, desempenhou ele um papel em tudo semelhante na vida real, embora e ao contrário de Al, procedesse a coberto da lei - iníqua, mas lei - assim uma espécie de Xerife de Nottingham, sacando ao povo mas protegido pelo manto do inescrupuloso Príncipe John. E era tanta a sua arte no sacar, que os seus próprios cofres enchiam-se mensalmente mais, que os do seu protector e até com a aquiescência deste.
Uns tempos depois apearam-no do cargo, mas ele soube logo que não estaria muito tempo na penumbra. Homens com o seu calibre não se podiam perder em tarefas comezinhas. “Precisamos de um homem daqueles com eles no sítio, que faça “sangue” sem se comover”. E foi novamente chamado, agora para um cargo de maior notoriedade: teria que “tratar da saúde” - literalmente - à plebe. “Mas note, não se esqueça do seu passado: corte a direito, corte onde for preciso”. E assim, começou a sua tarefa de esbulhar o povo, desta vez não através de dízimas, mas de cortes nos poucos benefícios que ainda restavam àquela turba mal educada e mal cheirosa que por vezes tinha o desplante de apupar os "senhores" como ele. Mas ao longe, que os mandantes gostavam de frisar bem que no país ainda havia classes.
Até que um dia tomou uma decisão que afectou um grupo de gentalha que, por acaso, até lhe dava jeito: eram uns milhares de parvos que lhe enchia os cofres de matéria prima essencial a que a plebe pudesse ser curada de achaques de modo a poder trabalhar e assim continuar a contribuir com a dízima. Decidiu ele então que um insignificante benefício que lhes era concedido como paga pelo que faziam em favor do bem comum, lhes fosse retirado, que eles, ignorantes, comeriam e calariam. As usual.
Engano o seu. Dessa vez a turba não se ficou, deitou os arreios ao ar, e descaramento dos descaramentos, deixou de contribuir como era habitual, o que causou uma imediata rotura nos stocks da matéria prima primordial.
O caso era sério. Nunca ele pensara que aqueles miseráveis tomassem uma tal atitude. Como ousavam? E o pior é que lia os jornais e toda a gente se achava no direito de criticar a tal medida. Que lata!
Mas ele tinha uma inteligência superior, era manhoso, um rato. Mais, uma ratazana. E assim, deixou-se ficar na sombra e mandou um dos seus acólitos, em tom melífluo, dar explicações e apelar ao bom coração dos prevaricadores: “Que o país estava exangue, que havia que congregar boas vontades, que era alarmante a falta de matéria prima, e que não se descobria explicação para o que estava a acontecer”. Claro, nada de tocar sequer no que despoletara a situação: isso seria dar notoriedade aos imbecis.
No fim, a chantagem, afinal uma das armas que o próprio Al Capone usava: "em 2 ou 3 dias não haveria matéria prima que chegasse para ajudar a cuidar muitas maleitas que afligiam os enfermos que se estendiam nas camas dos hospitais aguardando a intervenção dos sábios".
No final, os imbecis condoer-se-iam dos seus iguais e voltariam às boas, até com vontade redobrada. Voltar atrás na decisão que tomara? Nunca! Ele era um homem de antes quebrar que torcer.
“Nem que isso custe meia dúzia de mortes. Gentalha despudorada a querer parecer importante!”

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Poesia - Trilogia(1): Manhãs

Todas as manhãs
tropeço nas raízes antigas
da árvore que se ergue
à minha porta

Todas as manhãs
tropeço nas raízes antigas
da árvore que se ergue

Todas as manhãs
tropeço nas raízes antigas

...Todos as manhãs

Estimo todas as manhãs
e as surpresas que todas me reservam

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Se as saudades matassem... . Collonges.la.Rouge






Um dos mais belos e estranhos lugares que já visitei

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A estranha questão do sapato português




Ao que tenho lido, a industria de sapatos nacional está num momento de grande fulgor, e as exportações estão a subir em flecha. Por uma qualquer razão que desconheço, procuro sapatos nacionais com padrão de qualidade que entendo ser o mínimo exigível e não consigo encontrar. Já cheguei à conclusão que os sapatos portugueses de qualidade são na sua totalidade exportados, ficando por cá somente o refugo.
O que por vezes me tem sido dito quando ponho esta questão a quem possa ter alguma opinião sobre o assunto, é que em Portugal não existe mercado para os - poderemos chamar - “topo de gama” por cá fabricados, uma vez que estes atingiriam preços incomportáveis para a bolsa do português médio.
Ora esta explicação é no mínimo estranha, uma vez que por cá se vêm à venda sapatos ingleses, americanos ou espanhóis. Então, custa-me acreditar que sapatos importados de grande qualidade possam ter mercado e os nacionais não. Um bom par de sapatos importados pode custar qualquer coisa a partir dos cento e tal euros em época normal (nos saldos o preço poderá em alguns casos baixar). Como é então possível que os “sapateiros” nacionais não consigam competir internamente com o que vem de fora?
Veja-se por exemplo o caso espanhol. Há muito que Espanha tem marcas de sapatos de boa qualidade (yanko ou Loutusse), e neste momento tem até pelo menos uma de grande qualidade (digo pelo menos uma porque é a que conheço melhor, além de que não conheço tudo o que por lá se faz) e capaz de competir com os melhores que se fazem em Northampton (o “berço” do grande sapato inglês): o Carmina.
Os das imagens são: 1- Modelo 815, forma Forrest, em vegano chestnut; 2 - Modelo 732b, forma Forest, em camurça castanha, e terão um preço a rondar os 300 e poucos euros. Poder-se-á dizer que não são baratos. Pois não. Mas também não se tratam de sapatos para durar 2 ou 3 anos e sim bem mais que uma década ou duas. O modelo torna-os intemporais, e a qualidade confere-lhes uma durabilidade inquestionável (admito que o de camurça possa ter uma vida mais curta). É só ter para com eles os cuidados mínimos de manutenção.
Agora digam-me se por cá não seria possível fabricar qualquer coisa do género a preços competitivos

P.S. - Lembro-me de uma história com uns anos: numa entrevista, um dos maiores magnates portugueses do séc. XX e conhecido pela sua sovinice, quando o entrevistador lhe disse que ao contrário do que afirmara ao dizer-se um homem muito poupado, possuía um automóvel de luxo (tratava-se de um Bentley dos anos 50), afirmou que, pelo contrário, não se tratara de um luxo, antes teria sido mesmo uma das suas melhores compras, uma vez que o carro já tinha mais de 40 anos e continuava a andar na perfeição.

Canções de vida (3) - The Moody Blues - Go Now


Começava aqui a história de sucesso de uma das grandes bandas dos anos 60. Com este single, em Novembro de 1964 atingiam o top 1 na Grã-Bretanha e algum tempo depois, figuravam no top-ten norte-americano. Nesta altura, os Moody Blues foram consideradas uma das melhores bandas de r&b inglesas. Contudo, o êxto não teve seguimento, e o renascimento dos Moody Blues dá-se mais de dois anos passados no limbo, e após algumas aterações na composição da banda. Mais importante que isso, foi a mudança de rumo: a banda abandonou os r&b para se dedicar ao então denominado rock sinfónico. E em 67 edita um dos albuns mais importantes de sempre da música popular anglo-saxónica: Days of Future Passed, que incluía uma das canções mais tocadas de sempre, a incomparável Nights in White Satin, album que alguns consideraram injustamente demasiado pomposo. . Seguiu-se o também excelente In Search of the Lost Chord. Depois, uma série de álbuns de sucesso moderado, caindo, então sim, num rock pretensioso e entediante.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

SCP - Gil Vicente: a transmissão e os comentários do inefável Rita

Não discuto sequer se a derrota de SCP foi o resultado mais adequado ao que se passou no relvado. Apesar de pensar que não, já todos estamos fartos de vitórias morais.
O que ponho em causa é a honestidade da transmissão e a forma pouco decente como o jogo foi comentado.
Explico: quem fez a transmissão, tinha ao seu dispor meios para demonstrar que a falta que origina o golo do Gil Vicente é feita fora da área, pelo que a grande penalidade não se justificava. Teve os meios, mas não os mostrou porque as repetições que se seguiram mostraram sempre a jogado vista do mesmo ângulo, cujo dava a ideia de ter sido legal o penalti. Contudo, e quando se tratou da jogada em que Matias Fernandez sofreu falta dentro da área e que o árbitro ignorou, a mesma foi repetida dos mais variados ângulos, como que a querer demonstrar que a jogada teria sido muito duvidosa, e como tal, a decisão do árbitro até teria sido plausível.
Os comentários foram feitos pelo inefável Joaquim Rita. É claro que o sujeito, e até ao fim do jogo, ignorou de forma acintosa que o penalti contra o SCP não o tinha sido, e tendo ele - ao contrário do espectador comum - acesso ás imagens da jogada de outros ângulos que não a que foi mostrada, teria a obrigação de informar que a penalidade tinha sido falsa como Judas. Como já disse, ignorou o facto olimpicamente.
Em contrapartida, e quando se tratou da jogada de Matias Fernandez esteve até ao fim do jogo a verter opiniões que apoiavam a posição do árbitro: “Bem, poderia ter sido marcado. Mas também podia não ter sido marcado” “É duvidoso” “Se calhar, se o Matias não tem gritado, o árbitro era capaz de ter marcado”. Este último comentário então é hilariante.
Bem, já estamos habituados a estes comentários habilidosos (para não lhe chamar outra coisa) por parte dos Ritas, Manhas e quejandos. Mas isso não quer dizer que tenhamos que comer e calar.
Oh! Rita, quando comentares jogos de outros clubes que não o teu, vê se tiras o emblema da águia da lapela e tenta ser profissional .Uma réstia de decência e isenção não te ficava mal.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Nas primeiras semanas de Janeiro e como é hábito desde há muitos anos, decorreu em Florença a Pitti Uomo, feira anual onde os mais famosos alfaiates e as maiores marcas italianas de roupa e sapatos para homem, divulgam as suas últimas criações.
Não sou grande adepto da chamada “linha italiana” - aprecio mais o corte inglês - mas como faço por ter uma mente aberta, reconheço que os italianos, em alguns aspectos, têm aberto caminhos que os ingleses, em razão do seu proverbial conservadorismo, têm ignorado.

Pitti Uomo (Lino Ieluzi)

Contudo, é curioso agora verificar que alguns dos grandes mestres italianos estão a deixar cair um dos pormenores que os mais distinguia dos ingleses, e que era a da desestruturação dos ombros dos fatos. Quem sabe se daqui a uns tempos, e como é hábito na moda italiana onde se vai do 8 ou 80 em menos de nada - é só ver como as bandas dos casacos ou a largura das calças têm sucessivamente alargado e estreitado ao longo dos últimos 40 anos - não começaremos a ver por aí ombros bem enchumaçados como se viam nos anos 70 ou mesmo nos filmes dos anos 40 do século passado.
Seja como for, o que não se pode ignorar é que os italianos continuam a vestir-se muito bem, a usarem as melhores matérias primas e a serem por isso italianos, a maioria dos homens todos os anos considerados na lista dos mais elegantes do mundo.