sábado, 8 de outubro de 2011

Canções de Vida (2) - Them/ Baby, please don't go



A 1ª canção que ouvi desta banda foi "Gloria", no saudoso Ritmo 64.
Os Them, sem dúvida a melhor banda irlandesa de rythm and blues e que fez parte da British Invasion, eram liderados por Van Morrison e duraram pouco. Infelizmente. Esta notável versão do original de Big Joe Williams e outras canções que preencheram os dois únicos albuns dos Them pela Decca faziam-nos prever uma vida longa e virtuosa para eles. Mas o ego de Van Morrison era grande demais para se conformar integrado num grupo, e saiu para uma carreira a solo, não sem que antes houvesse entre ele e os restantes membros da banda pela posse do "naming" do grupo uma dura refrega, ou não fosse Morrison o típico irlandês briguento.
Depois, dos Them quase se perdeu o rasto e Van Morrison é o "monstro" que se conhece.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Boas notícias na TV - Midsomer Murders

Afinal, nem tudo é mau no panorama televisivo português. Isto, se considerarmos que os canais de cabo, dele fazem parte, E digo isto, porque se anuncia a estreia para dia 1 de Outubro no Fox Crime de uma das séries por que eu há anos esperava e desesperava que aparecesse por cá.
Trata-se de Midsomer Murders , uma série policial inglesa exibida na Grã-Bretanha pela ITV , e baseia-se nos escritos de Caroline Graham, adaptados por Anthony Horowitz, o homem a quem se deve uma das melhores séries se sempre exibidos em televisão, Foyle’s War (a propósito, ainda espero pela exibição por cá dos últimos 4 episódios desta extraordinária série, já produzidos e exibidos em Inglaterra).
Há que ter em conta que em muitas destas séries britânicas, o número de episódios por temporada não é comparável à das séries americanas: é variável (e geralmente bem menor em quantidade - a 1ª temporada de Luther, por exemplo, só teve 6 episódios) , e a distância temporal de exibição entre cada um também, acontecendo por vezes decorrem dois, três ou mais meses entre a transmissão de um episódio e o seguinte.
Mas é curioso que a Fox anuncia a transmissão da 1ª série (1997)de 7 episódios de 45 minutos cada, quando na verdade a 1ª temporada só teve 5 episódios - o piloto, transmitido em 1997 e os restantes 4 exibidos em 1998. A 2ª temporada, com transmissão em 1999, foi composta também por 4 episódios.
Bom, mas nada como esperar, e no afinal, só o facto de irem ser exibidos 7 episódios e de se respeitar a ordem cronológica dos mesmos, já é uma boa notícia.
Como nota final: a série, muito à semelhança das baseadas na obra de Agatha Christie, trata de numerosos assassinatos ocorridos no condado rural inglês (fictício) de Midsomer, e cujas investigações são conduzidas pelo DCI Tom Barnaby.
Esperemos então ansiosamente pelo dia 1 de Outubro próximo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Coisas de Homem (ou de gajo...) VI - Como engraxar sapatos

A respeito de vestuário, e quando um tipo me diz que não tem tempo para se vestir bem, respondo sempre que se demora tanto a vestir bem como a vestir mal. É uma questão de critério,disciplina e gosto. Raramente demoro mais de 10 minutos a vestir-me, tempo que corresponderá mais ou menos ao mesmo que demoraria a enfiar uns xanatos, umas jeans pouco limpas, uma t-shirt e um casaco de mau c(p)orte.
Mas hoje vou abordar uma vertente da arte de bem se apresentar, que, à primeira, demorará um bom bocado, e mais, exigirá alguma paciência e trabalho aos braços.
Trata-se da forma correcta de dar brilho aos nossos sapatos. Sempre tive a ideia que um homem com sapatos bem engraxados dará de si uma imagem de pessoa cuidadosa e de elevada exigência na forma como se apresenta. Se os olhos são os espelhos da alma, os sapatos serão o espelho do brio ou desleixo de cada um.


O vídeo explicativo que aqui mostro, foi tirado do excelente blog "Dress with Style", e o maitre cireur é Pierre-Paul-Marie Hofflin, dono do Talon Rouge (Salon Cireur sur Paris), onde leva a cabo verdadeiros milagres de recuperação de, não só sapatos, mas de todo o tipo de peles, alguns dos quais poderão observar no blog que o próprio edita em Talon Rouge.

O método pode parecer trabalhoso, mas tem que se ter em conta que se efectuar esta operação após a compra de sapatos novos. Depois, é só manter com algumas escovadelas para tirar o pó e avivar o lustro.
Algumas dicas para melhorar o desempenho:
- Usar sempre uma boa graxa ou creme, e escovas de pêlo de cavalo. Pessoalmente, uso produtos Saphir que encomendo através da net no site do A Fine Pair of Shoes , são considerados do que de melhor se fabrica em todo o mundo.
- Antes de usar a graxa, limpar bem os sapatos, aplicando um renovador se necessário, que revitaliza as cores.
- Nunca utilizar abrilhantadores líquidos, que apesar de poderem dar algum brilho rápido, rapidamente "quebram" a pele e trazem ao de cima a pele base. Quando tal acontecer, e após uma limpeza com um renovador que limpa a graxa excessiva e os resíduos deixados pelos tais "abrilhantadores", há umas tintas Viriato que remedeiam bem a situação.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Frase do dia (1)

"Os árbitros são uns heróis" (Pinto da Costa)

P.S. - Efectivamente, o "denodo" com que se têm batido para que determinados clubes continuem a ganhar campeonatos à custa de fruta, café e bolachinhas, é de herói. A "bravura" que têm demonstrado na batalha para que as coisas se mantenham na mesma, também.

E já agora...a ler

domingo, 24 de julho de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Memórias...(o texto)

…remetem-me para a casa dos meus avós, algo semelhante à das imagens, e que fotografei numa minúscula aldeia da beira interior.

A dos pais dos meus pais, também ela fazendo parte de uma pequena povoação situada nos contrafortes da Guardunha, foi construída pelas mãos grandes e ossudas do meu avô e alguns dos seus amigos, pedra sobre pedra, encaixadas de forma estranha para nós, habituados à exactidão do tijolo e do cimento, mas de uma beleza crua, primordial. O meu avô era como a terra que o rodeava, rude, rijo. Pequeno de altura, mas grande de alma, de vontade, de força. E foi à custa dessa sua força, que a casa de xisto foi erguida.

Não vivia miseravelmente como grande parte dos vizinhos- poder-se-ia dizer que tinha uma vida razoável, fruto do muito que trabalhara em novo – pelo que a construiu segundo os cânones da aldeia, mas um pouco maior que o habitual, o que a fazia sobressair no fim da rua onde se erguia, um pouco acima das outras.

A arquitectura era rudimentar e a distribuição das divisões fazia-se ignorando as questões estéticas, mas de forma funcional, segundo as prioridades da forma como na altura ali se vivia.

A casa tinha dois andares. O rés do chão, de pé muito alto, era dividido em duas partes: à frente, uma enorme despensa, que dava para a rua e onde se entrava por uma porta larga de dois batentes – a que se chamava “loja” – e onde se guardavam alguns utensílios de lavoura e todas as provisões da casa, desde os presuntos enterrados numa barrica cheia de sal, ao pão de centeio - feito uma vez por semana no grande forno que o meu avô erguera num canto do grande quintal, e que funcionava mais ou menos como forno comunitário devido à generosidade da minha avó – enfiado em sacos de pano que por sua vez, eram metidos no meio dos grãos de centeio e milho, guardados em duas grandes arcas de madeira. Do outro lado, a casa dos porcos – a furda – que se situava estrategicamente (já irão saber porquê) por debaixo da grande cozinha.

Para a parte habitável propriamente dita, no 1º andar,entrava-se por umas escadas laterais, já dentro do quintal, à frente do qual se erguia um muro de pedra, alto e tosco. Chegados ao cimo das escadas, seguindo em frente, a porta da cozinha e à esquerda a porta que dava acesso à sala e quartos.

Na cozinha destacavam-se logo duas coisas: as vigas nuas do tecto de telha vã, escurecidas pela fuligem do fumeiro, e a grande lareira de pedra e respectiva chaminé, precisamente a meio da parede esquerda, e onde fervilhavam quase sempre duas ou três pesadas panelas de ferro negras, de tripé e tamanhos diferentes. Na parede em frente à porta, uma grande janela, com vista para o pinhal da encosta em frente e para as faldas da serra. A um canto, uma mesa tosca e vários “mochos” – bancos de madeira, com assento de palha entrançada – onde se comia, e onde luzia sempre um cestinho com um pão, ao lado do qual repousava uma queijeira com queijo, amarelo ou picante, conforme a ocasião. A um dos cantos da cozinha, o pormenor mais insólito: um alçapão! Este, com o qual os adultos tinham sempre muito cuidado quando se encontravam crianças, dava para a furda dos porcos e estava colocado mesmo por cima da pia da comida dos suínos e por onde eram atirados os restos que podiam servir para lhes complementar a dieta: batatas, melancia, melão e mais o que os animais pudessem comer.

A outra parte da casa, estava dividida rudimentarmente, como era ali hábito: uma grande sala – tão grande que ali se chegou a servir o copo-de-água do casamento de um dos meus tios paternos – ao fundo da qual se situavam quatro quartos divididos por tabiques de madeira, três deles tão exíguos, que só lá cabiam as camas, uma cadeira e uma pequena banqueta onde se pousavam os castiçais com vela, que nessa altura, a eletricidade não passava de uma quimera. O outro quarto , o dos donos da casa, que generosamente o cediam a um dos filhos que por lá pernoitasse com a respectiva mulher, já era um pouco maior, e tinha, além da cama, cadeira e banqueta, um grande guarda-roupa. No lado direito da sala, um outro tabique a todo o comprimento, que escondia uma escada que dava para um sótão, onde o meu avô guardava uma variedade considerável de artefactos: de chocalhos para as cabras, ovelhas e vacas, aos magníficos safões de pele de cabra que ele usava quando ia para o mato, passando por guarda-chuvas antigos e cangas para juntas de bois, e muitas outras coisas que não consigo enumerar. Era o meu sítio preferido da casa e onde me perdia horas a brincar com o que calhava ou estendido a descansar e a olhar para o telhado, onde, por entre as telhas arredondadas e esverdeadas pelo musgo, o sol se esgueirava por entre alguns pequenos espaços que se abriam entre elas, ferindo, aqui e ali a penumbra, e a pensar já nem sei em quê, mas penso que em coisas muitos prosaicas, como é normal num rapaz de nove ou dez anos.

A casa era rodeada por um grande quintal. Não havia flores, a minha avó era muito pragmática - a família era numerosa, o espaço tinha que ser todo aproveitado de forma útil e, dizia ela, não tinha tempo para regar flores. Mas não faltavam aromas que perfumavam o ar e chegavam até à casa, especialmente o que subia de um pessegueiro largo, que na altura devida, se enchia de frutos sumarentos, tão pesados que lhe dobravam os ramos até quase baterem nochão, árvore que era o orgulho do meu avô, juntamente com o caramanchão por onde serpenteava uma videira que produzia as mais doces uvas ferral com que eu alguma vez me deliciei durante toda a vida.

Depois, havia as mantas de trapos que a minha avó fazia, e estendia durante o verão a meio de uma das leiras do quintal, e onde espalhava figos e uvas de várias qualidades, que, depois de apanharem a quantidade de sol apropriada, se transformavam em deliciosas passas. Havia ainda, lá muito ao fundo – o quintal teria uns 300 metros de comprimento, talvez mais, era em socalcos, no último dos quais o meu avô abrira um poço, de onde, com uma nora artesanal, retirava a água necessária aos legumes que ele cultivava nesse ultimo degrau do terreno e que chegavam para o sustento da casa, e por vezes ainda sobravam para algum vizinho menos abonado pela sorte e com filhos para sustentar – um muro que delimitava a propriedade, e que era debruado por uma gigantesca silva, que produzia umas suculentas amoras silvestres, quase do tamanho de ameixas - pode ser exagero, mas sabe-se que, quando crianças tudo nos parece grande, e todos os adultos nos parecem velhos – e que, excesso de gula, me provocaram certa vez, problemas intestinais tão intensos, que me serviram de aviso para o futuro.

As cabras à solta pelo quintal, o cheiro intenso que vinha da “corte” onde descansava a mula e o macho, os dias da matança, a colheita da azeitona, tarefa árdua mas compensadora, os dias de vindima sempre com a família em alegre confraternização à volta da mesa farta…tantas memórias que nem saberia por onde começar.

Ah! pois! Não havia casa de banho...


sábado, 16 de julho de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Canções de Vida (1) - Fever/Peggy Lee


"Fever", original de Little Willie John, foi imortalizado por Peggy Lee, numa versão da qual o mínimo que se poderá dizer é que é esplêndida. À perfeição do minimalismo instrumental une-se uma voz única, uma voz que se poderá comparar a uma boa cerveja: se o sabor desta deve preencher voluptuosamente todos os pontos mais recônditos da nossa boca para nos dar o máximo prazer, aquela, pelo seu timbre inigualável, enche-nos todos os sentidos através da audição, provocando o verdadeiro êxtase.
Por estes dias, em que Esperanza Spalding ocupa todas as revistas com retratos da artistas sublinhados com os mais diversos elogios, imagino-a numa versão de "Fever" na qual exibisse as suas duas artes (do canto e de contrabaixista). Mas duvido muito que, na vertente vocal, alguém se possa comparar à potência e intensidade com que Peggy Lee "pegou" no tema.

Renascendo...

O renascer - deste sítio - se eu cumprisse com o que prometo a mim próprio, deveria ter tido lugar na passada 4ª feira, dia 6. Pelo exemplo se vê que procrastino até, naquilo que comigo prometo cumprir. Mas, como proclama o povo que "vale mais tarde que nunca " (máxima demonstrativa que nem sempre a voz do povo é lá muito acertada), cá estamos, mesmo sabendo que tal decisão não vai afectar o destino de ninguém.


As razões da ausência foram ponderosas - e poderosas - mas visto pertencerem à minha esfera íntima, eximo-me de as expor. Importante mesmo - para mim, pelo menos - é sentir-me novamente pronto a regressar.

Vamos ver se por muito tempo, e com assiduidade aceitável...

sábado, 16 de abril de 2011

Coisas de Homem (ou de gajo...) V - Spectator Day

A propósito de um post muito oportuno do nosso amigo Gato Maltês, lembrei-me de uma das bizarrias que já li num fórum masculino norte-americano sobre “como e quando vestir” isto ou aquilo, uma espécie de manual de etiqueta para homens.. Diz o GM que, por cá, e com estes dias de calor, parece que as pessoas se entregaram definitivamente às havaianas, t-shirts e calções como se o verão tivesse vindo para ficar, resumindo ele que, mais avisado, ainda não tinha entrado na onda, ficando-se por roupas mais leves, mas não tanto, estabelecendo assim que há um tempo devido para tudo. Ah! E importante. Referia que uma sua amiga tinha datas precisas para usar e deixar de usar meias. Pois a bizarria “norte-americana” que mencionei acima, é uma espécie de calendário que por lá se cumpre quando se trata de começar a vestir o deixar de vestir calças brancas, tal como a tal amiga do GM com as meias. O meu espanto advém do facto de, por cá, ser absolutamente normal o uso de tais calças em qualquer época do ano, embora em dias de chuva, e por razões óbvias, eu evite vesti-las. E a propósito da coisa, hoje, e como o sol convidava, decidi-me a usar os meus “Spectator Shoes”, com um fato de linho branco sujo, uma camisa rosa-velho também de linho, e um panamá castanho claro. Não é que alguém possa estar muito interessado no que eu visto ou não, mas é uma desculpa para referir os “spectator” e manifestar a minha insatisfação por os ver quase esquecidos por cá. Os da foto, que hoje calcei, são uns “brogues” manufacturados pela Cheaney para a Herring Shoes – claro que preferia uns Edward Green, mas estes também me parecem suficientemente bonitos e bem construídos – e, além do branco, apresentam uma cor “tan burnished” que eu muito aprecio. Nota – Para os menos avisados, o “spectator shoe”, é um sapato geralmente baseado nos formatos oxford, brogue ou semi-brogue de duas cores contrastantes, em que a parte da frente, o calcanhar e, por vezes o painel dos atacadores, são de cor mais escura, sendo que a outra cor é geralmente o branco. Ao que parece, o nome advém do facto de serem habitualmente usados pelos espectadores de corridas – de cavalos ou outras – nos anos 20/30, do século passado

sábado, 26 de março de 2011

Sweet 60's (7)/ Spencer Davis Group - Gimme some Lovin'


The Spencer Davis Group - Gimme Some Lovin' (Nov.66/UK Top2)

segunda-feira, 21 de março de 2011

As Minhas Séries de TV










Hoje, ao fazer umas arrumações - algumas, na própria memória - decidi-me a tentar escolher quais as minhas 25 séries de TV preferidas de sempre. Obviamente, cingi-me às que vi através dos canais nacionais.
Aí vai, pois, a lista, decerto com lacunas imperdoáveis. Mas aceitam-se sugestões.

- Agatha Christie's Marple
- Agatha Christie's Partners in Crime
- Agatha Christie's Poirot
- Allo! Allo!
- Blackadder
- Boston Legal
- Brideshead Revisited
- Colditz
- Cribb
- Enemy at the door
- Fawlty Towers
- Foyle's War
- Jeeves and Wooster
- Jewel of the Crown
- Keeping up appearances
- Maigret
- Monty Python's Flying Circus
- Muppet Show
- Perry Mason
- Prime Suspect
- Seinfeld
- Sherlock Holmes
- Vicar of Dibley
- Walking the Dead
- Yes Minister



terça-feira, 15 de março de 2011

Coisas de homem (ou de gajo)...- IV - O problema dos comprimentos de mangas e calças


(clique para aumentar a imagem)

A foto acima, de dois por demais conhecidos homens do jet-set internacional, ilustra de forma flagrante, dois estilos muito diferentes de vestir. Na minha opinião, é o vestir elegante sem esforço, e o esforçar por estar bem vestido, sem minimamente o conseguir.
Com efeito, Luca di Montezemolo, considerado um dos homens mais bem vestidos do mundo, enverga de forma impecável, um fato assertoado feito por medida, e…com todas as medidas correctíssimas. Pelo contrário, Schummacher, com um fato que creio ser Boss, não ficaria menos elegante se envergasse antes, o habitual fato de piloto de automóveis, ou mesmo, um saco de batatas: as mangas estão compridas demais, as pernas das calças estão compridas demais…enfim, está tudo demais, inclusive aqueles inacreditáveis sapatos. A conclusão a que há muito cheguei, é que o dinheiro, por muito que seja, não compra elegância ou bom gosto.
Bom, mas o curioso nisto, é que, por cá, há muito o hábito de, mesmo nos círculos mais “elegantes” - já o tenho visto, até em passagens de moda, o que é realmente inesperado - os homens usarem calças demasiado compridas, a cair sobre os sapatos, formando uma espécie de harmónio sobre eles. Ora a regra manda que as calças caiam até aos sapatos, não sobre. Como no caso de Luca, na foto.
Outro dos pecados habituais dos elegantes portugueses, é o comprimento excessivo das mangas dos casacos. Neste caso, a regra é que a manga, quando o braço estiver esticado ao longo do corpo, deve deixar ver 1,5 a 2cm do punho da camisa.
São regras fáceis, e que dão outra distinção a quem usa um fato, ou mesmo, um conjunto de blaser e calças diferentes. Sim, eu sei que o fato por medida cada vez está menos acessível, mas, que diabo, não conheço nenhuma loja por mais modesta que seja, que não faça os ajustes requeridos pelo cliente, e muita vez isso basta para dar aquele toque de elegância, tanta vez ausente por mero desleixo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Sweet 60's (5)



Georgie Fame and the Blue Flames - Yeh!Yeh! (1965)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Coisas de homem (ou de gajo)...- III

Uma gravata é só um pormenor”.
Esta foi uma frase que um amigo meu um dia proferiu numa pequena tertúlia que mantínhamos há uns anos atrás, num conhecido café de Lisboa, cuja gerou alguma polémica.
Com efeito, estabeleciam-se naquele grupo, com alguma frequência, pequenas discussões, não propriamente sobre o vestuário - embora não fosse este um tema tabu - mas mais sobre divergências estéticas. E o curioso é que, em questões de gostos (na generalidade), até nem existiam grandes divergências entre nós.
(clique na imagem para aumentar)
Dito isto, a clivagem estabelecia-se pois, na importância da gravata, do seu uso ou da sua importância. E acrescento isto, porque o autor da frase, usava normalmente o sagrado item.
A uma das respostas que recebeu: “ A gentleman without a tie is not a gentleman”, talvez pelo radicalismo subjacente e por ter sido dada em tom snob, considerei eu ainda mais assinalável que a que lhe deu origem.
Não vou relatar a contenda na sua totalidade, acrescento só que a maioria daquele pequeno clube, considerava quase essencial o uso diário, sendo que alguns a tinham como dispensável em determinadas circunstâncias.
É claro que a alguns leitores parecerá qualquer das posições exageradas (a maioria considerará até tal discussão fútil), mesmo a mais condescendente, e portanto, é forçoso esclarecer que não estava em consideração o seu uso em tempos de lazer, mas tão somente o modo de alguém respeitável se apresentar no seu emprego ou numa soirée cinéfila.
Devo dizer que sou um adepto incondicional das gravatas, e que as uso (quando uso) ou usei, por gosto e nunca por obrigação. Tal gosto, deu azo a que ao longo de algumas dezenas de anos, tenha junto uma pequena colecção que aprecio bastante, mas que tem o grande defeito comum a qualquer colecção: nunca está completa.
E tenho um especial apreço por gravatas de malha de seda (também as há de malha de lã, mas não são tanto ao meu jeito), das quais apresento aqui, alguns exemplares que fazem parte da tal pequena colecção. Curiosamente, é um tipo de gravata que por cá não se vê muito, ou, pelo menos, não se vê tanto como eu gostaria (visto a minha preferência por elas) - mesmo tendo em conta que é um tipo de gravata cuja nó nem sempre é de fácil execução - e, como é óbvio, tenho marcas de eleição: Drake’s, Ascot ou Rubinacci, qualquer delas de muito boa qualidade e feitura.
Já agora, um conselho a quem se atreva com uma destas [isto (o “atrevimento”) porque, como é dito, a dificuldade em conseguir um nó bem feito, leva muitos ao desespero] : nunca puxe a gravata de molde a que o nó fique muito apertado. Tal terá como resultado a sua inevitável deformação.
E já agora: uma gravata é mesmo só um pormenor?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sweet 60's (4)


You've lost that loving feeling* - The Righteous Brothers


* - Top 1 em Inglaterra e EUA, Fevereiro de 1965

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O mapa do bairro - Pormenores (3)


Interior


Friso


(Clique nas fotos para ampliar)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Coisas de homem (ou de gajo)...- II

Sou lisboeta, e a minha vida - que já conta uns anos valentes - sempre decorreu num “triângulo” - Amoreiras, Campo de Ourique, Lapa - que como que me adoptou, e de onde me parece que não me seria já possível migrar para outra qualquer zona da cidade. Habituei-me à pacatez da Lapa, paredes meias com a Madragoa, onde passeio à noite sem o mínimo receio de ter qualquer aborrecimento - o que poderia constituir o seu único senão é a morfologia demasiado acidentada do bairro, mas que até acaba por ser um ponto positivo, pois obriga-nos a uma ginástica diária e nos evita dispendiosas idas ao ginásio - e tenho ainda o privilégio de sentir os aromas do Tejo, ali bem à minha vista logo que acordo.
Curioso no bairro é que, apesar do seu “clima” aprazível, o comércio não floresce. Se excluirmos a restauração, parece que nada se dá por aqui, ao contrário de Campo de Ourique, bairro fornecido de lojas, embora me pareça que mesmo aí, as coisas já não sejam como há uns anos atrás, e que quem queira qualidade, terá que se deslocar às Amoreiras, ou a outra zona comercial.
Mas a verdade, é que Lisboa, ao contrário de outras capitais europeias, pouco preserva as suas lojas mais emblemáticas, e, uma a uma, vamos assistindo ao seu desaparecimento. De lojas de pronto a vestir a discotecas (estas sacrificadas ao “deus” FNAC), tudo morre, e mesmo a Baixa deixou há muito de ser local obrigatório para quem se queria vestir ou calçar bem. Morreu o Adão Camiseiros (belíssimas popelinas e excelente corte para qualquer modelo de camisa) e a Melodia. A Valentim de Carvalho e a Old England. Já para não falar das grandes lojas de homem da avenida da Liberdade, do Santos & Nascimento à Pestana & Brito.
É portanto, com muita satisfação que vejo aquelas velhas lojas que sobrevivem, e se vão mantendo, como a Luvaria Ulisses, na Rua do Carmo, que deve ser uma das lojas mais pequenas do mundo, mas que a tudo tem resistido. E quem quiser luvas impecáveis, é só procurar aí. A última vez que lá fui, no princípio deste Inverno, resultou na compra das luvas de peccary da foto, substitutas de outras que tinham entregue a alma ao criador, sacrificadas na substituição de um pneu estupidamente furado em plena autoestrada.
E delas se pode dizer que, além do extraordinário “toque”, assentam que nem uma luva.

sábado, 29 de janeiro de 2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sweet 60's (2)


Jonathan King - Everyone's Gone to the Moon

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Rápidas

Eleições, 3 notas:

- O discurso de Cavaco coincidiu perfeitamente com a imagem (muito má) que tenho dele. Como é que agora pode proclamar que será o “presidente de todos os portugueses” depois daquele chorrilho de ataques a roçar a mesquinhez que desferiu contra os seus adversários, e consequentemente todos os seus (deles) apoiantes?
- Sócrates deve ter respirado de alívio: a não haver nenhum acontecimento muito extraordinário, desta é que se viu livre da pedra no sapato que constituía Manuel Alegre.
- O mesmo não poderá dizer A. J. Jardim: depois do enfarte, a dor de cabeça chamada José Manuel Coelho, que, ao que me parece, poder-se-á erguer como alternativa válida em próximas eleições regionais
Futebol: 2 notas:
O meu clube permanece igual a si próprio, pelo menos desde que esta linhagem tomou conta das rédeas do poder, isto é, um clube cada vez mais afastado dos sócios, mais elitista e dirigido com evidente incompetência. O meu pai, de quem herdei o sportinguismo, dizia que era do Sporting, porque este era um clube de elite. Mas para ele, isto queria dizer que o Sporting era “um clube diferente”, não que fosse um daqueles clubes ingleses, género “clube do Bolinha”.
Veremos o que nos trazem as próximas eleições. Oxalá não nos apareça outro presidente que desvalorize - ou deixe desvalorizar – jogadores, que compre jogadores por catálogo ou a caminho da reforma, nem contrate treinadores de 3ª categoria.
- Os acontecimentos após o jogo de ontem do SLB não me chocaram. Mas sempre estou para ver o que dizem agora os que crucificaram Scolari quando foi protagonista de um episódio em tudo idêntico. Ah! E já agora, tambem fico à espera de ver se a pena terá algo a ver com o que se “exigiu” para o treinador brasileiro (cheguei a ler que a FPF tinha todo o direito, quiçá a obrigação, de rescindir contrato unilateralmente).
A televisão que temos:

- Desde logo, uma declaração de interesses: das televisões generalistas nacionais, sempre preferi a RTP. Mesmo com os seus muitos defeitos, e apesar das manipulações de que se diz ser vítima, continua a sua informação a ser a que vejo com mais regularidade pela certeza na verdade e isenção patente no que me é dado a conhecer.
Mas do que queria falar é do aproveitamento que é feito em certos meios televisivos, de assuntos que apelam mais ao nosso lado, digamos, voyeurista, como o caso Casa Pia, Face Oculta, Apito Dourado ou outros do mesmo género, e de que é exemplo actual o assassinato de um conhecido “jornalista” social.
Por razões pessoais, tenho passado as manhãs das últimas semanas em casa, e, ao mesmo tempo que faço outras coisas, “ouço” o que se diz no canal em que calha estar sintonizada a TV. Ora um ou dois dias depois do triste acontecimento, o aparelho estava na SIC, e ouvi um painel de comentadores a tecerem considerações sobre o caso. No dia seguinte, e à mesma hora, exactamente o mesmo, e no a seguir o mesmo, e assim sucessivamente. Isto é, a SIC, no seu programa da manhã, tem actualmente uma espécie de “coluna” liderada sempre pelo mesmo “jornalista”, com opinação exclusiva sobre o caso, parece, mais escaldante da nossa actualidade.
Pessoalmente e sobre o caso, vejo capas de revista cor-de-rosa no escaparate do jornaleiro com as fotos dos 2 protagonistas em todas elas, soube do insólito apelo ao cordão humano e vigília a favor do presumível autor do crime, mas evitei ler o que quer que fosse em blogues, uma vez que já sei no que normalmente estas coisas dão: divide-se a malta a meio discute-se a coisa como é nosso costume discutir o futebolês. Pior ainda, o caso vertente é susceptível de desencandear ondas de homofobia ou de condenação antecipada. Que é o que se tem passado na Sic. Como já disse, sob a batuta do douto “jornalista”, e com base nas mais variadas e delirantes especulações, tem-se erguido um libelo acusatório contra o arguido. Não sei se o que move o senhor é um corporativismo exacerbado, uma fobia de “apresentar serviço” ou outra qualquer intenção.
O que sei é que um canal de televisão respeitável, não deveria permitir que num seu programa se desse forma a um tribunal sumário.
- A produção nacional para televisão é parca em qualidade, e resume-se quase só à produção de telenovelas. Que detesto.
Fiquei, portanto, muito impressionado com a qualidade de quatro miniséries exibidas pela RTP1 na altura das comemorações do centenário da República.
Ah! e já agora, tiro o chapéu ao início da 4ª série do "5 para a Meia Noite", o único programa de televisão de que não falho uma emissão.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Coisas de homem (ou de gajo)...- I

De há muito que ouço dizer que, segundo os mais reputados psicanalistas – que conseguem explicação para tudo, coisa que sinceramente admiro – todo o homem tem o seu lado feminino.
Pela minha parte, e depois de uma intensa introspecção, descobri que esse pedaço menos evidente de mim, talvez tivesse que ver com o meu fraco por sapatos, fraqueza que partilho, sei-o bem, com a maioria das mulheres que conheço, pessoal ou virtualmente (neste caso, a constatação vem do muito que tenho lido aí pelos blogs).
Contudo, divergimos, eu e a maioria das mulheres, no que tem que ver com a questão do “estar na moda”. Na verdade, enquanto a maior parte das mulheres aspiram pelo último modelo do Manolo Blahnik ou de Christian Louboutin, eu mantenho os meus gostos muito clássicos, e quem me tira uns “brogues” ou uns “loafers” clássicos, tira-me tudo. É evidente que me não são indiferentes as marcas, até porque as minhas preferidas são uma garantia de qualidade. Mas, como refiro, não procuro o último grito da moda, e sim a “good old english leather”.
Voltando aos fins dos anos 60, altura em que comecei a comprar os meus próprios sapatos, recordo que comprava bons sapatos nacionais na Presidente ou na Luís XV, embora já os olhos me fugissem para os Church, só que a diferença de preço era realmente abissal, e a diferença de qualidade não me parecia compensar. Com o andar dos tempos, a chegada das peles sintéticas e umas criações que se pretendiam avant-garde mas não passavam de patetas, cada vez mais me fui afastando do sapato nacional. Na verdade, parece-me que actualmente se fazem melhores sapatos para exportação que para consumo interno, e a Mack James é só um exemplo de marca que, ao que parece, tem modelos bem concebidos e de qualidade, mas que raramente se encontram à venda com facilidade. Geralmente, o sapato português tem um design fraco (na minha óptica, naturalmente), e é pouco durável.


Resultado, hoje as minhas preferências vão definitivamente para os produtos das fábricas de Northamptom, especialmente os Crockett & Jones, Edward Green ou Church. Claro que há melhor, e se forem daqueles feitos por medida pelo John Lobb, Foster ou mesmo pelos italianos da Bontoni, então nem se fala. Mas aí já entramos em preços quase proibitivos, e nem me parece que a exclusividade compense despender tais verbas. Afinal, tenho uns modestos “brogues” da Church que já vão no seu 12º aniversário, e continuam ali para as curvas. Ora o que verdadeiramente procuro num par de sapatos é que a relação qualidade/preço seja óptima, e a qualidade não se resume ao conforto que o sapato nos fornece, mas também à sua longevidade, que dá sempre uma patine muito especial aos sapatos, sejam eles bem cuidados.
Os da imagem, encomendei-os há uns meses atrás numa loja de Lisboa. São uns “chestnut single monk”, calçam que é uma maravilha e a cada vez que são engraxados, me parecem ficar mais bonitos.

Sweet 60's


Good Lovin' - Young Rascals (1966)

sábado, 15 de janeiro de 2011

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Reviver...

Poderá parecer a alguns estranha, esta reactivação do blog, inerte há cerca de 4 meses. Tem uma razão de ser, e um dia destes poderá acontecer eu vir a explicitá-la. Mas por ora, ficará mesmo só por aqui: entra novamente em laboração, mas sem mais explicações.
Um dia destes calhou dar uma saltada ao Jardim das Amoreiras, local onde passava boa parte dos meus dias, de garoto e depois, de adolescente.
Encostado á parede de um dos belos arcos do aqueduto, dei comigo a pensar que aquele já não era o “meu” Jardim das Amoreiras. Sei que pode parecer saudosista, mas não é disso que se trata. É verdade que o Jardim agora até está bonito: arranjado (embora não aprecie aquela mistura térrea que puseram nos caminhos), com um agradável quiosque e bem frequentado, mas…falta-lhe a “alma” que dantes tinha. A alma que lhe era dada pela quantidade de rapazes da minha idade que pelos idos 60 o frequentavam e eram muitos.
Sei que a época é outra, mas não deixa de ser triste recordar que quando eu tinha 10 anos, a minha mãe, com todo o à vontade, me deixava sair de casa sózinho para ir até lá encontrar-me com os meus amigos, havendo mesmo alturas em que, pasme-se, me deixava levar o meu irmão, então com 2 anos, sendo que hoje, nenhuma mãe se atreve a deixar sair de casa sózinho, o seu rebento pré-adolescente.
Que pena que neste aspecto da nossa vida se assista a uma desgraçada involução.