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domingo, 22 de abril de 2012

Vistos e revistos - Ao fim de semana, um filme (7) - O Leopardo

O Leopardo - Luchino Visconti


Uma frase que quase todos nós já ouvimos, geralmente de forma depreciativa, e em relação à acção de alguns políticos é a de que "tem que se mudar alguma coisa, para tudo ficar na mesma". Alguns não saberão no entanto que a frase é da autoria de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, autor de "Il Gattopardo", obra em que se baseia um dos mais imponentes filmes do século XX.
O filme, realizado em 1963 por Luchino Visconti, relata a uma parte da história do Príncipe de Salina, Don Fabrízio de Corbera (Burt Lancaster), um nobre da Sícilia do século XIX, quando este é apanhado pela guerra que alastra por Itália na perspectiva da implantação e solidificação da democracia, movimento então liderado por Garibaldi. Don Fabrízio vê no movimento uma séria ameaça à sua influencia e poder, mas começa a ter consciência que é impossível travar a revolução. Essa percepção força-o a decidir entre a tradição e o aceitar o declínio da influência da sua família. A frase a que me refiro no início, é proferida pelo príncipe precisamente quando conclui que o melhor a fazer é aceitar a situação, tentando no entanto, que tal provoque o mínimo dano possível no seu stato-quo.
Em paralelo à história de Salina, o filme relata vários outros episódios demonstrativos da decadência moral entre as várias classes sociais italianas.
O filme é pois um extraordinário fresco sobre o Risorgimento, interpretado magistralmente por Burt Lancastre, num dos seus maiores papéis, muito bem secundado por Alain Delon e Cláudia Cardinal.
Uma nota para referir a sumptuosa cena do baile, que quem já viu o filme, jamais
esquecerá.