terça-feira, 2 de outubro de 2012

A Maldição do Telemóvel ou a Minha Semana Passada, Parte 2

  Antes de continuar a narração do episódio, deixem-me explicar uma coisa: nos três dias anteriores a rumar a Lavacolhos, tinha estado a curtir uma constipação daquelas que nos põem os olhos e nariz lacrimejantes. (Ainda fui ao médico que me receitou uns comprimidos que não me fizeram nada, e uns supositórios que me recusei a comprar*).E com tanto assoar, o nariz ficou um bocado vermelho..  
  Não sei se terá sido esse facto que levou a minha tia a fazer-me aquele reparo, quando se preparava para ir para a cama. Ora bem, se já estava avermelhado, o nariz com a pancada na parede ficou bem pior, mas só me apercebi do verdadeiro estado em que estava, quando fui tomar banho, me vi ao espelho e dei um salto para trás, tal o susto que apanhei.
  Um aparte para dizer que o telemóvel ainda zurrou mais 2 vezes, mas como já não conseguia dormir profundamente com as dores no nariz, não me sobressaltei e desliguei-o de ambas as vezes, ao mesmo tempo que insultava o sacana do Marcolino.
  Bem, depois das abluções matinais, fui até à cozinha comer alguma coisa, e os meus tios olharam para mim e diz ela:
- Eu bem te disse para não te meteres na aguardente. Estás num lindo estado, sim senhor.
  Bem lhes tentei explicar o que se tinha passado, mas a tia só dizia:
- Pois, pois, eu esta manhã vi bem por onde estava a garrafa…com um ar reprovador. E o tio Jacinto foi-se rir para o quintal, que eu bem o vi, parecia aquele cão dos desenhos animados, o Matley.
  Bebi um café com leite e comi uma sandes de presunto, e como a escritura era só à tarde, decidi ir ao posto médico, porque o nariz tinha começado outra vez a latejar. Mas antes decidi ligar ao filho da p#$a do Marcelino, para lhe dar uma descasca
  - Ouve lá, meu c$#%ão, para que é que me andas a telefonar às tantas da noite?
  - Eu? Quando? Tu estás parvo, ou quê?
  - Esta noite passada, pá. Que me acordaste em sobressalto e me fizeste dar uma cabeçada na parede, que estou todo azamboado a caminho do posto médico por causa disso.
  - Mas eu não te telefonei, pá. Isso é engano teu. Mas ainda bem que me ligaste. Ia agora para tua casa para me emprestares…  
   E aqui, desliguei-lhe o telefone, porque já sabia o que se seguiria. E comecei a pensar no que raio se teria passado? Se o gajo dizia que não tinha sido ele…Comecei a dar voltas ao telefone, até que se me fez luz: tinha emprestado o telemóvel ao filho da Cláudia, a minha vizinha da frente para ele jogar uns joguitos enquanto eu falava com a mãe e o sacana do puto tinha-me andado a trocar os toques. E o pior é que o zurro agora era o toque da Etelvina. Mas o que é que ela quereria àquela hora da noite? Não me digam que é outra vez para me adiar a semanita de férias que tinha na casa dela no Algarve, (e que ela passara de Setembro para Outubro, porque afinal tinha conseguido alugar a casa a um casal do “Baluongo”), pensei eu. Claro que apressei a ligar-lhe.
  - Ai agora já me telefonas? Ontem á noite liguei-te, e desligaste-me o telefone. Três vezes!.
  - Desculpa lá, prima. Mas não sabia que eras tu. (e depois, como é que lhe ia explicar aquilo do mugido e do zurro?)
  - Ai não? Então o meu número não te aparecia no telemóvel? Tás a mangar comigo, ou quê? E escusas de estar-te a fazer ao piso à semanita de férias no Algarve, porque acabei de alugar a casa a uns alemães.
  E desligou-me o telefone. Que grande injustiça! E tive eu que gramar com o Bidu um fim de semana, afinal para nada: Mal empregado dinheirinho que eu gastei com aquele mostrengo!
  Fiquei tão revoltado que já não fui visitar os pais dela, que moram mesmo na rua a seguir à do tio Justino! Até porque me lembrei que o pai dela ainda era capaz de ter um resto de chumbos nos intestinos, e me podia dar uma chumbada nos pés.
  Finalmente, lá fui ao posto médico. O safado do enfermeiro quando me viu, ainda começou com piadolas por causa do nariz, que parecia um morango amassado, e tal, mas eu, para ele não se esticar muito na conversa, fiz-lhe má cara e disse que estava com pressa. O tipo não deve ter gostado quando eu comparei a profissão dele à de carniceiro, e fez-me um penso tão jeitoso, que se o pintasse de encarnado, ficava a parecer gémeo do Batatinha.
  E pronto, foi naqueles preparos que fui almoçar (ainda tive que gramar os elogios da tia ao sacana do enfermeiro, que lhe tinha tratado muito bem de uma unha encravada no dedo grande do pé esquerdo) e até ao notário para fazer a escritura. Para gáudio do estúpido do notário, diga-se.
  Portanto, se virem alguém magro, com mais ou menos 1,75m, e com um nariz com um penso do tamanho e forma de um diospiro, já sabem: sou eu.
 
  *- Não compro supositórios, porque se os tomo pela boca, colam-se à prótese dentária, e a outra via é de sentido único, pelo que está fora de questão tomá-los dessa forma.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

No Dia Mundial da Música, uma das Melhores Canções da Música Popular do Séc. XX

Beach Boys Good Vibrations


Ainda Falam do Zé Castelo-Branco

Ao menos as nossas bichas são elegantes, e sabem-se cuidar.


 
Gostava de saber como será a Betty deste...

Voltei à Cozinha. e Deixo a receita e tudo - Wanna Bite (11)

Gosto medianamente de bacalhau, mas gosto muito de Bacalhau à Gomes de Sá, desde que seja feito como eu o faço, perdoem-me lá a falta de modéstia neste caso.
Contudo, desta vez fiz uma variante do mesmo, que é muito fácil de executar.
 
Bacalhau à minha maneira
Para duas pessoas:
Deixei um bom lombo de bacalhau em leite de um dia para o outro. Depois, cozo-o no leite, até ver que lasca.
Refogo duas cebolas grandes cortadas em rodelas numa boa quantidade de azeite virgem juntamente com uma folha de louro e temperada com pimenta moída no momento, até as rodelas ficarem bem louras e moles.
Vou juntando então uma mão cheia de espinafres, mexendo sempre. À medida que os espinafres vão amolecendo e perdendo corpo, junto nova mão cheia deles. Neste caso, usei umas 4 mãos cheias de espinafres, mas é ao gosto de cada um.
À parte, cozi duas batatas grandes e um ovo.
Num tabuleiro previamente untado, estendi uma camada de rodelas de batata cozida, a qual cobri com uma camada de lascas de bacalhau. Sobre esta, uma camada da mistura de cebola com espinafres. A seguir nova camada de batata, seguida de uma de bacalhau e novo lençol de cebola/espinafres. A seguir, rega-se com azeite à vontade que cada um. No meu caso, uso bastante.
Depois vai ao forno previamente aquecido durante 10 minutos a 160ºC. Não precisa de ficar muito tempo enfornado, só o tempo de alourar. Geralmente, retiro o tabuleiro quando a cebola e o espinafre da camada superior começam a ficar um pouco tostados, o que lhes dá uma textura crocante muito agradável. O toque final, são as rodelas de ovo cozido a enfeitar a travessa, e que não vai ao forno para não queimar.
Notas importantes:
- a qualidade do azeite e a quantidade usada (que vai ajudar a amaciar o bacalhau e a acabar de “cozer” as batatas).
- a não utilização de sal. Os sabores da mistura cebola/espinafre, juntamente com algum resto de sal que ainda permaneça no bacalhau, dispensa perfeitamente o seu uso, o que torna o prato ainda mais saudável
Opinião pessoal: muito simples, saboroso, e juro que o bacalhau quase que se desfaz na boca.
 
A acompanhar:
 
Uma magnífica indian pale ale*, a Martin’s IPA, uma cerveja de grande e complexo sabor e um ABV de 6,5º, servida bem fresca. É uma cerveja bastante recente, e que não sendo barata, vale bem pelo prazer que dá quando se degusta. Para quem gosta de “louras”, vai certamente ficar encantado com esta belga.
 
*- para os menos conhecedores, as indian pale ale, foram cervejas criadas pelos ingleses destinadas aos seus cidadãos e tropas destacadas nos locais mais longínquos do seu antigo império, especialmente a Índia, e feitas portanto, de modo a suportarem as longas viagens até aos seus destinos, conservando as suas virtudes intactas..

A Maldição do Telemóvel, ou a Minha Semana Passada...(1/2)

...que foi do caraças!


 Esta semana passada foi muito agitada para mim, e por isso quase não assomei por aqui, como alguns terão reparado.
  Ora o que se passou foi que tive que ir até às Beiras, e parece que esses regressos às origens dos meus antanhos estão embruxados.
  Eu explico: O meu tio Jacinto telefonou-me inopinadamente na 2ª feira, por causa de umas escrituras de uns terrenozitos, que teriam lugar na 4ª e 5ª feira seguintes, e nas quais a minha presença era imprescindível.
  Lá tive que arrumar umas roupas no saco, e na 4ª de manhãzinha fiz-me à estrada e cheguei lá por volta das 10h (a escritura era às 11h) ainda a maldizer o balúrdio gasto em portagens, junto com o gasóleo, que me deixou um belo rombo na carteira que ainda se agravaria na volta.
  Lá estava o tio Jacinto e a tia Jesuína à porta do notário e muito sorridentes, fizemos a escritura e fomos até casa deles, onde comemos uma feijoada espectacular, acompanhada com um tinto da colheita particular do meu tio que era uma categoria, mas que me deu uma soneira que nem imaginam. De modo que, estava o meu tio a contar-me as suas aventuras (aldrabices) de caçador, enquanto tomávamos o café na sala, e já eu estava a cabecear.
  Até que o sr. Jerónimo, que é o vizinho do lado, o chamou para a sueca da tarde na casa do povo, e eu aproveitei para fazer uma sesta. Sem saber o que me estava reservado. Bom, a meio da tarde a tia chamou-me para ir dar de comer aos animais, e eu achei bem ir com ela para desmoer, porque ainda sentia bem o peso da feijoada (e de vez em quando, o cheiro também se notava).
  À noite, e para minha surpresa, o jantar foi uma sopa daquelas onde a gente mete a colher e ela fica de pé, seguida dumas febras com batata frita!. Eh pá, não percebo como é que com aquelas bombas de colesterol, eles duram até aos 80 e tal!
A seguir, o tio foi buscar uma garrafa de aguardente velha que ele disse ser da sua lavra, e serviu-ma num daqueles balões que dão quase para a gente tomar banho, e eu, para não lhe fazer a desfeita, lá emborquei aquilo, enquanto eles viam a Gabriela. Acho que fiquei um bocado azamboado com aquela porra, que era forte como o caraças e eu já não bebia bebidas brancas há mais de 10 anos, por isso, acabada a telenovela e quando eles me disseram que iam para a cama, eu disse-lhes:  
- Eu fico a ver televisão mais um bocadito. Ainda é muito cedo para mim. (a verdade é que estava com medo de vomitar na cama, e ainda queria ir até à janela apanhar um bocado de ar para ver se o enjoo me passava).
  - Então vá, já sabes que é o quarto no fundo do corredor e a cama já está aberta – disse-me a tia – Agora vê lá, não abuses da aguardente.
  Mas que raio é que eles pensavam de mim? Que era um bêbedo inveterado? Confesso que fiquei um bocado revoltado com aquela boca da minha tia. Quando eles se foram, lá fui para a janela, e aquele ventinho da serra nas ventas fez-me mesmo bem, tanto que ainda não eram meia-noite, já eu estava a chonar embrulhado em duas mantas, que o frio por aquelas bandas não é pera doce.
  E foi então que aconteceu: de repente, no meio da noite (mais precisamente às 2 da manhã, como pude verificar posteriormente), e no meio de um sono profundo, ouço um burro a zurrar que nem doido, mesmo nos meus ouvidos. Bem! Apanhei um cagaço daqueles! Imaginem acordar com o animal a zurrar-me às orelhas, tudo às escuras e eu sem saber onde é que estava?
Levantei-me assarapantado e mal comecei a andar bati com a cara (especialmente o nariz) contra qualquer coisa tão dura como uma parede (e era mesmo) e com tal força, que fui atirado para trás para cima da cama como se tivesse ido contra uma automotora, e com uma dor excruciante no nariz e até devo ter estado uns segundos desmaiado. Quando consegui raciocinar melhor, acendi o candeeiro de mesa de cabeceira, tentei estancar o sangue que me corria do nariz e descobri que afinal não havia burro, tinha sido o sacana do telemóvel.    
  Explicando: o meu telemóvel tem uma aplicação com 3 toques – o que eu uso normalmente, o zurro que eu atribuí ao Marcelino, e o mugido da vaca, que seleccionei como tom de toque da prima Etelvina – mas eu nem queria acreditar que o filho da mãe do Marcelino a ligar-me àquela hora. Mas estava com tanto frio (nem me passara pela cabeça levar pijama), que já nem pensei mais, queria era dormir, pela manhã, teria tempo de ver o que se tinha passado. 
  Portanto, apaguei a luz e embrulhei-me novamente nas mantas, depois de apalpar o nariz, e que, quando lhe passei a mão, parecia dois. Se calhar estava partido, mas àquelas horas, não ia a lado nenhum! 
Readormeci quase instantaneamente.
 
(continua)

domingo, 30 de setembro de 2012

Bons Sonhos!

 
Eu sei. É pouco, mas é de boa vontade. Amanhã há mais!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Bons Tempos, Velhos Tempos (4)

Julgavam que isto era uma invenção recente, não?


Têm notado a minha ausência?
Não? Tudo bem.
Sim? Pois é, tenho andado arredio, mas nada de grave, portanto, tudo bem na mesma..
Seja como for, as notícias do meu desaparecimento, foram claramente exageradas

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Um Adeus ao Verão

Aquele Verão, aqueles Verões escapavam-se pelos dedos mais rápido que areia fina, pior, a areia não tinha qualquer importância e aquele nosso tempo sim, queríamos que permanecesse para sempre porque era um tempo mágico de calor, amores e sonhos que não mais seriam esquecidos. Nessa altura fechava muita vez os olhos com força, como se aquele gesto fosse o suficiente para reter aquele preciso segundo. Mas nada detia o correr do tempo, inexorável.
 Naquela idade sonha-se. Sonha-se muito, ingenuamente o mais das vezes. Sonha-se que se é um cavaleiro da Távola Redonda ou um Peter Pan sempre na rota de Neverland. Sonha-se com o amor das princesas encantadas muito bem aconchegado em noites de prazer tórrido, extenuante e pouco etéreo.
 O tempo era passado sob o sol abrasador, que nos escurecia a pele e clareava o cabelo, enroscados na areia húmida da beira-mar, envolvidos pelo cheiro suave da maresia, entretidos em mergulhos no azul líquido e infindável, bruto por vezes, que com aquele seu vai-vem sensual nos acicatava ainda mais os ímpetos juvenis. Ou nos braços lãnguidos da namorada jovem, nos quais suávamos ainda mais que sob as ardências solares.
Eram verões de banhos imensos e namoros, de fins de tarde de passseio de mão dada à beira-mar e de noites de dança. Quase sempre uma dança tão abraçada que parecíamos querer irromper por dentro do outro. Uma dança tão sensual, tão sexual, que fazia com que a carne quase saltasse para fora da escassa roupa leve que a cobria.
Foram verões de descobertas e ilusões. Também de algumas desilusões. Mas daquelas desilusões que mantém um rosto carinhoso e um sorriso quase inocente. Foram Verões escaldantes. De sol e paixões à flor da pele.
 
 "Morning found us calmly unaware
Noon burn gold into our hair
At night, we swim the laughin' sea
When summer's gone
Where will we be Summer's almost gone
Summer's almost gone
We had some good times
But they're gone
The winter's comin' on
Summer's almost gone"
 
The Doors

terça-feira, 25 de setembro de 2012

My Favourite Things (4) - Watches

F.P. Journe


Night' Music (85) Frankie Goes To Hollywood - Relax

Frankie Goes To Hollywood - Relax


Proposta às leitoras...

...que gostam de malas, e que já estão com saudades do verão que ainda agora se foi.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Night' Music (84) Tori Amos - Winter

Tori Amos - Winter


Um Casal Muito Moderno

Depois, há aquelas lições que os animais dão...

Esta foto, em que o cão maior protege o mais pequeno, acarinhando-o, é um retrato do oposto do que se passa em Portugal, em que os pequenos vão sendo despojados enquanto os grandes se mantêm indiferentes, gozando os seus luxos, com o governo a fazer o papel de sua guarda pretoriana, não se atrevendo a tocar-lhes nas mordomias.

domingo, 23 de setembro de 2012