sexta-feira, 20 de abril de 2012

Boing, Boing, Boing, Boing

Passei outra noite daquelas, de modo que acordei mais tarde e não deu para preparar nenhum post para de manhã
Mas posso só dizer que as coisas aqueceram logo depois do jantar, com um telefonema do Marcelino a perguntar-me se eu queria entrar num negocio de importação de abacaxi descascado. Como é óbvio, tentou engrupir-me dizendo que era um negócio do catano mas eu teria que ser o sócio da massa. O caraças! Acontecia-me o mesmo que com as tshirts "artesanais chinesas pintadas à mão" que debotaram à 1ª lavagem: ele ia sendo linchado pelos vizinhos em fúria, e eu fiquei sem o taco.
E depois, foi a discussão nas escadas. Estava a pegar no sono depois de ter enfiado dois xanax quando ouvi um grande alarido. Levantei-me não fosse um incêndio ou coisa assim, e era a D. Ermelinda do 1º andar uma velhota que deve ter uns 100 anos e consta que guarda dinheiro até debaixo do colchão - entrei na casa dela uma vez por causa de uma rotura num cano, e aquilo parecia um museu, em que a coisa mais nova era mesmo a velha - a mandar vir com a italiana do 3º.
A italiana é vizinha há pouco tempo - ainda nem tive tempo de me pôr bem nela - é cantora lírica e tem uma peitaça daquelas. Até aqui nada de mais. O pior é que ela começou na semana passada a ter aulas de canto domiciliárias. O professor é um tipo pequeno e careca, um bocado seboso, e consta que é o mecenas dela. Não sei se será mais alguma coisa, mas acho que não, aquilo é muita areia para a camioneta dele. Ora o gajo chega, mete- se ao piano e ela começa a fazer vocalizes. Aquilo de janela aberta, claro. Ouve-se em todo o prédio. O pior é quando ela começa a cantar mesmo: os vidros das minhas janelas tremem mais do que quando foi do último tremor de terra.
Parece que a discussão foi originada por um incidente que aconteceu na tarde de ontem: pelos vistos, a italiana - chama-se Federica - exagerou nos agudos e partiu três copos de cristal à D. Ermelinda e ela estava então a querer que a italiana lhos pagasse, e a pedir uma pipa de massa.
Claro que, já que não me deixavam dormir, não resisti a entreabrir a porta, e à cautela, fui assistindo àquilo por uma pequena nesga não fosse ainda tocar-me alguma coisa. As coisas estavam complicadas porque elas não se entendiam, a italiana percebe pouco de português e a velha falava muito depressa. No meio daquilo, o professor de canto - também, não percebo o que fazia ele em casa da Federica àquela hora da noite, de certeza que não lhe estava a massajar as cordas vocais - é que estava a tentar amainar as coisas, mas às tantas estava a ver que a velha ainda lhe enfiava uma bengalada. Mas ele, e já eram para aí umas 3 da manhã, lá lhe conseguiu dizer no meio da algazarra:
- Oh minha senhora, tenha calma. La dona não capisca nada do que a senhora diz. Vamos com calma-
E ela responde:
- Aí não? não capisca nada? Então diga lá você a essa putana que tem que me pagar os miei cristais, se não dou-lhe umas bengaladas pelo toutiço abaixo que ela fica duas semanas sem piar.
Bom, a italiana deve ter percebido alguma coisa do que a velhota disse porque ficou muito vermelha e começou a correr pelas escadas abaixo a dizer: "Putana? Putana, io?" e a querer atirar-se à mulher. Mas o meu olhar estava era hipnotizado pela visão dos peitos dela a saltarem conforme ela ia descendo rapidamente os degraus: pra baixo, pra cima, pra baixo, pra cima, pra baixo, só estava à espera que algum dos marmelos saltasse para fora do roupão. Foi nessa altura que faltou a luz.
Calaram-se as duas e parece que acabou a discussão de repente. Fechei a porta, mas não me saía da cabeça aquela cena dos marmelos a saltitarem e a ameaçarem ter vontade própria e a saltarem cá para fora (sacana do professor de canto, há gajos com sorte). Era uma visão diabólica, fiquei cheio de suores frios e só passados mais de 3 quartos de hora é que os xanax levaram a sua avante.
O problema é que aquilo faz dormir mas não evita os pesadelos!

23 comentários:

  1. tu moras numa novela da tvi ou numa serie do Nicolau Breyner?

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    1. Se calhar pensavas que só tu é que tinhas vizinhos malucos, Xuxi :)

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  2. Está explicado a analogia entre a fruta e os seres humanos !

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    1. A analogia não direi, RST. Talvez mais a afinidade :)

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  3. Ai...Vaporub... larga as drogas, que isso passa!*

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    1. Maya, sei bem o que estás a querer dizer :). O mais que poderia sonhar é que ERA o professor

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  5. Precisa de peitorais grandes para ter um vozeirão capaz de partir cristais. ahahah

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  6. Tens a certeza que aconteceu isso tudo ou não terá sido um sonho dentro do pesadelo? Como alguém já referiu, parece uma novela da TVI... :)))

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    1. Teté, vê-se logo que nunca viveste na Madragoa :)

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  7. Vives num prédio bem animado! Aqui, no meu, não se passa nada, a não ser a vizinha do 3.º direito a ralhar com Cuchi, o gato, e a ter que aspirar sempre que o mesmo verte águas. Também há o Joãozinho do 2.º esquerdo, em luta permanente com os pais, pois não gosta de tomar banho nem fazer os TPC. :)

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    1. Pois é, nêspera, isto é muito animado, mas o meu sono é que se ressente :)

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    2. Nem fales em sono. Neste fim-de-semana vai ter que ser: retiro espiritual e introspectivo :)

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    3. É claro que a vizinha do 3.º direito e o Joãozinho do 2.º esquerdo têm que colaborar. Ou o gato e pais, respectivamente .)

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    1. Não, o vizinho do r/c queixa-se do mesmo, Vera :)

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  9. Ahah, que animação! Deixa lá, se sossegasse ias sentir a falta :)

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    1. Se calhar ia mesmo, TR. Uma vida sem reboliço...não aguentava :)

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Eu leio todos com atenção. Mas pode não ser logo, porque sou uma pessoa muito ocupada a preencher tempos livres!