sexta-feira, 29 de junho de 2012

A Verdadeira Índole de Branca de Neve...

...e outras personagens da BD e animadas (Take II)

Há situações que, não tendo grande importância em si mesmas, me fazem ficar de certo modo satisfeito comigo próprio, principalmente quando verifico que não estou só em certas teses que venho há algum tempo defendendo, para mais quando a companhia é de peso.
Ainda me recordo do dia em que assisti no El Corte Inglês ao lançamento do livro "Os Piores Contos dos Irmãos Grim, pelo autor, Luís Sepúlveda, que teve como parceiro de escrita, o uruguaio Mario Delgado Aparaín, e que é um exercício de humor irresistível.
No meio do improviso de introdução à obra, Luís falou da vertente sexual de algumas dos livros dos mais conhecidos irmãos Grimm com dois m's, (que estes sobre quem eles escrevem, são outros dois irmãos, Caim e Abel, só se assinavam com um, e não são alemães, mas gaúchos e cantantes e não autores de histórias). Nomeadamente, referiu ele que o conto da Branca de Neve e os Sete Anões era uma evidente apologia da pederastia, opinião que há muito defendo, porque, tenho a certeza, não seria normal que uma jovem no auge do vigor e na plena posse das suas faculdades, sujeita a ímpetos como todo o jovem saudável, se entregasse a uma vida de castidade tendo ao seu alcance sete, digo sete, machos que, embora pequenos, não deixam de o ser, a menos que estes sofressem de alguma alergia mal especificada. Como não seria expectável que, os pequenos habitantes do bosque não aproveitassem para tirar a barriga de misérias, depois de tantos anos a espancar o urso ou de orgias de sentido único, factos que os autores, escondem despudoradamente ao leitor menos avisado. Veja-se a desolada cara de Dunga, o seu choro convulso, quando vê a sua iniciadora nos prazeres terrenos, adormecida pelo veneno da bruxa má, e aí teremos a prova de que só a tragédia de se ver sem o objecto do seu desejo, de se ver na perspectiva de ter que voltar ao seu papel passivo perante os desejos libidinosos dos seus parceiros mais velhos, seria passível de tão desesperada reacção.
É verdade que, há uns tempos defendi a tese que os sete anões, tal como TinTin, Batman e outros personagens seriam de sexualidade ambígua, mas hoje já poucas dúvidas me restam. Se na relação de Batman com Robin ainda chegou a haver campo para algumas dúvidas aquando da aparição da Catwoman, fugaz, uma vez que o herói-morcego se encarregou de eliminar o obstáculo que se poderia interpor entre ele e o seu jovem amigo, ainda em idade de mudar de orientação, em relação a Tintin nem alguma vez a questão se pôs, porque à sua relação com Hadock, nem Castafiore chegou a constituir ameaça. O rapaz que prolongava a sua adolescência, e escondia o passar dos anos debaixo de um penteado punk e de umas calças Jean-Paul Gautier, era um misógino impenitente que só se abria com os seus amigos homens. As permanentes bebedeiras de Hadock eram, na minha perspectiva sinal, de que era no álcool que o marinheiro escondia algo que nem a si próprio queria confessar.
Poderia também falar dos interesses subliminares de Gepeto em relação ao seu protegido Pinóquio, manifestamente denunciados na maneira dúbia como o sentava no seu colo, para pretensamente o aconselhar (aliás, esta história é toda muito cheia de subentendidos, com aquele Grilo com poses de grila) Mas em relação aos sete pequenos, mudei a minha opinião, depois de ler as excelentes obras da socióloga americana radicada na Papua-Nova Guiné, drª Olívia Dild O Littlemen, “How to turn your midget in a sex toy”, e “How I sexually survived 10 years among the pigmies of the Kalaari” , em que ela descreve as suas experiências de vida com povos de altura abaixo do normal, em vários pontos do globo, nomeadamente no Botswana, e de como conseguiu desviar muitos dos hábitos sexuais deles em seu proveito.
Não poderemos, contudo, passar das especulações, uma vez que tem sido sistemáticas as mistificações com que temos sido bombardeados com o intuito de nos confundir, algumas das quais vindo dos pseudo-moralistas tempos vitorianos, outras mais recentes, nomeadamente dos estúdios Disney, conforme atesta a imagem ao lado, cortada do filme, e bem denunciadora dos atrevimentos da Branca de Neve (corte talvez prenunciador dos tempos de censura macarthista que se avizinhavam) e que me foi enviada pelo douto bibliógrafo inglês radicado na Alemanha e grande estudioso da obra dos dois irmãos, Rudolph Pinok-Adass, que me assegurou que a mesma fazia parte da 1ª edição ilustrada do conto, editada por uma impressora de Marburgo por volta do ano de 1830.
Para finalizar. e porque já vos deixo bastante matéria para reflexão séria, acrescentaria que ando agora a fazer umas investigações exaustivas sobre a verdadeira índole da relação de amor/ódio entre Peter Pan e o Capitão Gancho.

26 comentários:

  1. Li, há cerca de 14 anos, uma reportagem da revista Indy, se não me falha a memória, exatamente sobre a questão dos significados duplos das histórias para crianças. Mencionava também a Alice.
    Ainda tenho essa reportagem, tenho de ir às catacumbas ver se a acho.

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    1. Sim, acho que a Alice tinha uma fixação pelo Chapeleiro, e a Rainha queria ter uma relação com a Alice, mas om esta não estava para aí virada...toca de lhe cortar a cabeça :)

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  2. Matas-te a minha infância, aliás chacinas-te tudo o que de inocente eu tinha nessa altura!
    No entanto, deu-me um gozo tremendo ler isto.
    Por isso, desculpo :)

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    1. Se calhar também ainda acreditavas no Pai Natal... :)

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  3. E o pior é que isto até faz sentido... No 10º ano, em Filosofia, o meu professor da altura, fez um exercício semelhante mostrando a badalhoquice que são os chamados contos infantis.
    Muito bom texto.

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  4. Não digas mais nada, por favor!
    Caiu por terra a minha crença em príncipes e princesas.
    Que mau!;)

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    1. E repito a minha resposta de cima: claro que ainda acreditavas no Pai Natal, Nina :)

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  5. ehehheheh
    Eu leio muitos contos infantis como deves calcular.....
    Um dia destes resolvi abrir a pagina da net que contam as histórias, e só te digo VIC...embora nao me quisesse rir nao aguentava...
    As histórias sao contadas em brasileiro...e a minha mente automaticamente voava quando as frases do vou-te comer apareciam e outras mais.....
    a maldade está mesmo na nossa mente :)

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    1. Está, está. Os escritores eram uns anjinhos, EuZinha :)

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  6. Eu fiquei horrorizada quando, pela primeira vez, ouvi falar das interpretações pecaminosas dos belos dos contos de fada. E, agora, fiquei de novo, Vic. Porque sou uma menina sem malícia e que não vê maldade em lado nenhum, muito menos nestas coisas :p

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    1. Eheheh, pois, pois, Mam'Zelle e eu sou o D. Duarte :)

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  7. Já o Lucky Luke não aguentava uma namorada para além da "primeira vez" de ambos por ser mais rápido que a própria sombra

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    1. É Moyle, a ejaculação precoce dá cabo de qualquer relação :)

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  8. ahahah As pessoas adoram ver mal em tudo!

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  9. Não, S*, as pessoas teem cabeça para pensar :)

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  10. Tem toda a razão VIC!
    Infelizmente é verdade.

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  11. Exercício de humor, foi o que fizeste aqui! :)))

    E esse Pinok-Adass está absolutamente correto: também já tinha lido sobre essa imagem da Branca de Neve, publicada originalmente, suspeitando-se ainda que o Disney tenha copiado o modelito na íntegra - moralizando-o um pouco, vá - para o usar no seu filme! O que vistas bem as coisas, é quase um plágio... :D

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  12. Nunca mais vou olhar para uma história ou personagem da Disney e similares da mesma forma.
    Sempre vi esses contos no domínio do infantil,onde o sexual que existe é todo a nível inconsciente. Olha o que seria contar a história da Branca de Neve com essas 'verginhices' a criancinhas de 5/ 6 anos que nem sabem o que sexo é, se é que conhecem a palavra. Eu sei que tudo depende.
    Gosto desta inocência infantilizada.
    Deixaste-me a pensar, lá isso deixaste.
    Um beijo.

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    1. eheheheh, não ligues Pérola, São desvarios :)

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  13. É por estas e por outras que eu adoooooooro o Lobo Mau! :)

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    1. Porque comeu a velhinha e a menina, Nêspera? Eu também gostaria, mas o desgraçada acabou abatido :(

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    2. O desgraçado foi abatido?!?!? Então não reapareceu para comer também os três porquinhos??? Pelo menos é mais assumido... ;)

      A sério, gosto (muito) de lobos e simpatizo com o lobo mau. E, vá lá, não é tão mau como o pintam. :)

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Eu leio todos com atenção. Mas pode não ser logo, porque sou uma pessoa muito ocupada a preencher tempos livres!