segunda-feira, 7 de maio de 2012

Transportes públicos? Isso é que era bom...

O meu médico de família, sabendo da minha vida muito sedentária, recomendou-me exercício físico, de preferência, fazer uma caminhada de 1 hora em passo acelerado. Ora se eu seguisse o conselho dele, e fizesse isso aqui no bairro, que é todo a subir e a descer, estava desgraçado, a meio ainda me dava um avc, não morria da doença e morria da cura. Fazia os meus passeios com a minha cadela - costumavam ser 3 por dia, de mais ou menos meia hora cada - mas por motivos de força maior, agora só faço um, pelo que decidi voltar ao ginásio, onde faço exercícios vários mas não posso correr na passadeira por causa de um problema de coluna.
Ora como o preço do gasóleo tem subido em flecha, além de que quando chegava a casa as voltas ao quarteirão para arranjar lugar para estacionar me causavam um stress que me deixava em brasa para o resto do dia, 6ª feira decidi: para lá vou a pé - compensando assim a falta da caminhada e fazendo ao mesmo tempo uma espécie de aquecimento - e para cá apanho o autocarro ou o eléctrico. Assim fiz. Ida até ao ginásio a andar bem, embora um pouco cansativa nada de especial, os exercícios do costume, o banho, e assim fresquinho lá fui até à paragem da carris mais próxima.
Fim da fila, duas mulheres à minha frente discutiam que isto é tudo uma ladroagem e que os políticos são isto e aquilo, enfim, o costume. Já estava desesperado pelo transporte, porque as vozes alteradas das mulheres quase me davam cabo dos tímpanos. Por fim, o tão desejado transporte. Entrei, e na confusão da entrada uma velhote enfiou-me logo um ramo de malmequeres pela cara e uma pisadela no pé direito, paguei o bilhete - caro como o caraças, acho que me tinha ficado mais barato ter usado o carro - olhei e vi lugares sentados lá atrás, para lá fui e sentei-me num daqueles bancos paralelos a que se costumava chamar banco dos palermas. Entraram mais umas pessoas, e no banco em frente senta-se uma morena alta daquelas cheias de curvas. Quando pousa o traseiro no banco a mini-saia arregaça-se-lhe até ao pescoço que eu até senti uma arritmia. Os meus olhos parece que ganharam vida própria: eu bem queria afastá-los, mas eles teimavam em olhar para a paisagem à minha frente. E o raio da rapariga não sossegava com as pernas, parecia fazer questão de me dar a conhecer todos os pormenores da lingerie - tão micro que dava para ver que tinha feito depilação recentemente - além do decote que descia até quase ao umbigo. O que me valeu foi que ela saiu logo duas paragens a seguir. Respirei fundo, a minha pulsação desacelerou, e pelo sim, pelo não, fui para o banco do fundo e sentei-me mesmo junto à janela.
Paragem seguinte, entram mais uns poucos passageiros, entre os quais uma senhora daquelas estilo bazulacra de 3 toneladas, e - surpresa das surpresas - sentou-se a meu lado. Ou melhor entalou-me contra a janela quando se deixou aterrar pesadamente e parte de uma das nalgas delas assentou directamente em cima da minha anca de tal forma que receei que o meu fémur se rachasse como uma cana. Aconcheguei-me mais para a janela, e foi nessa altura que a senhora abriu um saco e tirou de lá de dentro um novelo de lã e duas agulhas e toca de começar a tricotar furiosamente. Bom, aquilo era assustador: eu só via as agulhas a virem em direcção a um dos meus olhos e vazá-lo. A mulher cada vez tricotava mais rápido e eu já estava a suar mais do que depois de acabar a caminhada e os exercícios no ginásio. Já via nas agulhas as ameaçadoras lanças de perigosos indígenas da Papua-Nova Guiné, ou algum sítio inóspito do género. Já não aguentava aquela tortura, e ainda tentei duas vezes sair na paragem antes daquela onde devia, mas a mulher deitou-me um olhar tão ameaçador, que eu voltei a sentar-me, até porque ela nem menção fez de desviar as pernas para me deixar passar. Resultado: só consegui sair quando ela também saiu, e duas paragens depois da minha, que me obrigou a nova caminhada, e esta sempre a subir.
Cheguei a casa em estado miserável e a pensar não seria mais saudável para mim, manter o meu estilo de vida sedentário. Fiquei na dúvida.
Porém sobre a questão dos transportes públicos fiquei esclarecido: hoje já volto a ir para o ginásio de carro. Meu rico stress do estacionamento! Que se lixe lá a porra do transporte público!

19 comentários:

  1. ;) Pois...esse lindo transporte é um verdadeiro caos, a minha filha que o diga. Apanha sempre o 28 para se deslocar da escola para casa e vise versa, mas são mais as vezes que vai a pé. O desgraçado anda sempre pelas costuras.

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    1. eheheh, de pequenino se torce o pepino, Marta

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  2. Há coisas que simplesmente não vale a pena tentar contrariar...

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  3. rrrss rrsss rrssss "Tadinho" e homens , não havia?

    Um abraço cheio de compaixão pelas desgraças e com desejo de boa semana, rrss

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  4. rrrsss Mas só havia mulheres no eléctrico? rrrss

    A sério, também já passei um mau bocado em transportes públicos.

    Boa semana

    Será de desta vez entra?

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    1. Então e achas que eu ia perder tempo a olhar para homens, São? :)

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  5. Eheheh, podias passar a fazer essas viagens nos transportes urbanos citadinos e, no final, escrevias um livro sobre essas aventuras... ou antes, desventuras! Ia ser um sucesso, estou certa! :)))

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  6. Credo, que aventura. É nestas alturas que agradeço por viver aqui, 5 minutos de casa para o trabalho, mais 5 para o ginásio, mais 5 para casa e quase sempre sem problema em estacionar.

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  7. ahahah

    Esse tricotar veloz até a mim meteu medo. Mas acho que me meteu mais medo o facto de teres conseguido saber que a rapariga fez a depilação recentemente...

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  8. Se nesta viagem não tiveste um avc, podes ficar descansado e fazer a tal caminhada no teu bairro. :)

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    1. Tens razão nêspera, mas aqui é mesmo cansativo :)

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  9. eu gosto muito de transportes públicos, mas como sou um admirador confesso de tuberculose a minha opinião pode sofrer de parcialidade!

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Eu leio todos com atenção. Mas pode não ser logo, porque sou uma pessoa muito ocupada a preencher tempos livres!