terça-feira, 6 de março de 2012

Da problemática da roupa íntima aos pequenos dramas familiares

Sobretudo nos últimos 2 séculos, a roupa interior tem ganho importância primordial na indumentária quer feminina, quer masculina.
Em relação á mulher e durante os séculos anteriores, a roupa íntima resumia-se aos inestéticos culotes até ao joelho e aos tenebrosos espartilhos, que definiam a cintura de vespa e causavam graves problemas de saúde. Os homens, desconheço que usassem qualquer tipo de roupa com essa função até ao século XIX, quando passaram, também eles a usar cuecas até ao joelho (mais tarde conhecidas como boxers), ou ceroulas.
No século XX houve uma grande evolução, as cuecas de ambos os sexos foram diminuindo de tamanho - embora em relação aos homens, os boxers tenham mantido uma razoável cota de mercado - e no caso da mulher, o espartilho foi sendo substituído pelo soutien, uma peça que tem também ela diminuído e apertado (no caso do wonder-bra) os seios de forma a oferecer à mulher uma figura mais sensual.
Penso que acima de tudo, a roupa íntima deve ser o mais cómoda possível. Todos os homens sabem as terríveis dores de cabeça que umas cuecas demasiado apertadas podem causar, pelo que prefiro os boxers. Já as mulheres parece terem-se rendido ao fio dental.
Vem isto a propósito da autêntica guerra de marcas (principalmente de lingerie feminina) a que tenho assistido na televisão, com spots publicitários que são por si só, pequenos filmes eróticos. Vejam os spots da Intimissimi ou da Calzedonia e verifiquem se não é verdade.
Um pormenor que acho curioso nesta interessante problemática da lingerie feminina, é o facto de as mulheres muitas vezes as escolherem cuidadosamente com o fito de aparecerem mais sensuais aos olhos do parceiro, sabendo de antemão que, quanto mais sensuais parecerem, menos tempo ficarão com a lingerie vestida e muitas vezes sujeita a sofrer danos irreparáveis.
A lingerie é, na verdade, muito importante. Muitas vezes, a chave de pequenos dramas domésticos, como o de um amigo meu, sempre muito divertido, e que há uns tempos atrás foi aparecendo macambúzio, cabisbaixo, durante alguns dias. Até que não resisti a perguntar-lhe o que se passava, e a muito custo lá me revelou que andava angustiado, porque suspeitava que a mulher o traía. Inquiri sobre os motivos que o levavam a pensar tal, e ele foi dizendo que de há 2 ou 3 meses a essa parte, quando iam para a cama, ela alegava sempre dores de cabeça ou que estava muito cansada. “é normal, é a desculpa recorrente quando não querem nada connosco nesse dia, mas 3 meses seguidos, todos os dias?”; parece que um dia quando achou que aquilo já era demais, meteu um dia de férias no trabalho, mas de manhã saiu de casa como todos os dias e ficou à esquina a ver o que a mulher iria fazer; teve que aguentar até às 2 da tarde, que foi quando ela saiu; seguiu-a discretamente até ao Marquês de Pombal, onde a viu encontrar-se com um tipo que ele não conhecia, a quem ela beijou na boca, o que - disse ele - lhe pareceu um bocado abusivo; seguiu-os até eles entrarem numa pensão ali ao Conde Redondo; chegado à porta, ouviu-os pedir um quarto; pagaram e seguiram; foi aí que ele avançou e falou com o homem que estava ao pequeno balcão, e lhe perguntou para que quarto eles tinham ido, informação que só lhe foi dada a troco de uma nota de 20 euros; sorrateiramente, chegou-se à porta do quarto visado, e espreitou pelo buraco da fechadura; disse ele que o par se despia apressadamente, ao mesmo tempo que ia trocando beijos demasiado efusivos - na óptica dele, mais uma vez - até que o insólito aconteceu: a mulher despiu as cuecas - pretas e rendadas - e atirou-as pelo ar, direitas à porta, ficando inopinadamente penduradas no que ele supôs ser a maçaneta e tapando assim o buraco da fechadura, e, consequentemente, a visão. E terminou a descrição com: “e agora, aqui estou eu nesta incerteza”.
Assim se prova a importâcia de um mero par de cuecas que conseguiu impedir que o azarado homem se cetificasse da infidelidade da mulher

14 comentários:

  1. Eu se fosse o teu amigo, não tinha muitas dúvidas, acho que as cuecas neste caso serviram para tapar o que ele sabe mas não não quer acreditar.

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  2. Bom, se com isso tudo ele não ficou convencido, talvez mereça os santos galhos que a mulher lhe pôs.

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    1. Oh S* coitado do homem! Não é nenhum alce... ;)

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  3. Descrentes comentadoras, o pobre homem desconfia apenas, que a amantíssima esposa, tão sofredora de cefaleias, teria, hipoteticamente, um amante. Afinal, para além de uns beijos abusivos por parte de um desconhecido, ele não viu acontecer nada de mais, as roupas íntimas da senhora não deixaram e ele, naturalmente, não quer pôr em causa a boa conduta da senhora sem certezas absolutas, homessa!

    (Belo texto, ficcionadíssimo, espera-se, para bem do pobre "amigo" que, a ser verdade, por este andar vai ele começar a ter valentes dores de cabeça...)

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    1. Claro, Apple. Afinal, não os apanhou em flagrante delitro :)

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  4. Ehehehm há tipos que sofrem de grandes incertezas... :)))

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  5. Não gosto de ver fio dental numa mulher. Também não gosto de cuecas do tempo da avó, mas uma tanga ou uma cueca semi-rendada fazem milagres à vista.
    Já eu de boxers é que estou bem.
    Numas férias em Espanha, e por aposta parva com amigos, andei sem nada durante umas horas e jurei para nunca mais. Fiquei todo assado. Mas ganhei a aposta. :)

    Já esse teu amigo, bem, ao primeiro beijo trocado com o outro, estava tudo corrido ao estalo. That simple.

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    1. Eheheh Troll. Quer dizer que se a Bellucci te aparecer em fio dental a mandas dar uma volta :)
      (oh homem, que violência, Isso é mesmo de macho latino :) )

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  6. Que aborrecimento as ditas cuecas não serem transparentes ou "see through", como também se diz. :) Estou cheia de oena do teu amigo. Que angústia.

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    1. É verdade, Alexandra. O homem está num dilema dilacerante :)

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  7. :D Muito bom. Como diria o Jô Soares, 'tem homem que é cego'.

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    1. Izzie, há pessoas que acreditam até ao fim... :)

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Eu leio todos com atenção. Mas pode não ser logo, porque sou uma pessoa muito ocupada a preencher tempos livres!